Entrevistas, Palavra de Especialista

Obstetra Karolyn Sassi Ogliari, Diretora Geral da HemoCord, esclarece dúvidas sobre células-tronco

Foto Priscilla Borges

 

Por Paula Tweedie

Por que armazenar o sangue de cordão?

O principal motivo seria porque a chance de achar um doador de medula óssea ou e de sangue de cordão compatível, em caso de necessidade de transplante para doenças como a leucemia e outros tumores infantis, é de 1 em 1 milhão, ao passo que entre parentes de primeiro grau é de 1 em 4. Por isso, torna-se interessante manter o sangue disponível para a família. Sem falar que, dependendo da doença, o sangue do cordão poderá ser utilizado pela própria criança, com risco nulo de rejeição. É uma oportunidade única de fazer uma coleta de grande concentração de células-tronco, sem a necessidade de intervenção cirúrgica. Estudos avançam, também, rapidamente considerando a utilização de células-tronco para diversas doenças do jovem e do adulto, como cardiopatias, diabetes, esclerose múltipla, neuropatias, entre outras.

Como é o procedimento de coleta? Dói? Quanto tempo dura? Quando deve ser feito?

Após o nascimento, o bebê é entregue ao pediatra, e o procedimento de coleta inicia. O sangue da veia umbilical é retirado por punção com uma agulha e drena diretamente para uma bolsa de sangue específica esterilizada. É totalmente indolor, pois a placenta não faz parte do corpo da mãe. A coleta deve ser realizada em aproximadamente 3 ou 4 minutos após o nascimento, por isso o profissional que irá coletar deve estar presente no parto.

A coleta de sangue do cordão oferece algum risco para o recém-nascido ou para a mãe?

Não, pois a coleta é realizada no momento em que a placenta seria retirada do útero e descartada. Ao invés de descartar o material, o sangue contido nela é coletado. A coleta somente inicia após o recém-nascido ter sido entregue ao pediatra.


Onde e em quais condições o sangue é armazenado?

O sangue é armazenado em tanques especiais que mantém temperaturas próximas a -196oC, dentro de nitrogênio liquido. O nosso laboratório de armazenamento fica em Porto Alegre.

Como é feito o transporte do material coletado?

Existe um monitoramento constante da temperatura feito por termômetros digitais desde quando a coleta termina, até a chegada do material ao laboratório.

O tempo de armazenamento é limitado?

Em princípio não. Desde os primeiros armazenamentos de sangue de cordão no mundo, já se passaram 22 anos, comprovando que o material é viável após esse tempo de armazenamento. Porém sabe-se por estudos com outros tecidos humanos, que o armazenamento em nitrogênio líquido é o mais eficaz em termos de preservação, freando o metabolismo e o desgaste celular.

Quantas doenças já podem ser tratadas com transplante de células-tronco?

Hoje já são tratadas em torno de 80 doenças com células-tronco, todas girando em torno de distúrbios do sangue, genéticas ou não, ou tumores infantis. Não estão sendo considerados tratamentos ainda em estudo.

O sangue do cordão umbilical de um recém-nascido pode ajudar outros familiares a se recuperarem de doenças?

Sim, a grande maioria dos transplantes realizados de sangue de cordão proveniente de bancos privados de armazenamento foi utilizada para algum familiar. A chance é maior que algum familiar necessite do que o próprio bebê de quem foi coletado o material. Isso porque grande parte das doenças tratáveis hoje com células-tronco tem indicação de o paciente receber o transplante de uma outra pessoa (parente ou não).

Parentes de até que grau podem se beneficiar dessas células?

Não existe um limite de grau de parentesco. Quanto mais próximo é o grau de parentesco, maior a chance de compatibilidade. Está comprovado cientificamente que os resultados de transplantes realizados quando há algum grau de parentesco a mortalidade reduz próximo a 50%, comparado a quem recebeu de um doador sem parentesco.

Muitas pessoas não têm noção dos valores. Em média, qual é o custo do procedimento?

O procedimento gira em torno de R$ 3000,00 para a coleta, o transporte, o processamento do material, e o seu armazenamento no primeiro ano. A partir do segundo ano, passa a ter uma anuidade que varia de R$ 500,00 a R$ 600,00.

Com que antecedência a gestante deve contatar o banco de células-tronco a fim de contratar o serviço de coleta para o parto?

O quanto antes se fizer o contato melhor em termos de organização e preparo de toda a equipe para o dia da coleta. Financeiramente, há a possibilidade de parcelamento maior até a data do parto, por valores à vista.

Karolyn Sassi Ogliari

Médica obstetra e especialista em reprodução humana

Diretora Geral – HemoCord

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33 Respostas para “Obstetra Karolyn Sassi Ogliari, Diretora Geral da HemoCord, esclarece dúvidas sobre células-tronco”

  1. avatar
    Em 23 de maio de 2011 em 13:03 Elisa respondeu com ... #

    Adorei a matéria! Muito importante e esclarecedora. Parabéns.

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 14:09 paula respondeu com ... #

      Elisa, fico feliz que tenhas gostado da matéria. Eu mesma tinha muitas dúvidas em relação ao assunto. Beijos.

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 20:54 Karolyn respondeu com ... #

      Elisa, obrigada! Fico à disposição para qualquer dúvida.
      Um abraço!

  2. avatar
    Em 23 de maio de 2011 em 14:09 Júlia Klein Mees respondeu com ... #

    Excelente matéria e muito esclarecedora. Nós contratamos a Hemocord para a realização da coleta e ficamos muito satisfeitos, o que motivou a escolha foi que o sangue fica em Porto Alegre, enquanta outros laboratórios o sangue fica em São Paulo. É como um seguro de carro é bom ter, mas é ótimo se não precisar usar. Bjs, Júlia.

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 14:15 paula respondeu com ... #

      Júlia, que legal o teu depoimento! Muito obrigada!!! Por pura ignorância, acabei não fazendo a coleta do cordão do Santiago e hoje me arrependo. Várias coisas podem ficar para depois. Essa decisão não! Beijos no Pedro.

      • avatar
        Em 23 de maio de 2011 em 21:11 Karolyn respondeu com ... #

        Queridas Paula e Raquel,

        Gostaria de parabenizá-las pelo blog! Muito legal a iniciativa!
        É o assunto mais gostoso da vida!
        Quando estou estressada…penso em tudo que envolve meus filhos…data das revisões do pediatra…dentista…as aulas, as roupas que estão precisando…
        Eu posso dizer que depois de ter meus filhos, minha perspectiva da vida, das pacientes, dos partos que atendi, mudou…nos sensibilizamos e nos identificamos muito mais… Parabéns! Me sinto honrada de ter participado do projeto de vocês.

        • avatar
          Em 23 de maio de 2011 em 22:29 paula respondeu com ... #

          Dra. Karolyn, obrigada pelos esclarecimentos. É incrível como as pessoas ainda têm muitas dúvidas em relação ao assunto.

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 20:56 Karolyn respondeu com ... #

      Olá Julia,
      Obrigada!
      Agradeço a preferência. Estamos sempre tentando melhorar e estamos abertos a sugestões!
      Felicidade!

  3. avatar
    Em 23 de maio de 2011 em 15:48 Karina respondeu com ... #

    Olá, mamães!

    Nós também fizemos a coleta com o Hemocord e ficamos muito satisfeitos com o atendimento.

    Achei ótima a entrevista, principalmente por esclarecer o custo, uma vez que as pessoas imaginam que seja bem mais caro do que realmente é, ainda mais se considerarmos o caso que haver necessidade de utilizar o sangue coletado e armazenado. E a gente gasta com tanta coisa supérflua na gravidez esperando nossos filhos, que vale a pena economizar em algum item e fazer “este seguro”.

    Um beijo,
    Karina – mamãe do João Guilherme

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 16:28 paula respondeu com ... #

      Karina, muito obrigada pela mensagem! Concordo contigo: temos que priorizar o que realmente é importante: saúde. Beijos.

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 21:02 Karolyn respondeu com ... #

      Olá Karina,

      Primeiramente obrigada! Nossa equipe realmente é muito empenhada! E “aí” se não for!…
      Mas realmente, as pessoas acreditam que o custo é bem maior. Acredito que com planejamento é bem possível.

      Abraço!

  4. avatar
    Em 23 de maio de 2011 em 16:51 Juliana respondeu com ... #

    Oi Paula,
    Eu também fiz a coleta com o Hemocord no parto da Maria Eduarda… Fui super bem atendida, e foi tudo muito tranquilo!!!
    Beijos
    Ju

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 17:03 paula respondeu com ... #

      Ju, coisa boa saber que temos leitoras que são clientes da Hemocord e que recomendam a empresa. Muito obrigada pelo teu depoimento. Beijos.

  5. avatar
    Em 23 de maio de 2011 em 18:02 Lisi Jesus Mazzardo respondeu com ... #

    Gurias,
    Adorei a matéria.
    Como o Henrique nasce em julho e ainda temos muitas duvidas sobre a real utilização das células tronco, a matéria ajudou muito a esclarecer a maioria!!
    Como o investimento é relativamente alto, ainda estamos pensando, mas é muito bom ler sobre o assunto e saber a opinião das mamães que já utilizam o serviço.
    Beijos
    Lisi

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 18:25 paula respondeu com ... #

      Lisi, obrigada pelo elogio à matéria. Se tiveres mais alguma dúvida, posso perguntar às médicas da Hemocord. Em relação ao investimento, eu acho que vale a pena. Não porque Hemocord é anunciante, risos, mas porque é uma escolha que não temos como fazer depois. Não dá pra recuperar o tempo perdido. Quando eu estava grávida do Santiago, não sabia direito como isso funcionava e fui deixando para resolver sobre essa questão mais tarde. Aí ele nasceu um mês antes do previsto e não tivemos tempo pra nada… Hoje me arrependo de não ter feito o congelamento do sangue do cordão dele. Acho que saúde é saúde. Todo o resto vem depois. Beijos.

      • avatar
        Em 23 de maio de 2011 em 18:56 Lisi Jesus Mazzardo respondeu com ... #

        Pois então… Concordo que com saúde não se brinca, nem se economiza, mas conversando com algumas amigas médicas e com a minha obstetra, todas ficaram em duvida da certeza do funcionamento do sangue daqui uns anos. O estudo ainda é muito novo e não conhecemos casos da utilização. A HemoCord tem exemplos para nos mostrar?? Acredito que com casos reais da utilização será mais fácil tomar uma decisão.
        Obrigada mais uma vez pelas informações.
        Lisi

        • avatar
          Em 23 de maio de 2011 em 21:36 Karolyn respondeu com ... #

          Olá Lisi,

          Respondendo às tuas dúvidas:
          Como citei anteriormente, temos comprovação da utilização de sangue de cordão umbilical para diversas doenças hematológicas e tumores sólidos de 22 anos para cá. Das dúvidas todas, o que menos preocupa os criobiologistas é a viabilidade ao longo do tempo, pois sabe-se que, biologicamente, não há envelhecimento das células em temperaturas tão baixas como no nitrogênio líquido, mas com certeza, só comprovamos isto ao longo dos anos.

          A segunda dúvida: A utilização do sangue de cordão para transplantes na Europa já ultrapassou o número de transplantes de medula óssea, tratamento tradicional que é realizado desde a década de 50. Assim como no exterior, no Brasil, em Porto Alegre, também já é muito utilizado.
          Em janeiro de 2010, a revista científica internacional de hematologia “Seminars in Hematology” publicou uma edição inteira só sobre o transplante de cordão umbilical, consagrando este tratamento como uma alternativa ao transplante de medula óssea, com suas devidas particularidades.

          • avatar
            Em 23 de maio de 2011 em 21:44 paula respondeu com ... #

            Dra. Karolyn, muito obrigada pelo rápido retorno. As dúvidas da Lisi podem ser as mesmas de muitas grávidas… Assim o esclarecimento fica para todos.

          • avatar
            Em 24 de maio de 2011 em 13:27 Lisi Jesus Mazzardo respondeu com ... #

            Dra Karolyn, muito obrigada por esclarecer nossas duvidas! Em breve entraremos em contato!!
            Lisi

          • avatar
            Em 24 de maio de 2011 em 15:00 paula respondeu com ... #

            Lisi, obrigada pela participação. Beijos no Henrique.

          • avatar
            Em 25 de maio de 2011 em 17:06 Lisi Jesus Mazzardo respondeu com ... #

            Oi, Dra Karolyn,
            Surgiu mais algumas duvidas…
            Em relação a utilização do sangue, como funciona?? Já temos como saber o valor?? Os testes de compatibilidade são feitos pelo laboratório?? Qual a burocracia para liberação do sangue??
            Obrigada mais uma vez,
            Lisi

          • avatar
            Em 25 de maio de 2011 em 20:25 paula respondeu com ... #

            Lisi, já encaminhei tuas dúvidas ao e-mail da Dra. Karolyn. Beijos.

          • avatar
            Em 25 de maio de 2011 em 23:37 paula respondeu com ... #

            Lisi, segue o retorno da Dra. Karolyn:

            “Olá Lisi.

            Para utilizar, deve surgir a hipótese de uso pelo médico assistente do paciente. Deve haver uma autorização por escrito dos responsáveis pelo material para liberação de informações que o médico precisar (caso ele precise de mais detalhes que não constam no relatório que já foi enviado aos responsáveis pelo material). Ele deve solicitar por escrito o material, indicando onde será realizado o transplante e nós encaminhamos ao local. O sangue já está congelado dentro da bolsa que será usado no transplante. Este transporte não tem custo. Ao chegar no centro de transplante, o sangue é descongelado, mas mantido dentro da bolsa. Poderá haver algum custo com testes de compatibilidade, caso o sangue seja solicitado para uso alogênico (para alguém que não o próprio), mas os valores não são muito altos. Nós terceirizamos estes exames ou enviamos ao laboratório solicitado pelo médico assistente.

            Caso o material seja solicitado para uso alogênico, é preciso uma autorização judicial (mandado judicial) para liberação do material, que no geral resolve-se dentro de alguns dias. Isto é necessário porque os bancos de cordão privados, tem por finalidade armazenar para uso pelo próprio doador. Até hoje, até onde sabemos, nunca houve um pedido negado em relação a isto. É sabido e reconhecido pela ANVISA que esta possibilidade é mais freqüente do que a utilização pelo próprio doador, assim, esperamos que um dia este etapa seja eliminada.

            Custos com o centro de transplante não sei informar, pois o nosso trabalho finaliza quando entregamos o material no local.

            Espero ter ajudado, fico à disposição. “

  6. avatar
    Em 23 de maio de 2011 em 20:10 Camila Cunha respondeu com ... #

    OI Gurias.

    Parabéns pela matéria, muito interessante mesmo. Amanhã estou entrando no oitavo mês de gestação e confesso que tinha muitas dúvidas sobre o assunto. Vou falar com o meu marido para procurarmos a Hemocord e nos informar mais sobre essa questão. beijos

    • avatar
      Em 23 de maio de 2011 em 21:05 paula respondeu com ... #

      Camila, tomara que a matéria tenha sido útil. Qualquer dúvida, pergunta que a gente repassa à entrevistada. Beijos na Isabela.

  7. avatar
    Em 24 de maio de 2011 em 0:25 Karina respondeu com ... #

    Olá, mamães!

    Vou aproveitar que a dra. Karolyn está respondendo tão prontamente e vou esclarecer uma dúvida que tenho:

    Como é a identificação do sangue coletado no nitrogênio líquido? Pergunto isso porque não recordo de termos um número de contrato ou algo assim e fui questionada há alguns dias por uma pessoa da família. Se algum dia precisar utilizar o material coletado (Deus permita que nunca precise!), como o identificarão?

    Aguardo esclarecimento e agradeço a atenção,
    Karina Ambrozio

    • avatar
      Em 24 de maio de 2011 em 0:29 paula respondeu com ... #

      Karina, já encaminhei a dúvida ao e-mail da Dra. Karolyn. Vamos aguardar o retorno dela, ok? Beijos e obrigada pela participação.

    • avatar
      Em 24 de maio de 2011 em 8:14 Karolyn respondeu com ... #

      Olá Karina,

      Cada cliente tem um número de prontuário. Assim que a coleta é programada, abrimos um prontuário com um número. Todo o material, então, é preparado para a coleta e todo o material que será utilizado no laboratório, inclusive a documentação, é identificado com etiqueta comum e etiqueta com código de barras. A bolsa de sangue, as amostras menores e o soro da mãe, estão armazenados nos tanques de nitrogênio dentro de invólucros próprios que contém esta identificação.
      Cada posição dentro do tanque é identificada. Temos como se fossem “racks para CDs, com suas prateleiras”. Após o congelamento, todas as amostras vão para o “rack xx, na prateleira xxx”. Esta informação fica registrada em seu prontuário.

      Obrigada pelo questionamento!

      • avatar
        Em 24 de maio de 2011 em 13:04 paula respondeu com ... #

        Mais uma vez, obrigada pelo esclarecimento Dra. Karolyn.

  8. avatar
    Em 26 de maio de 2011 em 1:23 respondeu com ... #

    O assunto é apaixonante pela novidade e grande importância. Parabéns ao Mães à Obra pela matéria e a Dra. Karolyn pela presteza nos esclarecimentos.

    • avatar
      Em 26 de maio de 2011 em 11:31 paula respondeu com ... #

      Obrigada! Beijos.

  9. avatar
    Em 5 de janeiro de 2012 em 9:49 vanize respondeu com ... #

    Eu fiz a coleta do sangue do cordão umbilical do meu Enzo com a Hemocord… Está lá guardadinho, espero nunca usar!

    • avatar
      Em 5 de janeiro de 2012 em 15:19 paula respondeu com ... #

      Vanize, se eu tiver o segundo filho também vou fazer. Beijo pra ti e pro Enzo.

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