Festa junina: de caipira ou de gaúcho?
Por Raquel Guindani

Estamos em junho, pleno inverno, época das tradicionais festas juninas, ou de São João. Alguns ainda chamam de arraial. Acho uma delícia essas festas, sempre lembro da minha infância – recortar bandeirinhas coloridas, curtir a fogueira gigante, comer muito amendoim, pipoca e pinhão, se divertir nas pescarias e banquinhas de jogos.
É, as crianças são, sem dúvida, as que mais curtem essas festividades. Agora, com o Frederico em idade escolar, voltei a viver esse clima gostoso de se preparar, vestir a fantasia e curtir a festa. Opa, fantasia?! Como assim? Que roupa deve ser usada, de gaúcho ou de caipira?
Quando eu era pequena, morava no interior, e sempre fui vestida de caipira nas festas de São João. Até algumas crianças iam de gaúcho e prenda, mas a maioria usava trancinhas, chapéu de palha e roupas remendadas e coloridas, típicas dos caipiras. Sem esquecer as sardas e os dentes pintados de preto, claro.
Daí que, duas semanas atrás, eu e meu marido levamos o Frederico na festa junina “grande” da escola onde ele estuda, aberta a todos os alunos e familiares. Corri para uma loja de fantasias, comprei chapéu de palha e camisa xadrez, e ainda apliquei retalhos coloridos na calça jeans do meu filho. Chegando lá, percebi que a maioria das crianças estava vestida com indumentárias gaúchas, poucas de caipira. Os alunos maiores, esses, sim, usaram e abusaram do chapéu de palha.
Na semana seguinte, recebi a circular do maternal da escola convidando para a festa junina interna da escolinha, apenas para os pequenos, num dia comum de aula. O que me surpreendeu foi que veio junto um pedido para que todas as crianças fossem vestidas de gaúcho e prenda, com toda uma justificativa cultural que dizia que o caipira não é um personagem típico do Rio Grande do Sul, e sim das regiões Sudeste e Centro-oeste do Brasil, e que as festas juninas são em homenagem aos santos do mês de junho, portanto, deveríamos usar roupas características do nosso povo.
Ok, embora tenha achado curiosa essa discussão, é claro que mandei meu filhote vestido de gaúcho, pois não quero que só ele se sinta diferente dos outros. Mas confesso que para mim é fácil conseguir a tal roupa de gaúcho, visto que tenho laços no interior, toda a minha família mora lá, e quem é da região da fronteira do RS sabe que lojas de indumentárias gaúchas existem aos montes nessas cidades. O Frederico até já tinha bombacha que a minha irmã tinha dado pra ele, chapéu, lenço e faixa que foram presente da minha avó, e somente a bota do ano passado estava pequena, mas liguei para minha mãe e ela providenciou outra rapidinho.
No entanto, sei que para muitas mães não é fácil achar esse tipo de roupa aqui em Porto Alegre. Conheço uma loja no Centro, na Av. Alberto Bins, n° 535, chamada Tchê Casa do Gaúcho, que com certeza vende pilchas. Liguei para o MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho, e eles indicaram a loja Alchieri, na Voluntários da Pátria, n° 825. Lá eles vendem roupas gaudérias infantis, e também fazem sob encomenda se o cliente desejar. Além disso, tem uma loja na Anita Garibaldi chamada Gaudérios Pilchas, fone 3341 4102, que também vende roupas para gauchinhos e gauchinhas.
Gostaria de deixar a dica para as mamães que quiserem se preparar para a Semana Farroupilha, ou mesmo aqduirir pilchas para seus filhos usarem no ano que vem: comprem na Expointer, que ocorre aqui em Esteio sempre na primeira semana de setembro. Lá é possível encontrar várias lojas de artigos gaúchos do interior que vêm à feira para expor seus produtos, e os preços em geral são bem em conta.
E os seus filhos, como foram ou irão vestidos às festinhas juninas? Mandem fotos dos seus caipirinhas e gauchinhos para publicarmos na semana que vem! Enviem para o email raquel@maesaobra.com.br, em jpeg, ok?

Frederico de caipira na festa junina da escola

Frederico na volta da festinha junina do maternal, já sem o lenço e com o chapéu na mão






Eu levei de caipirinha os meus filhos e eles adoraram a função, afinal é apenas uma vez no ano!
Pra onde mando as fotos?
Oi, Gabriela! Sorry, esqueci de botar o email no post, já vou arrumar… Pode mandar para o raquel@maesaobra.com.br. Estou louca para ver os teus caipirinhas! Beijo.
Lendo esse post mudei minha opinião sobre o tema (eu também achava que deveria usar pilchas na festa junina).
Ora, justamente porque a pilcha faz parte da nossa cultura, integrando a indumentária do gaúcho nos afazeres e lidas do dia-a-dia ela não pode ser tratada como uma fantasia para um festejo específico do ano.
Seria o mesmo que colocarmos pilchas para uma festa de carnaval ou para celebrar “halloween” (dia das bruxas)!
Assim como nos fantasiamos a caráter para o carnaval (roupas leves e coloridas), para celebrar são joão devemos personificar o “folião” típico desse evento, ou seja, o sertanejo ou caipira do interior de São Paulo e Minas Gerais.
Portanto, reservem as pilchas para a semana farroupilha, porque é nela em que estão contextualizadas a pilcha, a música e a tradição gaúchas.
Para as festas juninas, o figurino é caipira mesmo!
Parabéns pelo post!
André, adorei o teu comentário! Sabes que eu fico bem dividida com relação a esse assunto? No meu íntimo, e por causa do meu passado, eu também acho que o certo seria usar roupa de caipira. Mas se as escolas estimulam as crianças a usarem pilchas, fico pensando que deve ter algum fundamento também… Ai, que dúvida e que assunto polêmico! Obrigada pelo elogio. Abraço.
Por que existe a cultura do “caipira” em nossas festas juninas? O dicionário Aurélio define o termo “caipira” como “habitante do campo ou da roça: jeca, matuto, roceiro, caboclo, capiau ou tabaréu”. Ou seja, a expressão refere-se genericamente às pessoas ligadas ao campo, de poucas letras e pouca vivência urbana. O termo “caipira”, como é definido vocabularmente, refere-se a um tipo encontrado em qualquer região brasileira, respeitando suas características culturais, históricas e geográficas.
Várias teorias tentam explicar a introdução da paródia caipira em nossas festas juninas (digo “paródia”, pois os trajes usados nas festas juninas imitam toscamente as roupas dos interioranos dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás). Uma das explicações traz uma força histórica muito grande: a Revolução de 1930 e, sobretudo, o golpe do Estado Novo, em fins de 1937, foram responsáveis pela propagação autoritária do sentimento de brasilidade. Buscava-se concretizar cultural e ideologicamente a formação em curso de mercado e de indústria centrados no eixo Rio-São Paulo. Para tal, foram marginalizados os sentimentos regionalistas.
Durante a Proclamação ao Povo Brasileiro, de 10 de novembro de 1937, o presidente Getúlio Vargas denunciou o “caudilhismo regional” que “ameaçava a unidade nacional brasileira”. Em gesto simbólico, mandou queimar publicamente as bandeiras estaduais, entre elas, a criada por seus antigos mestres, Castilhos e Borges, em 1891.
O Estado Novo promoveu a chamada “invenção da cultura nacional”, como fundamento da identidade nacional imposta. Apoiou amplamente a Seleção Brasileira, o Carnaval, o samba, as festas juninas cariocas; financiou o surgimento de arquitetura moderna brasileira; estimulou a produção musical dos temas centrados na Região Sudeste. Esta foi uma medida política que buscava reprimir a cultura regional e barrar novas manifestações antigovernistas. O resultado desta centralização e imposição cultural foi o início da massificação da cultura da Região Sudeste, que até hoje é vendida ao mundo como sendo a verdadeira e única cultura brasileira.
Pode-se afirmar que até 1930 a expressão “festa caipira” sequer existia e também que as festas juninas já aconteciam na região sul do Brasil, invocando suas particularidades culturais próprias, desde que essa região começou a ser povoada, em 1737. Se em 200 anos de história festejaram-se as datas juninas e seus respectivos santos através da particularidade de cada região, incentivar a realização de festas caipiras, fantasiando nossas crianças de forma que ridiculariza o homem do interior, transformando-as em imitações de pequenos Jecas Tatus, é aplaudir um erro de Vargas, que tentou esmagar despoticamente todo legado cultural regional. É lamentável, mas decisões arbitrárias há 75 anos promovem a centralização da cultura nacional, ditando através da mídia o que devemos vestir, comer ou ouvir.
Mas como tentar reverter esta situação se continuarmos aprendendo que em festa junina nos fantasiamos de caipiras, na Semana Farroupilha de gaúchos e no Carnaval do que quisermos?
Devemos conscientizar as crianças de que a pilcha não é uma fantasia, mas um traje histórico, que representa toda a identidade cultural gaúcha. Respeitar a cultura regional é respeitar a própria origem, as raízes que sustentam toda organização social vigente. Com o coração triste acompanharei mais um ano em que a televisão nos enfiará goela abaixo músicas e roupas “caipiras” em detrimento da cultura regional. Assim fica muito mais fácil vender novelas, músicas e informações. Desta forma, cada vez mais “Egüinhas Pocotó” e “Tô Ficando Atoladinha” farão parte da cultura musical de nossos filhos.
Maria, achei muito interessante tu teres trazido esse tema para diálogo novamente. Esse post é do ano passado, mas já estamos novamente vivendo uma época de festas juninas, e conhecimento sobre o tema nunca é demais. Obrigada! Abraço.
Oi!! Eu Fiquei bem chateada com a escola dos meus filhos, pois eles sugerirão que as crianças fossem vestidas com pilchas. Acho que as festas juninas tem que ser caipira. O problema é que eu tenho medo dos meus filhos serem os únicos vestidos de caipiras pois a escola sugeriu pilcha. Mesmo assim como eu ja comprei roupas caipiras eles vão assim.
Camile, tu és de Porto Alegre? No ano passado, na festa junina da escola do Frederico, tinha mais crianças de pilcha gaúcha do que de roupa caipira, mas mesmo assim tinha vários caipirinhas, acho que eles não serão os únicos, não, mas por via das dúvidas, conversa com a professora antes! É polêmico esse tema, né? Eu achava que tinha que ser de caipira, mas depois de tantas manifestações e pedidos das escolas para ser de gaúcho, já nem sei mais… Beijo.
Olá Raquel.
Eu sempre visto o Alan com a sua pilcha, e ele por sinal adora, se acha o máximo com as botas! Nós sempre gostamos muito de CTG, e queremos que ele cresça neste meio, sempre vamos a Rodeios e participamos de Festas no CTG.
Porém nas festas juninas o traje tem que ser o caipira, senão perde toda a graça.
Eliane, acho que todo mundo que é mais ligado nas tradições gaúchas concorda com a tua opinião. Manda uma fotinho do Alan vestido de gaúcho! Beijo.
Eu como sou de SC estranhei um pouco a ideia de usar pilcha em festa junina mas oq posso garantir ‘e q o Frederico ficou mto fofo com ambas as vestimentas Raquel!! Beijos
Bethiele, com certeza essa é uma tradição daqui do RS, em todos outros lugares do Brasil as pessoas se vestem de caipira mesmo. Obrigada pelos elogios! O Frederico adora a função das botas da roupa de gaúcho, hehe. Beijos.
No Norte e Nordeste do Brasil, o traje não é caipira não… No Maranhão, na Amazônia , por ex. eles comemoram com o Bumba meu BOi… Cada região comemora com seu traje típico….
Verdade, Maria!
VERDADE SIM!!!! LEIA O TEXTO QUE SEGUE E ENTENDERÁS UM POUCO MAIS… BJS
Por que existe a cultura do “caipira” em nossas festas juninas? O dicionário Aurélio define o termo “caipira” como “habitante do campo ou da roça: jeca, matuto, roceiro, caboclo, capiau ou tabaréu”. Ou seja, a expressão refere-se genericamente às pessoas ligadas ao campo, de poucas letras e pouca vivência urbana. O termo “caipira”, como é definido vocabularmente, refere-se a um tipo encontrado em qualquer região brasileira, respeitando suas características culturais, históricas e geográficas.
Várias teorias tentam explicar a introdução da paródia caipira em nossas festas juninas (digo “paródia”, pois os trajes usados nas festas juninas imitam toscamente as roupas dos interioranos dos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás). Uma das explicações traz uma força histórica muito grande: a Revolução de 1930 e, sobretudo, o golpe do Estado Novo, em fins de 1937, foram responsáveis pela propagação autoritária do sentimento de brasilidade. Buscava-se concretizar cultural e ideologicamente a formação em curso de mercado e de indústria centrados no eixo Rio-São Paulo. Para tal, foram marginalizados os sentimentos regionalistas.
Durante a Proclamação ao Povo Brasileiro, de 10 de novembro de 1937, o presidente Getúlio Vargas denunciou o “caudilhismo regional” que “ameaçava a unidade nacional brasileira”. Em gesto simbólico, mandou queimar publicamente as bandeiras estaduais, entre elas, a criada por seus antigos mestres, Castilhos e Borges, em 1891.
O Estado Novo promoveu a chamada “invenção da cultura nacional”, como fundamento da identidade nacional imposta. Apoiou amplamente a Seleção Brasileira, o Carnaval, o samba, as festas juninas cariocas; financiou o surgimento de arquitetura moderna brasileira; estimulou a produção musical dos temas centrados na Região Sudeste. Esta foi uma medida política que buscava reprimir a cultura regional e barrar novas manifestações antigovernistas. O resultado desta centralização e imposição cultural foi o início da massificação da cultura da Região Sudeste, que até hoje é vendida ao mundo como sendo a verdadeira e única cultura brasileira.
Pode-se afirmar que até 1930 a expressão “festa caipira” sequer existia e também que as festas juninas já aconteciam na região sul do Brasil, invocando suas particularidades culturais próprias, desde que essa região começou a ser povoada, em 1737. Se em 200 anos de história festejaram-se as datas juninas e seus respectivos santos através da particularidade de cada região, incentivar a realização de festas caipiras, fantasiando nossas crianças de forma que ridiculariza o homem do interior, transformando-as em imitações de pequenos Jecas Tatus, é aplaudir um erro de Vargas, que tentou esmagar despoticamente todo legado cultural regional. É lamentável, mas decisões arbitrárias há 75 anos promovem a centralização da cultura nacional, ditando através da mídia o que devemos vestir, comer ou ouvir.
Mas como tentar reverter esta situação se continuarmos aprendendo que em festa junina nos fantasiamos de caipiras, na Semana Farroupilha de gaúchos e no Carnaval do que quisermos?
Devemos conscientizar as crianças de que a pilcha não é uma fantasia, mas um traje histórico, que representa toda a identidade cultural gaúcha. Respeitar a cultura regional é respeitar a própria origem, as raízes que sustentam toda organização social vigente. Com o coração triste acompanharei mais um ano em que a televisão nos enfiará goela abaixo músicas e roupas “caipiras” em detrimento da cultura regional. Assim fica muito mais fácil vender novelas, músicas e informações. Desta forma, cada vez mais “Egüinhas Pocotó” e “Tô Ficando Atoladinha” farão parte da cultura musical de nossos filhos.
Oi! Eu vesti o Pedro de caipira.
Manda uma fotinho dele para a gente ver, Andréia! Beijo.
Por coincidência uma amiga e eu estivemos falando justamente sobre esse assunto na semana passada, enquanto ela comprava uma fantasia de caipira para a neta. Eu sempre achei que o melhor traje para as festas juninas era o gaúcho, mas agora, lendo esse post e as pertinentes observações do André, também mudei de ideia.
Parabéns pela matéria.
Bj, Jô
Jô, que bom que tu curtiu! Já estava sentindo falta dos teus comentários aqui no site… Eu também refleti muito sobre esse assunto a partir desse episódio da escola do Frederico e do comentário do André. Acho bom e válido fazermos essa discussão. Beijão.
Raquel, não sei pq o meu comentário “pulou” lá para cima, antes do André. De qq forma, podes não ter visto e, por isso, repito os cumprimentos pelo post.
Bj
Acho que tanto faz!
Como é bom ser cuca fresca, hein, Gustavo?! hehe…
Muito legal.
Estou procurando na internet roupa caipira para eu vestir, em virtude de uma festa “julina” que tenho essa semana. E derrepente vejo o assunto abordado. Semana passada minhas sobrinhas, tinham festa junina na escola, e achei um absurdo a exigencia, que elas fossem de prendas. Li todos os posts aqui e sou uma pessoa que não concordo que em comemoração junina, só porque somos gaúchos temos que usar o traje galdério. Acho uma falta de respeito com o festejo caipira, um insulto a cultura caipira, independente que ela não seja de origem do estado RS. Se eu for na semana farroupilha no parque harmonia, vestida de caipira não serei bem recebida, to certa?. Como então escolas querem ensirar ” HISTÓRICAMENTE FALANDO!” para as crianças, a cultura de cada estado do nosso país, fazendo com que as crianças vistam-se de prenda e gaúcho e dançando chula?. Por favor, isso não aceito e sou contra sim. Gaúcho adora bater no peito e dizer que sua cultura é a melhor, então cultive sua cultura nas suas respectivas datas, respeitando os outros festejos. Valorizão de cultura é um grande problema que infelizmente nós gaúchos não temos, só enxergam o que é daqui!!
Assunto complicado esse, né, Mariana? Eu também acho que o certo é ir vestido de caipira nas festas juninas, mas a escola do Frederico indica o uso de pilcha gaúcha… Mesmo sendo contra os meus princípios, não vou fazer o meu filho ser o único diferente do grupo. No futuro, pretendo explicar essas diferenças culturais a ele. Beijo e obrigada pela participação.
Pois é!!! Vocês já estudaram sobre festa junina e suas origens????
Sabiam que são festas pagãs, que para perderem suas características a Igreja adotou santos nas mesmas datas???
Cada lugar comemora com seu traje típico… No Maranhão , é com Bumba meu Boi… Lá, ninguém se veste de caipira não… E acho mesmo que cada cultura deva ser mantida e respeitada… Além disso, caipira ( Pessoa do interior em São paulo e Minas gerais) não vai a festa remendado… Por mais pobre que uma pessoa seja, ela usa seus melhores trajes para festejar os Santos…
Ótimas informações, Maria!
Excelente texto é isso aí ,e o pior nossas crianças além de não conhecerem nosso folclore do Sul ainda por cima aprendem a debochar e ridicularizar a cultura dos nossos co-irmãos do norte ,existe uma grande preocupação em preservar o patrimônio histórico arquitetônico e o imaterial ??? Temos que mudar essa mentalidade ,espero que aja uma união em torno da preservação cultural do nosso Estado .