Papo de mãe

Por Milena Fischer
Olá, leitoras e leitores.
Escrevo na tarde de um sábado de feriadão. Acabo de buscar a minha filha na loja Território Infantil (www.territorioinfantil.com.br), onde ela curtiu demais uma oficina de teatro. Outros locais em Porto Alegre, como a querida Lezanfan (www.lezanfan.com.br) oferecem uma vasta agenda de oficinas variadas para as crianças, durante todo o ano e nas férias. Além das escolas e centros de cultura dirigidos para esse enfoque. Fica a dica para quem nunca experimentou ou terá que driblar as férias escolares que se aproximam com o trabalho que não tira férias: levem as crianças a oficinas de teatro, esportes, culinária, contação de histórias, artes. A alegria que elas sentem de criar é poética. Vale dar uma vasculhada nas agendas de locais como Casa de Cultura Mario Quintana, Lezanfan, Território Infantil, Casa Verde do DC Navegantes, Casa Elétrica (www.casaeletrica.art.br) e muitos outros espaços que oferecem atividades encantadoras, artísticas e educativas para os pequenos.
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Um tema que quero abordar aqui e que certamente será recorrente é a frustração. E cito a genial ex-colega de Zero Hora Eliane Brum, no seu texto “Meu filho, você não merece nada”, publicado na revista Época: “Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam ‘felizes’. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade. É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?”. Coincidentemente, há algumas semanas entrevistei a filósofa e escritora Márcia Tiburi sobre felicidade. “Felicidade é uma experiência de reflexão sobre a própria vida”, diz ela, combatendo a relação que muitos pretendem estabelecer entre felicidade e consumo, felicidade e ausência de frustrações.
Volto aos nossos filhos e à nossa experiência como pais. Com um exemplo simples e bastante comum. A separação. Até hoje minha filha indaga, em momentos de dor íntima dela, os quais preservo e respeito, por que o pai dela e eu nos separamos. Tudo seria mais fácil se ela não tivesse que se dividir entre duas casas e sentir saudade de um ou do outro, é o discurso que resulta do sofrimento dela. “Mais fácil”, para ela, significa menos dolorido. Menos frustrante. Porque ela se frustra de não estar com pai e mãe juntos. Sente a ausência, as intempéries e as impossibilidades. E reafirmo sobre o ciclo do amor, sobre os limites, as perdas, o esforço que às vezes não resulta em conquista (ou não na conquista que ela imaginava). Este ano ela passou por outra experiência de muita frustração, que foi a perda da bisavó dela. As duas eram muito ligadas. Acompanhei aquela dor e os questionamentos sobre saudade e “fim”.
Podemos e devemos proteger nossos filhos, mas ainda acredito que a melhor forma de fazer isso, citando Tiburi, seja promovendo a experiência de reflexão sobre a própria vida. Ou, como diz Eliane Brum, não excluindo a falta, a busca, o esforço e a frustração do rol de experiências que hoje tanto se concentram nos desejos facilmente satisfeitos pelo cartão de crédito. Satisfazer desejos e incitar ao merecimento não promovem “a” felicidade, se praticados sem o lado B do disco da vida. Podem, sim, despreparar e desproteger nossos filhos dos reais desafios e reflexões que a vida apresenta. Desde muito cedo.
O texto completo de Eliane Brum você pode ler aqui: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI247981-15230,00-MEU+FILHO+VOCE+NAO+MERECE+NADA.html
Um beijo,
Milena






Parabéns pelo texto!
Obrigada!