Psicóloga Neiva Tein de Souza comenta as habilidades sociais das crianças

Foto Priscilla Borges
Por Paula Tweedie
Como se dá a socilização da criança?
O desenvolvimento social da criança inicia no nascimento. Ainda em seu berço ou no colo da mãe recebe o olhar dos outros, o carinho, a conversa, mesmo que ainda não possa falar. Chora para comunicar que está desconfortável ou produz algum ruído para chamar a atenção sobre si. A medida em que vai crescendo, suas interações sociais se ampliam e vai elaborando progressivamente um repertório de habilidades sociais mais variado.
É tarefa da família o processo de socialização, incentivando e permitindo aos filhos a oportunidade de conviver num contexto social mais amplo, auxiliando-os na aquisição de comportamentos socialmente adequados que os levem a atingir seus objetivos com autonomia, responsabilidade e auto confiança.
Como ajudar a criança a se familiarizar com outras pessoas?
As atitudes dos pais são decisivas para este aprendizado.
Promover o convívio social é de extrema importância desde cedo. Convidar amigos e parentes para ir em casa, levar a criança para visitar outras pessoas, frequentar locais públicos como restaurantes, parques ajuda essa familiarização.
Inicialmente, ao estar no colo de outras pessoas pode demonstrar ansiedade, e nesses momentos deve contar com a presença e apoio dos pais para que se sinta segura e possa fazer tentativas de se afastar um pouco, sabendo que pode voltar.
Se esta convivência for facilitada e a criança se sentir confiante e acreditar que as outras pessoas não representam ameaça, ela poderá se relacionar de forma tranquila, estabelecendo nova relações.
A tendência natural, vencida a fase em que ela é mais possessiva e autocentrada, é de que vá se habituando com a convivência e aprendendo a gostar de interagir tanto com adultos como com outras crianças na presença ou não dos pais.
Deve-se ficar atento se surgirem manifestações intensas de agressividade, que podem estar relacionadas a medo ou insegurança e uma ajuda profissional pode ser bem vinda nesse momento.
Se os pais são seguros, confiam nas outras pessoas e conseguem manter relacionamentos próximos, vão proporcionar aos filhos essa convivência e aprendizagem.
Pais que têm dificuldade de se separar dos filhos vão incentivar pouco a convivência com outras pessoas e isso acaba por limitar a atuação da criança. Da mesma forma, quando um ou ambos os pais tem uma ansiedade elevada e preocupam-se demasiadamente com a segurança ou a saúde se seu filho podem passar a idéia de que as situações que fogem ao convívio familiar são perigosas, levando a um prejuízo social para a criança.
Como o estilo dos pais pode influenciar no desenvolvimentos das habilidades sociais das crianças?
O termo habilidades sociais refere-se ao conjunto de comportamentos que o indivíduo apresenta para atender às diversas demandas das situações interpessoais, seja na família, na escola, no trabalho ou nas situações de lazer e diversão.
As condições dos pais para a educação dos filhos são referidas em termos de estilos parentais, que podem ser definidos, em todas as sociedades, como padrões relativamente estáveis de comportamentos ou procedimentos que utilizam na sua relação com os filhos.
Esse desempenho abarca as práticas educativas e de convivência que vão influenciar e definir o repertório comportamental dos filhos.
Devemos lembrar que a criança aprende o tempo todo, mesmo quando os adultos não se dão conta que estão ensinando.
Um ambiente estimulante e encorajador fará de sua casa um porto seguro, um lugar onde sempre poderá ser ela mesma. Esse forte vínculo familiar propiciará a possibilidade de vínculos seguros com outros indivíduos (de confiança, estabilidade, cuidado, aceitação) fazendo com que aprenda a confiar nos outros, promovendo autonomia, competencia e sentido de identidade.
A criança cresce através do apoio e incentivo. Se demonstra medo é importante ficar ao lado dela, incentivando-a a vencer os desafios pois isso ajudará a preservar a auto estima e a sensação de capacidade.
O tom de voz e o olhar podem ser suficientes para transmitir uma aprovação ou uma crítica.
Clima familiar crítico e reprovador não é favorável ao desenvolvimento da autoconfiança e da noção básica de segurança infantil e se estiver sempre presente, tornará a criança tímida e indecisa porque acredita que qualquer coisa que fizer será criticada.
Ela precisa explorar o ambiente e se não contar com o apoio necessário, ficará apreensiva e com uma ansiedade geral que poderá prejudicar sua maneira de se relacionar com as outras pessoas e de enfrentar situações novas.
É claro que os pais sempre vão querer que tenham cuidado com estranhos, mas não é necessário supor que todas as pessoas serão hostis ou lhe farão algum mal.
Pais que apresentam dificuldades interpessoais certamente podem comprometer a qualidade do relacionamento com os filhos, além de lhes oferecer modelos inadequados de desempenho social. Por isso, programas planejados de desenvolvimento de habilidades sociais podem ter um impacto significativo e serem muito úteis no desenvolvimento de mecanismos de proteção diante de fatores ameaçadores a que usualmente as crianças estão expostas.
Enfim, para que nossos filhos enfrentem o mundo com segurança, é fundamental seu envolvimento afetivo com pais afetuosos e verbalmente sensíveis, que evitam o uso de punições e restrições. Que colocam limites demonstrando confiança na sua capacidade e aceitando-a como ela é. Isso fará com que confie na possibilidade de ser aceita pelos outros, facilitando suas tentativas necessárias de independencia e autonomia.
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Muito interessante!
Que bom, Marina! Beijos pra família que está crescendo…