A comunhão natural de Clara e Luciane
Por Milena Fischer
Começo este texto na primeira pessoa porque sou suspeita de falar dessa família que tanto admiro. Gente de verdade, pé no chão, bem humorada, intrigante, gentil. Uma família tão movida por algumas forças da natureza, como o mar, a terra, o alimento que dela vem e o amor, que emociona. Eles são espontâneos e autênticos – e a filhota só podia ser assim, uma graça de menina-moleca. Espia só.
A psicóloga e administradora Luciane Pacheco Scherer, 38 anos, mãe de Clara, que completou 2 anos em setembro passado, fala da maternidade com a maturidade de quem faz escolhas com o coração e muita razão. Sem discursos cor-de-rosa, empacotados e rotulados.
– A vida muda completamente quando temos um filho, e eu sabia disso. Nós sabíamos. Tive dúvidas sobre o momento de ser mãe, e a Clara veio em um momento de transição, de redescobertas minhas, de voltar a estudar. Cresci muito com a chegada dela, e, até a Clara completar um ano e meio, dediquei-me exclusivamente a ela, foi uma comunhão total – diz Lu, que, em maio deste ano, completará 20 anos de união com Carlos Kristensen, chef do Hashi Art Cuisine.
Nada nesse casal, que hoje é uma família, tem forma, sabor ou aroma pré-concebidos. Há duas décadas eles andam juntos pela vida. E pelo mundo. Moraram na Austrália, foram ao Oriente, são filhos do mar, seu refúgio de descanso é natural, fica em Ibiraquera, perto de onde nasceu o Hashi, que só fincou raízes em Porto Alegre em 2005. Lu e o marido são pé-na-areia. Informais, curiosos, batalhadores. Unidos. Dessa mistura, acrescentando-se o tempero que independe da genética, surgiu Clarinha. Como ela é? Pé-na-areia, independente, curiosa, bastante agarrada ao pai – e à cozinha do Hashi. Coisa mais linda é vê-la nos braços do chef enfiando o nariz em ervas e temperos e provando comidas que escapam ao paladar de muitas crianças.
– O alimento está muito presente em nossas vidas, em casa, no restaurante, saímos bastante para comer fora, também, e ela prova tudo, queijo brie, pato, salame, arroz integral, frutas. A Clara come bem e de forma muito saudável, nossa geladeira sempre tem uma grande variedade de alimentos, e ela criou essa intimidade com a comida – conta Lu.
A partir de março, Clara vai para a escolinha. Por enquanto, a rotina é caseira e com os amiguinhos do condomínio, com quem brinca diariamente. Além dos programas culturais, como oficinas, peças de teatro, cinema.
– Eu me pergunto sempre se ela está sendo bem estimulada, se as coisas são suficientes, a atenção, o amor, a dedicação. Acredito que seja a culpa inerente da maternidade, como nos cobramos de tudo o que fazemos e deixamos de fazer – avalia Lu. – No primeiro ano de vida dela eu senti a vida “sumir”, uma sensação confusa, de entrega total entre eu e ela e, ao mesmo tempo, a ausência das outras coisas do dia a dia. Mas essa comunhão não se repetiria em nenhum outro momento, e hoje vejo como foi tão incrível.
No refúgio da família, em Santa Catarina, os três celebram a vida. Os cachorros Bento e Bono enchem Clarinha de alegria, o mar invade a casa pelas janelas, o jardim serve de tela para brincarem de pintar ao ar livre.
– É nosso paraíso particular. Passamos o tempo todo ao ar livre, juntos, na areia, dentro da água, com os cachorros, cozinhando, brincando, curtindo a família e a natureza, sem pressa, sem hora – conta Luciane, com um brilho de estrelas no olhar.
“Clara adora comer, descobrir novos sabores e, é claro, brincar de cozinha”
“Ela é muito agarrada ao pai e adora ir ao restaurante, onde vai direto para a cozinha”
“Sempre me preocupo se estamos estimulando bem nossa filha, com leituras, opções culturais e outras atividades”
“Clara é nossa parceira desde sempre. Já viajamos para o Caribe com ela, sempre levamos em viagens. É uma forma diferente de viajar, mas é uma curtição incrível”
“Clara é independente, curiosa e moleca. Fico olhando para ela e imaginando como ela será, o que vai descobrir, quem é esse ser humano que estamos formando e vendo crescer”
Se a Clara fosse…
Um filme: As Aventuras de Madeline
Um livro: Cinderela, tem que ler todo os dias
Uma música: Borboletinha, ainda mais porque está na cozinha, hehehe
Uma flor: Girassol
Um prato: Qualquer um do papai, de preferência com feijão. “Cadê o feijão, mamãe?”
Uma cor: Amarelo, a primeira que ela aprendeu a identificar
Um animal: Cachorro. A Clara é super companheira, nossa miniparceira.
Um sentimento: Amor, imenso amor, avassalador
Uma loja charmosa da cidade: Lezanfan
Um perfume: Petits et Mamans. Ela ganhou quando nasceu e usa até hoje. Faz parte do ritual dela antes de sair de casa, um sarro. Depois de botar pede para cheirar o pescoço
Um sabor: Uva
Uma palavra: Doçura
Uma parte do corpo: Boca. Ela adora comer, falar, beijar…
O que a mamãe sonha para o futuro: que ela se torne a pessoa que desejar ser
















Nooossa mto linda a entrevista..
Parabéns p/ as três.
Obrigada, Cleidi!
Ai que delícia de texto e de família! Demais! Acho que vem aí mais uma mestra nas panelas hein?
A Clara é uma Princesinha!!! Linda!!!!
Também achei, Alessandra! Beijo.
Que lindo texto Milena. Tu escreves lindamente. Muito obrigada pelo carinho. As fotos também estão lindas Priscilla. Nós adoramos!! Beijo
Milena e Priscilla, texto e fotos de comer com os olhos. Parabéns pra vocês duas!!!
Tenho o maior carinho por essa família, embora não conheça pessoalmente a Clara… ler esse texto presenteado por fotos que ilustram as palavras de afeto da Lu pela sua filhota é emocionante, tocante e gostoso… como tudo que essa família produz! Um beijo a todos vocês e parabénsa pela bela entrevista! Marina
Marina querida, só agora vi teu comentário, doce como tu és. Beijo carinhoso