A alegria de João e Caio contagia Patrícia
Por Betine de Paris
Fotos: Priscilla Borges
Quando Patrícia Gonçalves e Fernando Obst se conheceram, ela estava vestida de gatinha, e ele, de alemão da Oktoberfest. A gatinha, que era bixo da Medicina, ficou assustada com a fama do alemão, um residente de ginecologia da Santa Casa que adorava curtir a vida. Mas, seis anos depois, no ano em que Patrícia estava se formando, eles resolveram namorar. Fernando agora já estava fazendo sua segunda especialização, em radioterapia.
– Tudo começou no carnaval de 2001, agora completando 11 anos, namoramos, juntamos os trapinhos e o Fernando começou a querer muito ter um filho. Daí eu disse “para ter filho, só casando…” – conta Patrícia, bem humorada.
Organizaram tudo e se casaram quatro meses depois, em fevereiro de 2007. Como já haviam planejado, era hora de ter um filho. Iniciaram as tentativas e foi muito rápido. Já na lua-de-mel, o noivo desconfiou da gravidez de Patrícia. A gatinha negava, mas no final ele estava certo. Quando voltaram da viagem, Patrícia fez um teste de farmácia e deu positivo. A gestação de João começou. Náuseas, contrações sem dor desde o inicinho, e ela continuava trabalhando como uma louca, correndo de um hospital para outro, até que João resolveu mandar a mãe sossegar.
– Comecei com contrações com 32 semanas, internei por 48 horas para sedar o trabalho de parto, ele era muito novinho não podia nascer ainda. Fui liberada pra casa, mas afastada do trabalho. Quando a gente não para, os bichinhos param a gente. Quando completei 36 semanas, não deu mais, iniciaram as contrações pra valer e rapidinho o João nasceu, de parto normal. Foi maravilhoso. Claro, chegar ao hospital ganhando o bebê, sem ficar horas sofrendo, foi tudo de bom!
Mas o João ainda preparava alguns sustos para a mamãe. Logo que nasceu, teve um pouquinho de dificuldade para respirar, ficou em observação poucas horas e depois já foi pro quarto. Não satisfeito, quando já estavam em casa, o João “amarelou”. Voltaram para o hospital para fototerapia.
– Deu tudo certo! Mas, mesmo sendo pediatra, eu chorava muito, queria o meu bebê comigo…
O João, que vai fazer cinco anos, foi crescendo, e o casal começou a querer ter outro bebê. O próprio João também dizia que queria um maninho. E, mais uma vez, o tiro foi certeiro. Dessa vez a gestação foi mais tranquila. Patrícia já estava trabalhando menos, mais calma, e Caio (1 ano) gostou tanto que não queria sair da barriga da mamãe.
– Como o João foi prematuro, eu esperava que o Caio também fosse, mas que nada, não queria saber de nascer, tava tão gostoso lá dentro, que o caio só engordava… Com quase 39 semanas, e quase 4 Kg, resolvemos fazer uma cesárea, pois vimos que de parto normal não ia dar certo um bebê tão grande. Não tivemos nenhum problema, mas a recuperação não é muito boa, 10 a zero pro parto normal!
Para conquistar o irmão mais velho, Caio trouxe pra ele uma fantasia do Super-Homem. Enfim, o João se apaixonou pelo irmão, mas conseguia dizer quando estava com ciúmes, e sempre arranja uma maneira de chamar a atenção de todos quando está vendo que Caio é o centro das atenções. Mas os dois são grandes amigos.
Depois do nascimento Caio, Fernanda está trabalhando menos, mas segue com dois empregos, fazendo plantão no hospital e ainda tenho pacientes internados. A rotina é bem regrada. O Fernando leva o João pra escola pela manhã, e o Caio fica em casa com a babá. Patrícia trabalha na Secretaria da Saúde todas a manhãs e busca o João na escola ao meio-dia. Almoça com os filhos e depois leva os meninos nas atividades, natação, capoeira, futebol, e ainda dá pra passear com eles. Enquanto faz uma atividade com um, a babá ajuda com outro.
– No final do dia começa a função banho, janta, desenho e fazer dormir. Ainda temos a mania de “fazer dormir”. Mas isso é gostoso, é um momento de cada um com a mamãe. É quando o João consegue me contar muitas coisas que não fala durante o dia, e é quando ele SEMPRE diz “um beijo, um abraço e um carinho” e depois ainda diz “eu te amo 13”, daí eu digo “eu te amo 14” e assim por diante, até chegarmos ao INFINITO!!!
Patrícia acha que ser pediatra e mãe facilita um pouco as coisas, mas também pode apavorar muito mais.
– Podemos olhar a garganta, medicar pra febre, com tranquilidade… Sentir que a criança não está com nenhuma doença grave e que podemos esperar um pouco. Sabemos que eles têm cólicas, que eles não dormem de noite, que criança pode chorar por nada, fazer manha, e não nos apavoramos. Mas, por outro lado, sabemos que tudo pode acontecer. Sabemos de doenças graves que podem aparecer a qualquer momento em qualquer criança saudável. Isso nos deixa com o coração na mão, todos os dias.
O João é agitado, extrovertido, muito feliz. Sensível, carinhoso e amoroso ao extremo. Ele tem coisas minhas e coisas do Fernando.
Eu sempre quis ter filhos, antes de tê-los pensava em ter 3, mas agora já acho 2 de bom tamanho. Quero que tenham estudo, lazer,
oportunidades, tudo do bom e do melhor, então com 3 ficaria tudo mais apertado.
O Caio está adorando brincar com a bola e já diz “gol”, mas o ponto alto é o quarto do irmão mais velho, é o parque de diversões do
pequeno.
O João e o Caio se amam muito. O ídolo do Caio é o João!
Se os meninos fossem…
Um filme: João seria Marley e eu, Caio seria Ninguém segura esse bebê
Um livro: João seria um livro de dinossauros, Caio seria um livro com sons
Uma música: João seria Carinhoso, Caio seria Desenho de Deus
Uma flor: João seria uma rosa vermelha, Caio um girassol
Um prato: João seria arroz com feijão, Caio seria o prato cheio
Uma cor: João seria azul, Caio branco
Um animal: João É um labrador, Caio é o meu pintinho
Um sentimento: João seria amor, Caio seria simpatia
Uma loja charmosa da cidade: João seria Kopenhagen, Caio seria Livraria Cultura
Um perfume: João seria Bvlgari, Caio seria cheiro de nenê
Um sabor: João seria bem doce, Caio seria cítrico
Uma palavra: João é energia, Caio é felicidade
Uma parte do corpo: João seria o coração, Caio seria a cabeça
O que a mamãe sonha para o futuro: O futuro a eles pertence, que sejam felizes!!!













