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Autorizado aborto de fetos anencéfalos

Foto: Veja.com

 

Por Raquel Guindani

Não poderíamos deixar passar em branco a notícia que permeou os noticiários da semana, e terminou com a aprovação do Supremo Tribunal Federal, ontem, por 8 votos a 2, à interrupção de gestações em caso de anomalia cerebral do feto.

Gente, até que enfim, né?! Porque, na minha opinião, é muita crueldade obrigar uma mulher a levar até o fim uma gravidez sabendo que o bebê não vai sobreviver mais do que alguns minutos após o parto. Como disse a Ministra Carmen Lúcia no momento do voto dela ontem no STF, dar à luz significa dar a vida, e não dar a morte.

Todas nós que já ficamos grávidas sabemos a carga emocional e física que acompanha uma gestação, e imagino o tamanho do sofrimento das mulheres que precisam carregar o bebê na barriga, mesmo com doenças gravíssimas que não permitirão que o mesmo sobreviva após o nascimento. Um grande passo foi dado ontem em nosso país.

Não quero acender uma discussão sobre o aborto de forma indiscriminada, no entanto acredito que nesses casos de anomalias graves, não se deve julgar a atitude da mãe que decide interromper a gestação.

E vocês, o que acharam da decisão do Supremo?

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25 Respostas para “Autorizado aborto de fetos anencéfalos”

  1. Em 13 de abril de 2012 em 14:24 Catia, Mamãe do Gui respondeu com ... #

    Olha Raquel… Pensei muito, li muito a respeito, mas não havia posto a minha opinião em local algum ainda, nem mesmo no blog do Guilherme, mas pela seriedade do site de vcs, me senti a vontade para falar aqui…
    Pode parecer contraditório o que vou dizer, mas não é… Vejam com calma e entenderão…

    Eu, mãe Cátia, não interromperia uma gravidez em função de um diagnóstico médico. Eu “pagaria pra ver”, sabe. Tentaria até o ultimo instante, por pior ou mais penoso que isso fosse, eu ainda teria a esperança de “Um milagre, ou mesmo um erro de diagnóstico”, como foi o caso da menina Vitória que foi levada até Brasilia, para provar que milagres existem.
    Ponto, aqui acaba a MINHA opinião, a expressão do que EU faria…

    Mas por eu pensar assim, não posso privar uma mãe que pensa de forma de diferente, o direito de ela escolher se quer “pagar pra ver, ou não”.
    Imagino uma mãe próxima dos 40 anos, que descobre um diagnóstico desses, sendo obrigada a esperar mais nove meses para nascer, sem muita esperança de sucesso, depois do parto tendo de aguardar mais 6 ou 7 meses o organismo se recuperar de um parto…E o tempo dela??? ACABOU minha gente… Só quem teve dificuldade de engravidar, sabe o quanto um mês pode parecer longo… imagina a espera de mais de um ano para tentar de novo….

    Apesar de dizer que não o faria, acho que o Supremo está Certíssimo, pois com essa decisão, comtempla os dois lados… Sem sofrimento não há… mas com direito de escolha, agora sim!!!!

    Ouvi um lado da corrente afirmar que a autorização era uma forma de “iludir” a mãe… Peraí gente??? Qual mãe em sã consiência recebe um diagnóstico de uma doença de um filho (por mais simples que seja) e não pede uma segunda opinião??? Nenhuma, TODAS pedem uma segunda opinião, nem que seja pra outro médico, vizinha, a mãe, ou até mesmo o Google… Até porque a decisão não OBRIGA a mãe a optar pela interrupção, apenas dá a ela o direito de escolha.

    Eu não faria, mas acho que tomaram a melhor decisão.

    • Em 14 de abril de 2012 em 1:25 paula respondeu com ... #

      Sinceramente, não sei se abortaria um feto anencéfalo. Mas acho um avanço que as mulheres tenham essa opção.

    • Em 16 de abril de 2012 em 17:37 raquel respondeu com ... #

      Ótimo depoimento, Cátia! Obrigada! Beijos.

  2. Em 13 de abril de 2012 em 15:23 Chris respondeu com ... #

    Concordo com você Raquel..é muita crueldade para a mãe carregar 9 meses um bebê no qual não poderá dar seu amor e cuidá-lo com o amor incondicional de mãe, pelo fato deste serzinho não viver por mais de algumas horas. Acho que muitas mães de bebês anencéfalos já vinham fazendo tais abortos, porém sendo ilícito se submetiam a clínicas e formas de abortos muito perigosas e sem segurança. Um grande passo, com certeza!

    • Em 14 de abril de 2012 em 1:15 paula respondeu com ... #

      Exatamente, Chris… Também acho que foi um grande passo.

    • Em 16 de abril de 2012 em 17:37 raquel respondeu com ... #

      Esse é mais um problema que ainda não tínhamos falado aqui, Chris – os abortos ilegais e cheios de riscos. Ao menos agora, a opção da mãe poderá ser respeitada, e o procedimento será feito em segurança dentro de um hospital. Beijão, saudades!

  3. Em 13 de abril de 2012 em 18:57 Daniela respondeu com ... #

    A Paula me deu carta branca pra discordar – hohoho!
    E eu discordo… Acho que o feto tem sim uma sentença de morte, mas uma criança com doença degenerativa ou algo do gênero também tem e ninguém questiona “Vamos matá-la?”. Se é ruim carregar uma gestação por 9 meses e terminar com um bebê morto, imagina conviver com um filho por 5, 6, 7 anos e depois perdê-lo?
    Acho horrível o fato de alguém ter uma gestação, sentir os movimentos do bebê e saber que ele não tem chance de sobreviver, concordo com esse ponto, mas acho que isso não justifica o aborto. O bebê merece viver enquanto puder viver, assim como uma criança com doença terminal merece viver enquanto puder viver.
    Sem contar nos erros médicos. Eu tenho na minha família uma criança com 7 anos, perfeitamente saudável que foi diagnosticada anencéfala…
    Assunto complicadíssimo, mas minha opinião é essa!

    • Em 14 de abril de 2012 em 0:27 paula respondeu com ... #

      Daniela, voltei muito impressionada contigo. Até comentei aqui em casa com o meu marido. Que mulher linda, que mulher inteligente, que mulher D-I-F-E-R-E-N-T-E. Sobre a polêmica de hoje, entendo os teus argumentos, mas não concordo contigo… Acho que a mulher tem que ter o direito de escolha.

      • Em 14 de abril de 2012 em 17:33 Daniela respondeu com ... #

        Aaaai que honraaaa! Adorei a entrevista!

        • Em 15 de abril de 2012 em 1:19 paula respondeu com ... #

          Eu que ADOREI! Até já falei pra Raquel que ela deveria ter ido junto…

    • Em 16 de abril de 2012 em 17:35 raquel respondeu com ... #

      Daniela, mais uma vez, admiro tuas palavras e tua posição, embora seja discordante da minha. Agora, quanto a essa criança da tua família – Meu Deus, que erro médico mais grotesco! Não tenho dúvidas de que as mulheres que receberem esse diagnóstico dos seus fetos devem procurar no mínimo 3 médicos, fazer e refazer os exames, para ter certeza do diagnóstico. Agora, se for mesmo anencéfalo, cabe a cada uma decidir o que é melhor fazer… Beijão!

  4. Em 13 de abril de 2012 em 19:02 Núbia Korber respondeu com ... #

    Achei interessantíssimo você tocar neste assunto, na minha opinião a decisão do Supremo foi mais do que acertada, até porque agora vai ser uma decisão da mãe de interromper ou não a gravidez em casos de anencefalia e antes ela não tinha esse direito, o que era um absurdo porque nesses casos a vontade deve ser da mulher, uma vez que é ela que está sobre forte carga emocional sabendo que está gerando um filho que não sobreviverá após o parto. Cada dia me apaixono mais pelo blog, estou grávida e virou rotina entrar aqui!

    • Em 14 de abril de 2012 em 1:10 paula respondeu com ... #

      Núbia, penso como tu em relação a esse assunto. Acho que essa decisão deve ser, sim, da mãe. Que bom que tu gostas do nosso trabalho. :)

    • Em 16 de abril de 2012 em 17:32 raquel respondeu com ... #

      Nübia, muito obrigada pelo depoimento e pelo elogio! Que bom que fazemos parte da tua rotina! Para quando é o teu bebê? Beijo.

  5. Em 14 de abril de 2012 em 10:07 Natassha respondeu com ... #

    Concordo que um grande passo foi dado em nosso país. Mas discordo que fetos diagnosticados com anencefalia sobrevivam por pouco tempo, conheço uma senhora que tem uma moça de 32 anos com essa doença que não fala, não anda, mas tem sentimentos. Acho que cabe a cada mulher optar pela melhor decisão que achar. Beijos.

    • Em 16 de abril de 2012 em 17:27 raquel respondeu com ... #

      Mesmo, Natassha? Puxa, que história essa… Esse assunto é muito delicado mesmo, e acho que cada mulher tem que ter o direito de decidir. Beijo.

  6. Em 16 de abril de 2012 em 23:14 Núbia Korber respondeu com ... #

    Raquel, respondendo a sua pergunta, meus bebês (sim são gêmeos, um casal) são para julho, isso se eles não se apressarem um pouco!!

    • Em 17 de abril de 2012 em 11:01 raquel respondeu com ... #

      Que legal, Núbia! A minha Valentina é de julho também – adorei a experiência de ter bebê no inverno, bem melhor do que no verão! Beijos.

  7. Em 17 de abril de 2012 em 17:13 nathalia amaral respondeu com ... #

    bom em primeiro lugar quero dizer que sou leitora do blog,e acho um blog inteligente e de extrema utilidade materna,muito bom mesmo.bom sobre a lei que permite o aborto dos fetos chamados anencefalos, eu tambem era a favor até outro dia, mas há uns dois meses achei esse blog: http://amadavitoriadecristo.blogspot.com.br/ , e começei a ler meio que sem entender bem a história e o assunto confesso, mas depois de conheçer a história da bebe vitória,um bebe anencefalo de 2 anos, e a forma que aqueles pais amam a sua filha, passei a pensar sobre amor incondicional,e hoje sou contra o aborto de anencefalos(claro essa apenas é minha visão) mas o caso é que esses pais sabiam que seu bebe seria anencefalo e mesmo assim decidiram manter a gravidez e hoje vitória tem 2 anos! me emocionei com a história..

    meninas parabns pelo blog eu amo.

    • Em 17 de abril de 2012 em 18:15 raquel respondeu com ... #

      Nathalia, obrigada pelo carinho. Vou dar uma olhada nesse blog. Com certeza o assunto é muuuito delicado. Beijos.

  8. Em 21 de abril de 2012 em 9:30 Chris respondeu com ... #

    Meninas, resolvi voltar aqui para esse tópico pois só hoje pude sentar na frente do computador e ler os comentários. Notei que todas têm um ponto de vista diferente aqui e aí que está a questão de ter sido um grande passo a aprovação da lei, não pela “Obrigação” de ter que fazer um aborto quando diagnosticado que seu bebê é anencéfalo, não é isso que a lei diz…a lei é clara que a mãe terá a escolha se quer ou não seguir a gravidez, e isso vai da reflexão e emoção da mãe…mas o que eu apoio realmente não é se a mãe tem que ter ou não o bebê, mas sim a escolha disto!!! Bjos a todas

    • Em 22 de abril de 2012 em 22:04 raquel respondeu com ... #

      Valeu, Chris! Beijos.

  9. Em 22 de abril de 2012 em 0:08 Morgana respondeu com ... #

    Boa noite meninas, Deus nos deu o livre arbítrio para fazermos nossas escolhas e suportar suas consequências. Estou com 36 semanas de gestação e apesar de não ser o meu primeiro filho e sim o terceiro, muitos medos e dúvidas povoaram o meu coração. Mas pedi muito ao PAI, que me desse a graça de ser mãe mais uma vez , pois meu coração clamava por isso e não sei o porquê. Porém meu marido não compartilhava da ideia e achava que nossa família já estava de bom tamanho. Quando soube que estava grávida me senti muito, muito grata a Deus por isso,e um imenso amor tomou conta do meu ser. Amor que só Mãe é capaz de sentir pulsar nas suas entranhas. É esse amor que impulsiona a vida, as pessoas, as vitórias que testemunhas todos os dias. Por tudo isso jamais abortaria meu filho. Mesmo por alguns minutos de vida ou sobrevida todos somos dignos de receber e dar amor. Um beijo a todas.

    • Em 22 de abril de 2012 em 22:03 raquel respondeu com ... #

      Muito lindo o teu depoimento, Morgana! Beijos.

  10. Em 23 de outubro de 2012 em 15:44 Patrícia respondeu com ... #

    o fato é que nem o direito nem tão poucoa as mais diversas religiões existentes no planeta , podem exigie da gestante de um feto anencéfalo sem expectativa de vida extra-uterina , um ato heróico ou ato de santidade resignada de sofrimento … resignai-vos no senhor , sofra psicologicamente e fisicamente a gestante , e ainda resignai-vos no senhor … eu acho um absurdo, essa falácea imposta pelos religiosos … a decisão sobre interromper ou não a gestação acbe somente a mulher getante e ponto … decisão mais que acertada do stf … embora a imagem do p´roprio stf a meu ver esteja maculada pela contradição de julgados jurisprudencias , hora a favos hora contra a interrupção …

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