Entrevistas, It Mommies

Alana Porto Alegre e o respeito às individualidades de Marina e João

Fotos Priscilla Borges

Por Paula Tweedie

“Éramos da mesma turma. Eu já tinha sido casada e ele também estava saindo de um relacionamento sério. Um dia, começamos a namorar. Nessa época, nós os dois morávamos sozinhos. Cada um na sua casa. Nove meses depois, resolvemos morar juntos. Como o meu apartamento era mais organizado do que o dele, provavelmente por ser de mulher (risos), ficamos no meu. Até os nossos amigos em comum acharam a maior loucura. No fim, a ousadia deu certo. Já estamos juntos há 18 anos. Quando a gente casa, não escolhe apenas o marido. Escolhe também o pai dos nossos filhos. Sempre soube que o Ernani seria parceiro em todos os momentos da minha vida”, afirma a psicóloga e empresária Alana Porto Alegre (45), casada com o médico pediatra Ernani Soares Lopes (47).

Alana diz que aos 30 anos a sua vontade de ser mãe ficou mais intensa do que nunca. “Só não achei que fosse engravidar tão rápido. A gestação do João foi maravilhosa. Tinha desejo de comer feijoada. Fui bem paparicada. Cheguei a fazer o Ernani sair para comprar algodão doce para mim. Detalhe: tinha que ser azul de qualquer jeito (risos). Sabia que era menino mesmo antes da ecografia, que confirmou a minha suspeita. O meu filho nasceu super saudável no dia 27 de outubro de 97. Foi uma grande alegria e uma enorme responsabilidade.”

Apesar de contar com o apoio do marido, Alana não tinha empregada ou babá, fazia tudo sozinha. “Provavelmente por isso, a vontade de aumentar a família não pintou antes de João completar 3 anos. Cheguei a fazer entrevista com um monte de gente, mas não me animava a deixar meu filho com qualquer pessoa. Tinha a impressão de que ele estava sempre com fome. Parecia que o João ainda precisava muito de mim. Acho que a mãe tem que sentir, sim, uma certa falta de liberdade. Isso faz parte da maternidade. E não é bem verdade que o importante é qualidade e não quantidade, porque bebê precisa de constância!”

Vendo João crescer forte e feliz, a mamãe tinha dúvidas se deveria ou não ir para o segundo filho. “Com certeza, foi a decisão mais difícil que o Ernani e eu precisamos tomar. Meu marido tem irmãos. Eu também tenho. Então, gostaríamos de dar essa experiência ao nosso filho mas, ao mesmo tempo, tínhamos muito medo de recomeçar do zero. E se desse alguma coisa errada? Numa visita ao ginecologista, ele me disse: não pensa, engravida. E foi o que eu fiz.”

“Como já tinha passado dos 30, resolvi fazer Amniocentese, exame que acabou me deixando mais tranquila, porque descartou a possibilidade de várias doenças genéticas. Enjoei o tempo inteiro, do início ao fim. Foram 9 meses extremamente difíceis. Mas se me dissessem que para engravidar de menina eu teria que comer alface, eu comeria, sem o menor problema (risos). Passei a gravidez toda cantando a música Marina Morena e, graças a Deus, o meu pedido foi ouvido. Ganhei a minha morena Marina no dia 26 de outubro de 2001. Ela faz aniversário um dia antes do irmão. Coincidência, não? O pós-parto foi uma grande festa!”

Alana conta que cuidou para que a chegada da caçula não traumatizasse o irmão mais velho. “João era filho único. Tinha todas as atenções voltadas para ele. Não deve ter sido fácil. Durante o primeiro ano, ignorou completamente a Marina. Só depois que ela começou a caminhar é que eles passaram a interagir. Acredito que o amor seja construído a partir da convivência. Hoje o João é o ídolo da Marina. Apesar da diferença de sexo, eles já têm alguns programas em comum, são amigos e cúmplices. Fico super orgulhosa por isso! Gostam de conversar, jogar wii e só não fazem basquete juntos porque eu não deixo. O João é muito maior do que a Marina. Tenho medo de que ela acabe machucada. Preocupações de mãe (risos)…”

“Quando o João tinha 2 anos, tive a ideia de montar a Babá Service. Muitas mães, quando voltam a trabalhar, precisam da ajuda de uma babá para tomar conta dos seus filhos e ficam inseguras assim como eu também fiquei quando chegou a minha vez. Será que a pessoa escolhida é qualificada para cuidar de um bebê? Ela tem noções de higiene, puericultura, nutrição e brincadeiras educativas? Pensando nisso, montei não apenas uma agência de babás, mas um centro de treinamento de profissionais. O mercado está cada vez mais carente nesse sentido e precisamos aperfeiçoar cada vez mais a mão de obra existente. Mas não acho que a babá deva substituir o papel da mãe. Acredito que a babá tenha que ser apenas uma facilitadora. Mãe é mãe. Não dá para tercerizar a maternidade.”

“Não posso negar que sempre foi confortável ser casada com um médico. Pediatra gosta de criança, e o Ernani revezava de noite de igual para igual comigo. Ainda hoje ele pega junto e divide as tarefas. Assim não fica tão pesado para nenhum dos lados…”

“Nós, mães, somos humanas. Temos os nossos limites, e as crianças devem aprender, desde cedo, a lidarem com isso. O erro faz parte, deve ser encarado como aprendizado.”
“Sempre brinquei bastante com os meus filhos. Talvez por isso o João tenha começado a ler cedo, com 4 anos e meio. Aos 5, ele já lia tudo.”

“Quando a Marina nasceu, contratei uma babá. Percebi, então, a importância de ter uma estrutura. Isso me deu mais tempo para curtir a minha filha. Recomendo!”

“Assim como o João, Marina também mamou no peito. Ele mamou 9 meses e ela 6.”
“A Marina é uma menina muito querida e sem frescura.”
“O nome João é em homenagem ao avô do Ernani. Marina é em homenagem a minha avó.”

“O João é mais intelectual. Não gosta de se expor e eu respeito isso.”

 “A Marina gosta de outras coisas. É esportista. Já fez dança, adora natação. Tudo que ela inventar vou dar a maior força.”

“Cada um dos meus filhos tem um estilo. Por isso, eles inclusive estudam em escolas diferentes. Falamos muito em respeitar as diferenças, mas o mais difícil é fazer isso dentro da nossa própria casa. ”

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6 Respostas para “Alana Porto Alegre e o respeito às individualidades de Marina e João”

  1. Em 5 de maio de 2012 em 17:49 Núbia Korber respondeu com ... #

    Ótima entrevista! Achei o máximo priorizar as individualidades deles, cada um estudar em uma escola, afinal não podemos nos esquecer que nossos filhos são diferentes, possuem gostos e características distintas, me preocupo muito com isso, até porque terei gêmeos e vou me policiar para respeitar as suas individualidades.

    • Em 7 de maio de 2012 em 9:03 raquel respondeu com ... #

      Também adorei as declarações da Alana, Núbia! Beijo.

    • Em 7 de maio de 2012 em 16:21 paula respondeu com ... #

      Núbia, em primeiro lugar, parabéns pela gravidez. Aliás, duplamente parabéns! Gravidez de gêmeos deve ser emoção multiplicada por dois, né? Também adorei esse depoimento da Alana. Na correria do dia a dia, a maioria dos pais escolhe a mesma escola para os filhos e esquece que muitas vezes eles precisam de propostas e estímulos educacionais diferentes.

      • Em 8 de maio de 2012 em 9:48 Alana Porto Alegre respondeu com ... #

        Obrigada, pelo comentário, Núbia. Parabéns pelos gêmeos que chegarão! Com certeza saberás respeitar cada um no seu jeitinho, pois se tens esta preocupação antes é pq tu já és uma pessoa que respeita a maneira de ser de cada um.Um abraço! Alana

  2. Em 2 de dezembro de 2012 em 15:23 Marina respondeu com ... #

    Oii mãe, adorei a entrevista , mas oque mais me chamou a atenção foi a beleza de sua filha ! Bjs.

    • Em 3 de dezembro de 2012 em 16:10 paula respondeu com ... #

      Obrigada pela mensagem carinhosa Marina. Vocês têm o mesmo nome, né?

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