Marcha pelo parto em casa – por que o protesto???
Por Raquel Guindani
Vocês devem estar sabendo que no último domingo houve em 11 cidades do Brasil, incluindo Porto Alegre, a tal marcha pelo parto em casa, organizada através das redes sociais por mulheres que defendem o direito das grávidas decidirem se querem ter seus filhos em casa ou no hospital.
A manifestação foi organizada após o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro) pedir à entidade paulista, o Cremesp, a punição do obstetra Jorge Francisco Kuhn, que defendeu o direito de mulheres saudáveis optarem pelo parto domiciliar, em entrevista ao Fantástico do dia 10 de junho. Kuhn disse à TV Globo que o parto “não é um procedimento cirúrgico”, mas “um ato natural”, e que mulheres sem problemas clínicos ou obstétricos podem optar pelo parto em casa. Não há proibição, mas o Conselho Federal de Medicina recomenda que, por segurança, os partos sejam feitos apenas nos hospitais.
Silvana Morandini, conselheira do Cremesp, afirma que o parto em casa não é recomendado pelo conselho, mas que os médicos têm autonomia e devem se responsabilizar por qualquer problema que ocorra durante o procedimento. “O parto tem uma condição inerente de risco, mesmo no caso de uma gravidez saudável, porque não dá para prever o que pode acontecer”, disse.
As organizadoras da marcha afirmam que não defendem o parto em casa, mas o “parto humanizado” e o direito de escolha da mulher. “O objetivo da marcha é trazer visibilidade para a questão, que está em um terreno sombrio da legislação. Os planos de saúde, por exemplo, não cobrem o parto em casa”, disse Ana Cristina, que trabalha tanto em partos domiciliares como hospitalares.
Bom, o que eu acho é que, se a mulher quer muito ter um parto em casa, deve encontrar um médico que queira assumir esse risco, e se cercar de pessoas que saibam dar suporte a esse procedimento. Eu, particularmente, jamais faria – aliás, já não fiz, pois meus dois partos (normais) foram no hospital! Sou uma pessoa que acredita na ciência, na tecnologia e na pesquisa. Não à toa fiz uma faculdade das ciências exatas… Então, se posso dispor de recursos, profissionais, equipamentos e assepsia de um hospital, não vejo motivo para repetir os partos das minhas avós, em casa e cercados de insegurança. MINHA OPINIÃO, mas respeito quem prefere optar por um parto humanizado – em casa, na banheira, em qualquer outro lugar. Já disse aqui que sou contra a cesárea sem motivo, adorei ter dois partos normais, mas também não sou a favor do parto ser em casa.
Só não entendo é para que marchar… Sinceramente, não vejo um porquê para o plano de saúde cobrir o parto em casa, que tem muito mais riscos. E, se eu fosse médica, também não ia querer fazer. No entanto, é como disse a conselheira do Cremesp: os médicos são livres para decidir! E as mães também, se querem ter seus filhos em casa, que os tenham, não precisa de passeata para isso!
Agora, para quem se inspira nas celebridades que fizeram o parto domiciliar voltar à moda, não esqueçam que a maioria delas conta com uma UTI móvel na porta de casa durante todo o procedimento para o caso de haver algum problema…
E vocês, leitoras, mães a gestantes, o que acham disso tudo? Se submeteriam a um parto em casa? Acham que é mais aconchegante para o bebê? Têm medo? Contem para nós!







Acho um verdadeiro absurdo, uma insanidade total e completa dessas mulheres, a mulher pode ser muito saudavel, ter tido uma gestação maravilhosa mas na hora H a criança se enrolar no cordão e aí?fazer o que?só um pouquinho né?é a vida do teu filho, vai arriscar por uma “ideologia”??pra mim isso é fanatismo, assim como são as pessoas que de repente viram vegetarianas, odeiam automoveis, isso tudo é radicalismo, a tecnologia esta aí para servir, não pode ser visto como inimiga.
Ana, já disse no post que sou super a favor da tecnologia. E, assim como tu, também jamais colocaria em risco a vida do meu filho e a minha por uma ideologia. Beijo.
Entendo que o momento do nascimento dos filhos seja o mais importante na vida dos pais… e óbvio, do bebê… sentimos na carne o desespero quando nosso filho nasceu… Eu tinha 25 anos, ou seja, idade tranquila, gestação perfeita, feto perfeito, tudo ok… na 34 semana, a bolsa rompeu e duas horas depois eu não tinha dilatação e meu filho entrou em sofrimento fetal… para quem não sabe, problema grave!!! Caso não estivessemos no hospital, assistidos por um Médico, possivelmente nosso filho não teria sobrevivido… ou teria problemas sérios…
Acho importante que as mães procurem um médico que transmita segurança para a opção do melhor parto… seja ele natural ou não…
beijo grande, BOA HORA!
Liziane, já houve na minha família também um caso semelhante de parto prematuro, e nessa hora só um hospital bem equipado e uma equipe qualificada resolvem. Aliás, eu acho que contar com profissionalismo sempre é bom, mesmo em partos normais de gestação a termo, pois nunca sabemos o que pode acontecer… Beijo.
Parece que leu meus pensamentos, pensei a mesma coisa quando vi a matéria na televisão, concordo com tudo que você disse e assino embaixo!
Sinceramente, temos muitos motivos mais importantes e urgentes nesse país dignos de marchar.
É verdade, Giselle. Parece que as pessoas acham que qualquer coisa é motivo para protestar. É como eu disse, se querem ter parto em casa, que fiquem em casa esperando o bebê nascer! Ninguém está impedindo-as de fazer isso! Beijão.
Graça Funchal: “Acho um risco muito grande que só deve ser corrido por quem não tenha acesso a hospital. Sabemos que isto ainda acontece muito em lugares mais recônditos de nosso país. Sabe-se que mesmo quem faz um pré-natal nas melhores condições e que apresenta um quadro normal e uma gestação saudável, pode sim, na hora do parto, apresentar problemas imprevisíveis que somente os recursos hospitalares podem resolver e as vezes apenas amenizar. Imagine-se isto em casa! Eu, apesar de minha mãe ter acesso a hospital, por opção dela, nasci em casa. A situação foi tão crítica,que sou filha única, tal o trauma que ela sofreu. Mas eram outros tempos e as mulheres tinham visto todas as outras da família ou a maioria delas, terem seus filhos em casa com as parteiras e tinham a idéia de que hospital era para doentes. Acho um retrocesso fanático e existem outras causas mais importantes a serem abraçadas.”
Graça, adorei teu depoimento. E a expressão “retrocesso fanático” é perfeita para essa situação! Temos que reconhecer e usufruir dos avanços da humanidade. Ou será que essas pessoas também gostariam de viver sem antibióticos? Deus me livre ter nascido antes da descoberta da penicilina! Beijos.
Ângela Maraschin: “Humanizar o parto não é assumir riscos desnecessários… Claro que temos que melhorar o atendimento às gestantes na hora do parto, com acomodações melhores, permitir acompanhamento do marido, médico disponível (que não existe nos hospitais do interior), criar um ambiente mais “acolhedor”. No entanto, nunca abriria mão da segurança do meu filho. Sabemos das complicações que podem ocorrer no parto, e nunca quis assumir este risco.”
Concordo com tudo, Ângela! E é uma pena que o nosso interior esteja com o sistema de saúde tão sucateado… Também sou super a favor do marido acompanhar o parto, inclusive o Rodrigo me acompanhou nas duas vezes em que tive bebê, mas tudo isso NO HOSPITAL. Beijão pra ti.
Raquel, penso como tu. Não achei o meu parto menos humanizado pq foi em um hospital. Quando a Marina nasceu o pediatra pegou ela, ainda peladinha e quentinha e colocou no meu colo. A barriguinha dela se encaixou no meu pescoço e ficamos ali, nos olhando e sentido o calor. Momento inesquecível e mágico, mas no hospital.
Acho muito bom também o alojamento conjunto. Quer dizer que várias ações no hospital, pode humanizar este momento.
Alana, eu também achei super “humanizado”, terno e afetuoso o jeito que foi o parto dos meus filhos: nasceram de parto normal, imediatamente foram para o meu peito, já sugaram ali mesmo, pude fazer bastante carinho… Rodeado de bons profissionais, mas cheio de amor! Beijos.
clap clap clap… durante duas semanas tenho sido apedrejada em todos os blogs maternos quando digo… Quer ter filho em casa, na rua, na chuva, na fazenda… OK o filho é teu, só não obriga o profissional a segurar tua mãozinha, para ter em quem colocar a culpa caso algo dê errado…
Pois é isso que está em discussão… minha avó teve dois filhos em casa e não perdeu nenhum, ótimo, mas suas irmãs (13 ao todo) todas tiveram filhos em casa (vários) e TODAS elas com excessão de minha avó, tem caso de perdas de filho no nascimento… os índices de mortalidade eram absurdos…
E mesmo quando tudo parece estar dando certo, pode não estar… eu tive uma gravidez tão tranquila que não tenho nenhuma “história de grávida para contar”, com 40 semanas fiz uma eco e estava tudo bem. Com 40 semanas e três dias, a bolsa rompe, não tenho dilatação (Obra do anjinho da guarda do Gui) e me vejo “tendo que fazer uma cesárea”, veja bem “tendo”, não fui obrigada… Foi indicado como melhor para o bebê e para mim… E o que descobrimos?? que o Gui tinha se enrolado duas vezes no cordão, sendo uma volta BEM apertada no pescoço… E se fosse normal??? e se fosse normal em casa???? Prefiro nem pensar nessas hipóteses…
Continuo dizendo. Façam suas escolhas, só não obriguem os médicos a estarem disponíveis para levar a culpa… E pode jogar pedras á vontade!!!!
Adorei teu depoimento, Cátia! Beijo.
Cátia, concordo plenamente com você…..
As mulheres querem voltar a época das cavernas…. que voltem. Mas não queiram obrigar os médicos a compactuarem com isso.
Concordo, Cláudia!
Oi gurias! Fiz cesárea eletiva mas acho toda e qualquer manifestação válida como expressão da opinião de cada um – e respeito muito o espaço de cada um! Além disso vale para acender uma discussão muito importante que é a da saúde da mulher e do bebê. Sempre temos muito a aprender ouvindo os dois lados. E que cada uma tome a decisão que acredita ser a melhor para si e para seu filho. Né?
Fernanda, cada um sabe onde aperta o seu sapato, né? Só não vale é querer impor para os outros, ou para toda a sociedade, a nossa forma de pensar. Beijo.
Comentário perfeito, Raquel!Concordo com vc em tudo!!!!!!
Legal, querida! Beijo.
Meninas, eu acho que a marcha é uma forma de chamar atenção para o índice absurdo de cesáreas desnecessárias que ocorrem nos hospitais particulares no Brasil e tambem da dificuldade que existe de se ter um parto humanizado em hospitais. Acho importante que a gestante saiba quais são suas opções e os riscos e benefícios de cada uma para que possa escolher. Verdadeiros, e não desculpas que muitos médicos dão para convencer a gestante a agendar uma cesárea quando seu desejo era ter um PN.
Eu jamais teria um parto em casa, tive duas tentativas de parto normal que terminaram em cesárea, Agradeço por ter tido toda estrutura.
Mas entendo as mulheres que acabam optando por ter seus filhos em casa para que sua vontade de ter um parto humanizado seja respeitada. Estamos falando aqui entre pessoas com boas experiências de partos hospitalares, mas tenho lido sobre coisas muito feias e desrespeitosas acontecendo.
Raquel, como é o nome da sua obstetra? Pelo que relataste me parece uma medica muito humana, merece ser divulgada para outras mamães que buscam parto como o seu.
Beijos queridas!
Cristina, muito útil o teu depoimento. O nome da minha obstetra é Mariane Marmontel, eu já falei dela várias vezes aqui no site, e sou super fã justamente porque acho ela muito “humana” (entre aspas porque isso supostamente todos nós deveríamos ser, né?), e porque ela me apoiou na decisão do parto normal, mas sem ser radical. Acho que bom senso, carinho e atenção são tudo nessa hora. Ela ficou à minha disposição mesmo no feriadão de Carnaval que o Frederico resolveu nascer, sem reclamar. Podia ter forçado uma cesárea, mas não fez isso. Bem pelo contrário. Por essas e outras, a indico sempre! Beijão.
um pouco atrasada aqui…kkkk mas aqui vai o meu!
como disse a Ana Contessa no primeiro comentario, a mulher pode ter uma gestacao 100%, ser super saudavel, bebe estar otimo e o cordao enrolar! Uma amiga de uma amiga, mulher de MEDICO, escolheu o parto domiciliar. (que aqui eh bem mais comum do que se imagina). tudo indo bem mas o cordao enrolou no pescoco, ela nao chegou a tempo no hospital… nao preciso dizer como terminou tudo! uma lastima.
aqui tbem existem “birth centers”. la se tem uma equipe medica, banheira nos quartos. nao eh a casa da pessoa, mas tbem nao eh um quarto de hospital. eh um meio termo. nao tem recurso p/ cesarea de emergencia, entao se da uma “M” no meio do trabalho de parto tem que cruzar os dedos p/ chegar a tempo no hospital.
acho valido a mae ter o parto que idealiza, ou tentar…. mas com seguranca! colocar a vida dela e do bebe em risco por uma ideologia ou modinha eh um absurdo.
Lú, legal saber desses birth centers. É mais uma opção, né? Mas eu com certeza continuaria optando pelo hospital… Sábias palavras, minha amiga! Beijo, e que bom te ter de volta aqui!
concordo com vc, tambem sou das ciencias exatas ; )
É bom poder contar com a ciência, né, Carol? Beijo.