A felicidade das crianças não se compra
Por Raquel Guindani
Hoje o assunto é sério. Reproduzo abaixo, na íntegra, texto publicado no jornal Gazeta do Povo, do Paraná, sobre uma pesquisa que a Sociedade Brasileira de Pediatria realizou em conjunto com o Instituto Datafolha a respeito da felicidade das nossas crianças. A assessoria de imprensa da SBP divulgou esses dados de extrema importância para nós, pais. E os resultados vem de encontro ao que estou lendo no livro Einsten teve tempo para brincar – que estou amando, assim que terminar faço um post contando tudo para vocês.
Vejam o artigo:
A julgar pelos resultados de pesquisa recente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com crianças, não é preciso muito para deixá-las felizes. Fazer as refeições com os pais, por exemplo, traz uma satisfação maior do que se deleitar com eletrônicos de última geração.
A pedido da SBP, o Instituto Datafolha ouviu 1.525 crianças de 4 a 10 anos, de todas as classes econômicas, de 131 municípios de todo o país. O estudo, inédito no Brasil, explorou o estado emocional de meninos e meninas com relação à família, ao futuro, às brincadeiras e à escola. Os dados deixam claro que os motivos de alegria ou tristeza são os mesmos para os pequenos de diferentes regiões e classes sociais.
Segundo a pesquisa, o dia do aniversário é motivo de felicidade para 96% das crianças. Para a psicopedagoga Rosa Maria Junqueira Scicchitano, não é só por causa dos presentes. “É o momento em que elas se sentem especiais”, explica. Em seguida, vem a prática de esporte (94%), brincar com amigos (92%), férias escolares (91%) e assistir à tevê (90%). Em contrapartida, ficar longe da família foi apontado por 71% dos entrevistados como motivo de tristeza. Brincar sozinho deixa acabrunhados 47% dos entrevistados.
Se puder escolher entre jogar videogame sozinho ou jogar bola com o pai, Luís Gustavo Bortolette Costa, 8 anos, não titubeia ao escolher a segunda opção. “É mais legal do que brincar sozinho”, conta.
Estar perto dos pais é motivo de alegria para a maioria das crianças. Para 87% delas, o bom é ficar perto da mãe; para 78%, do pai. Fazer refeições em família, mostrou a pesquisa, deixa 87% das crianças satisfeitas, mesma porcentagem dos que se alegram quando estão com os avós. “A importância que as crianças dão à família mostra o quanto a terceirização dos cuidados as afeta”, avalia a psicóloga Maíra Bonafé Sei.
Para o pediatra e presidente da SBP, Eduardo da Silva Vaz, boa parte dos adultos não tem a percepção de que a criança fica bem em situações muito corriqueiras. “Muitos pais trocam o tempo com os filhos para trabalhar além do necessário e poder oferecer bens materiais”, afirma Vaz.
Brincadeiras
Para o presidente da SBP, a grande surpresa da pesquisa é que as crianças não são consumistas. “Elas se veem bombardeadas por apelos do consumo e, no entanto, gostam de brincar com coisas simples”. Quando não estão na escola, as atividades preferidas são jogar bola (33%) e brincar de boneca (28%).
Apesar da forte presença da tevê (26%), do videogame (14%) e do computador (9%), no dia a dia preferem brincadeiras tradicionais, como andar de bicicleta (19%). “Os pais enchem os filhos de eletrônicos e eles gostam mesmo de brincadeiras tradicionais”, avalia Rosa Maria.
Puxão de orelha
Responsabilidade de criança é poder brincar
Pais modernos querem preparar os filhos para a vida adulta, oferecendo-lhes cursos e atividades extras, mas é importante preservar o tempo da brincadeira. “Criança tem de brincar para ter um desenvolvimento saudável. Não pode ser sobrecarregada”, alerta a psicóloga Maíra Bonafé Sei. Além de contribuir para o desenvolvimento emocional e cognitivo, brincar é o exercício físico dos pequenos. “É mais fácil deixar em frente à tevê do que levar ao parquinho, mas essa é uma atitude condenável”, avalia Eduardo da Silva Vaz, da Sociedade Brasileira de Pediatria.
Enquanto a pesquisa realizada pela SBP mostra que 94% das crianças ficam felizes ao praticar esportes, dados do Ministério da Saúde mostram que uma em cada três crianças brasileiras está acima do peso.
Falta de tempo
A falta de tempo é apontada por grande parte dos pais como responsável pela pouca interação com os filhos. Para a psicopedagoga Rosa Maria Junqueira Scicchitano, a desculpa não é aceitável. “O que as crianças precisam é de qualidade e não quantidade no tempo com os pais”, afirma.
A vida moderna exige extensas jornadas de trabalho, mas é preciso ter disposição para chegar em casa e dar atenção às crianças. “Com pequenos gestos, pais podem mostrar que se importam com os filhos”, explica Rosa Maria.







Raquel, que interessante! E pra gente ter este retorno brincando e convivendo com os pequenos é maravilhoso! Obrigada pelo artigo. boa semana
Também achei interessante, Christine! Por isso quis compartilhar aqui com vocês. Beijo.
Adorei a reportagem, eu e meu marido nos preocupamos muito com o que foi falado e tentamos ao máximo colocar tudo em prática, deixar brincar, incentivar nos esportes, e um dado que não sabia que tinha tanta importância para as crianças e fazemos aqui em casa é almoçarmos e jantarmos juntos!
Conheci o blog recentemente através da minha cunhada e tenho adorado, acho que em uma semana já li quase todos os posts!
Parabéns para Paula e Raquel, pela iniciativa e qualidade do blog.
Tenho um filho de 1 ano e 9 meses, Heitor e estou grávida de 28 semanas, da Isa.
Que legal, Dionísia! Sabes que eu prezo muito a hora das refeições aqui em casa. Tomamos café da manhã todos juntos. Na hora do almoço, meu marido não consegue vir em casa, mas sento na mesa e almoço com o Frederico. A Valentina almoça um pouquinho antes, mas fica junto com a gente. Só na hora da janta é que não conseguimos fazer isso, pois meus filhos jantam MUITO cedo – 18:30 hs, porque dormem às 20 hs. Mas mesmo assim, embora eu não coma junto, procuro acompanhar esse momento dos dois. Fora isso, acho que o texto alerta para muitas coisas importantes: brincar junto, valorizar pequenas coisas, se divertir ao ar livre… Ah, fiquei super feliz em saber que estás curtindo nossos posts, eu e a Paula adoramos ter esse retorno! Beijo para ti, para o Heitor e para a Isa – aliás, fostes rapidinha, hein?
Eu já tinha lido este texto pq uma amiga me repassou por e-mail há um tempo atrás. Acho q estou indo bem, já falei aqui q tenho o maior cuidado em (não) matricular o Arthur em coisa demais, ele tem as manhãs totalmente livres e somente à tarde vai para a escolinha bilingue e por enquanto é isso e está ótimo assim.
Mas Raquel, eu não tinha ouvido falar neste livro “Einsten teve tempo para brincar”. O título não podia ser mais claro!!!! Já gostei bastante pelo título, depois conta para nós mesmo!!!!!!!!!
Muito bom o artigo e obrigada por divulgar. Realmente é recompensador ver que os nossos filhos prezam os momentos em família e que o que vale é a brincadeira e não o brinquedo em si (sem valoração financeira). Eu adoro brincar com a Sophia, e vejo que a alegria dela independe de ser a primeira boneca dela, já sujinha e meio detonada (hehehe…) ou um super brinquedo que ganhou de aniversário. E nos esforçamos para compartilhar vários momentos do dia dela, e na verdade quem é recompensado é a gente: tem coisa melhor do que ver os nossos pimpolhos sorrindo felizes?
beijos e bons momentos a todos!
Raquel, infelizmente essa geração é muito terceirizada afetivamente, as mulheres evoluiram profissionalmente, ficaram independentes e a família não tem prioridade. Obrigada por compartilhar textos interessantes e reflexívos conosco! Bjos
Alessandra, concordo contigo. Acho que toda essa pressão para s mulheres serem super profissionais, com carga horária igual ou maior que a dos homens, acaba prejudicando a família, principalmente as crianças. Que bom que vocês gostam desses textos! Beijo.
Parabéns pela escolha do texto, Raquel.
Todos os pais e até avós devemos ter sempre em mente essas orientações.
Bj
Também achei super oportuno, Jô. Beijos.
Bom… como boa Bibliotecária não poderia deixar de dar uma diquinha de leitura a respeito:
O que as crianças querem que o dinheiro Não compra. da Ed.Sextante, ótima leitura!
Beijokas
Aline Vicente
Adorei a dica, Aline! Vou ver esse livro! Beijo.
Excelente texto! Adorei e já repassei para várias amigas que tem filhos.
Já me sinto culpada 8hs por dia por não poder estar mais com a minha filha, mas teve uma frase que me fez repensar bastante e tirar um pouquinho da minha culpa: “O que as crianças precisam é de qualidade e não quantidade no tempo com os pais”, por isso nos finais de semana deixo tudo de lado, qualquer programação para curtir ao máximo a minha filha, brincar, passear e dar 100% de atenção a ela.
Obrigada por compartilhar conosco Raquel.
Beijos.
Bem útil, né, Jaciana? Beijos.