Gremismo na prática
Por André Malta Martins
Quando criança cheguei a morar com meus pais a uma quadra do Estádio Olímpico Monumental, tenho fotos ao lado de ex-jogadores, como o Éder Aleixo e o Vílson Taddei, joguei na escolinha do Grêmio por dois anos num antigo campo suplementar, hoje área de estacionamento.
Depois das memoráveis conquistas da década de 80 e de 90, quase todas testemunhadas pessoalmente no estádio junto com meu pai, meu tio José Luís e o meu avô Telmo, acabei me afastando do Olímpico, embora nunca tenha deixado de acompanhar o time pela televisão e de nutrir o mais profundo carinho pelo clube, tanto que, tão logo se confirmou que a criança que a Paula gestava era um menino, imediatamente fomos até uma loja e compramos o uniforme tricolor prá ele.
Na tarde de ontem, passados mais de três anos do nascimento do Santiago, senti que se cumpria a sina da compra daquele fardamento secular.
Após cerca de duas décadas havia quase esquecido daquela marcha quase ritualística, tribal mesmo, de milhares de torcedores em direção ao Olímpico, todos vestindo azul, preto e branco pelas ruas e entoando cânticos e palavras de ordem, sob a percussão dos foguetes que a todo instante espocavam no céu e dos tambores que rugiam em bares dos arredores do estádio.
Cheguei com o Santiago no cangote, ambos fardados, ao pé da rampa que dava acesso às cadeiras. A Paula cuidava da logística: a pequena mochila com água, telefone celular, dinheiro e o radinho de pilha (comprado especialmente para a ocasião).
Vencida a rampa e entregues os ingressos, chegamos ao túnel que dá vista para o gramado no anel superior. Eis uma visão que arrebata o espírito na hora. Como pude ficar longe disso por tantos anos?
Aquele gramado verde todo iluminado, a pulsação medonha que sacode as arquibancadas, misturadas aos gritos de “café” e “pipoca”! Por um instante, parece que voltamos no tempo e no espaço até as antigas arenas romanas, cujas ruínas ainda podem ser encontradas em boa parte da Europa.
O Santiago estava perplexo e radiante naquele novo cenário, tão incomum prá ele, enquanto eu, como que mergulhado num delírio que misturava orgulho, contentamento e tantas lembranças queridas, tinha ainda que procurar o melhor lugar entre os poucos assentos disponíveis.
Devidamente abastecido com cachorro-quente, amendoim e pipoca, o Santiago se integrava a cada côro de gritos, aplausos e vaias que urdia das arquibancadas, celebrando aquele tipo de liberdade e de permissividade que, sejamos francos, só existe nos estádios de futebol, especialmente no do Grêmio que conta com uma das torcidas mais efervescentes do País.
Depois da noite de ontem, apesar de não ter conseguido levar embora comigo o cartão de ingresso (o fiscal da Federação Gaúcha de Futebol não cedeu ao meu apelo) e do resultado do jogo não ter sido favorável, percebi que o encantamento do meu filho fez renascer o meu próprio gremismo, o qual eu ingenuamente acreditava que saciava pelos canais de esporte da televisão paga.
Uma partida acompanhada pela TV é apenas uma partida na TV, mas uma partida assistida na “Casa do Grêmio”, como acertadamente o Santiago definiu, muito mais do que uma equação numérica (0×0, 1×0, 2×2), é um verdadeiro banquete para os sentidos, uma ode à vida, uma prova do que disse ser o poeta a tal imortalidade tricolor.
A camisa do Grêmio personalizada foi presente do tio Zé Luís!
Dá pra ver que o meu gurizinho não desgrudou do radinho, né? Hehehe
Por falar em futebol, vocês lembram do post do Rodrigo Guindani sobre a estréia do Frederico no Beira Rio?









Adorei!
Que bom!
Muito legal o post do André, Paula!
Fiquei emocionada imaginando como foi, em sua ótima descrição de tudo.
Meu marido ainda não conseguiu levar nosso filho no jogo do Grêmio, ele é sócio, já fez umas duas tentativas, em uma ele acabou dormindo em casa, antes de ir, aí não fomos, depois ele acordou e ficou chateado(para não dizer brabo), e na outra vez, acabamos indo num aniversário e desistindo do jogo.
Mas em breve isso vai acontecer e tenho certeza que também será muito legal!
Helena, fazia tempo que a minha irmã pedia pra levar o afilhado ao estádio, mas o André queria que a primeira vez do filho fosse com ele… Acho que a espera valeu a pena, né? Curtimos muito! Tenho certeza de que o teu gurizinho também vai gostar! Beijos.
Não sei quem está com o olhar mais querido na última foto, o pai ou o filho!!
Vou encaminhar este texto para meu marido!!! Eles ainda nao foram juntos ao estádio, mas sei que este projeto está na pauta. Eu sou colorada, mas ele e o Arthur são gremistas e eu incentivo numa boa esta parceria entre eles, pois isso tem muito valor para o meu marido!
Parabéns!
Sigrid, que bom que tu gostou! Quando o Rodrigo escreveu sobre a estréia do Frederico no Beira Rio eu também encaminhei o texto para o André… Hehehehe aqui em casa e todo mundo gremista, mas na Raquel, não. Minha amiga apesar de ser do grêmio, tb incentiva o pai, colorado, a levar o filho no Beira Rio. Acho isso o máximo! Beijos pra ti, Sigrid!
Lisi Jesus Mazzardo: “Amei amei amei!! Paulinha, manda parabéns para o André pelo texto!! Que emoção!! Pena que não estávamos juntas!! Mas até o final do ano o Henrique vai no Monumental, dai combinamos este lindo encontro de Gremistas!! Beijocas”
Mazááá! André conseguiu explicar muito bem o sentimento que se tem na saída do túnel, quando se enxerga o campo.
Toda vez que entro no Olímpico, sinto a mesma coisa.
Abraços!
Obrigada pela participação, Arthur!!!
André, é muito legal mesmo levar o filho no estádio.
Esse ano ainda não levei o Antônio no Beira Lago, até mesmo por causa das obras, mas não me falta vontade.
Acho que eu fui três vezes com ele e uma foi melhor que a outra.
Bonita a emoção que vocês sentiram.
Beijo pra todos.
Melhor só se o Antônio fosse gremista, né Felipe? Hahaha Brincadeirinha…
Nós também estávamos lá!!!
O Lorenzo a-ma! Se diverte horrores, dança, aplaude e não para quieto!
Vou sempre que posso!
Beijos
Pena que não nos encontramos, Dani. Quem sabe na próxima? Beijos
Paula, deixa o meu gurizinho assim que ele tá muito bem encaminhado…
Hehe. Bj do primo.
Hehehehe… Bjbjbj