Infância interrompida
Por Paula Tweedie
Se tem alguém que não gosta de discurso politicamente correto sou eu. Não sou e nem quero ser modelo de coisa nenhuma. O que funciona na minha casa, pode não funcionar na de outra pessoa.
Nos últimos dois anos, entrevisto semanalmente mães de primeira, segunda e terceira viagens. Escuto as mais diferentes experiências. Algumas mais interessantes, outras menos, como vocês podem acompanhar na sessão It Mommies, mas todas são únicas! Acho isso fascinante…
Quando chego em casa, procuro seguir uma ou outra dica que possa ser útil, mas descarto todo o resto que não tem a ver comigo, com a minha família, com a nossa história. E querem saber? Gosto até do que não funciona aqui. As imperfeições fazem parte do aprendizado…
Enfim, todo esse blábláblá só para dizer que ainda não conheci nenhuma família perfeita como aquelas de comercial de margarina, mas também nenhuma tão equivocada como as que aparecem no programa Pequenas Misses, que passa no Discovery Home and Health. Vocês já viram?
Gurias, que aberração é aquela??? Pelo amor de Deus… Já vi alguns capítulos e foi um mais assustador do que o outro. Crianças com bronzeamento artificial, unhas de acrílico, cílios postiço, luzes no cabelo, mega hair, dentes clareados, maquiagens super elaboradas, figurinos de fazer inveja a protagonista da novela das empreguetes… Um verdadeiro escândalo!!!
E tudo isso para que mesmo? Diversão? Brincadeira? Nãooooooooooooo! Para ganharem concursos de beleza mirim (ô coisinha cafona essa). Tem até bebês de colo entre os participantes… Sinceramente, não sei se tenho mais pena desses, que ainda não entendem o que fazem ali, ou se das crianças um pouco maiores, que já são forçadas por suas mães malucas a ensaiarem compulsivamente coreografias bizarras para o corpo de jurados…
E sabem o que é pior de tudo? Como só existe um vencedor nessas ocasiões, todos os outros participantes vivenciam uma derrota que, na verdade, não é deles. É de seus pais, de suas famílias, que estimulam a competitividade e a fama porque projetam nos filhos tudo aquilo que quiseram ser e não conseguiram.
Esses concursos, muito populares nos Estados Unidos, felizmente não são moda aqui. De qualquer forma, acho que vale a pena pensarmos sobre o assunto como um alerta: em hipótese alguma, temos o direito de encurtar a infância dos nossos filhos. Criança tem que ser criança e ponto final.
Em tempo: sem programação para o findi? Que tal alugar o filme “Pequena Miss Sunshine” para ver com o marido quando os pequenos forem dormir?







É, mas infelizmente temos alguns exemplares por aqui…
Ouvi uma ligação em um consultório médico que de tão chocada a médica ficou, acabou comentando conosco e “esquecendo um pouco da ética médica”…
Quando o celular dela tocou, ela justuficou que precisava atender, por se tratar de uma paciente que necessitava de muitos cuidados…
Vi a médica avermelhar a face e simplesmente responder… “não, não pode fazer luzes não… Onde ja se viu?? Fazem apenas 2 meses… Não tem que fazer não, mesmo que ela queira…”
Desligou, se desculpou, mas depois de breve silencio, acho que ela mesmo precisava desabafar o absurdo…
A mãe da paciente TRANSPLANTADA de fígado ha apenas 2 meses, queria fazer luzes no cabelo da menina de 3,5 anos alegando que a quimica não entraria em contato com o couro cabeludo….
Eu também me choquei tanto quanto a médica.
Não acredito… Será que nem uma experiência de quase morte faz as pessoas repensarem certas coisas??? MEDO!!!!!!
Adorei teu texto Paula! Principalmente quando você fala que não gosta de discurso politicamente correto assim como eu também não, até porque não me encaixo nesse perfil tão correto. Sua introdução também sobre as entrevistas está demais e no meu ponto de visto corretissimo!
Já vi uma vez o programa Pequenas Misses, e realmente acho ridiculo esse programa! Mães e pais totalmente fora de noção em querer tornar pequenas crianças em adultos! Acho que nos EUA isso é mais normal, mais temos que ficar de olho, as vezes algo pode passar despercebido e devemos vigiar esse assunto é muito importante. Criança é Criança!
Beijos.
Natassha, agora fiquei curiosa… O que que tu não faz de correto? Nos conta!!! hehehe
Acho ridículo!
Alana Porto Alegre, eu acho TRISTE!
Tb não concordo!! Criança precisa ser criança!!! Acho q são mães com complexos de beleza, e acabam descontando nas filhas…bjs Paula!!!!
Renata Port, só tu vendo as mamães… Uma mais esquisita do que a outra. Hehehe Explicado, né?
Esse filme é ótimo, tetrata o absurdo que são esses concursos! Eu, como mãe de menina, fico horrorizada e com pena tmb dessas menininhas, que mais parecem ETs.
Tatiana Marques da Motta, ótima definição!
Acho um absurdo expor crianças tão imaturas ainda a este tipo de “aceitação” publica…mas cada um sabe o que e melhor pros seus né?
Cláudia Novelli, tentar acertar, todo mundo tenta. Mas será que a gente realmente sabe o que é melhor para os nossos filhos?
É mesmo Paula, enquanto a gente procura fazer o melhor pelos filhos, essas mães resolvem fazer o pior… Credooo, já assisti esse programa e é lamentável o que vivem essas meninas. Fico imaginando a frustração quando são derrotadas…tadinhas, tão pequenas e já escravas da beleza, perdendo um tempo precioso em que deveriam estar brincando. Beijos
É de chorar de pena… Pior é que também tenho pena das mães… São visivelmente problemáticas.
Paula, nunca assisti um programa inteiro, pq a sensação que eu tenho é que em vez de proteger destes sentimentos de competitividade, derrota, etc, todos nocivos para uma criança, as mães jogam suas filhas numa arena, numa espécie rinha de criança, só que de beleza! Triste…
Tens razão, Sigrid… Vontade de mandar as mães pra terapia… Certamente não devem fazer isso de más, né? Só podem ser muito atrapalhadas emocionalmente.
Programa horrível este Pequenas Misses, é um absurdo mesmo, cada episódio mais bizarro que o outro. Infelizmente tem pessoas que acham que como são “donos dos filhos” podem fazer com eles o que vier na cabeça. Absurdo.
Absurdo mesmo!
Gente, como em todo, nao e bom generalizar. Isso nao e normal aqui nos EUA. Faz pouco a justica tirou a guarda da filha de uma mae por ter levado ela no salao de bronzeamento, um absurdo.
Fany, que bom saber que não é normal!!! Obrigada pela tua participação! E continua nos mandando novidades daí… Beijos.
Sugiro a leitura da Diana Corso. http://www.marioedianacorso.com/maes-de-pequenas-missesMães de pequenas misses | Mario & Diana – Psicanálise na vida cotidiana
Boa sugestão! Adoro a Diana Corso. Vou ler! Beijos
É muito triste esse tipo de coisa.
Muito triste…
Paula, muito bem lembrado alertar para esses distúrbios de comportamento,
que seria acelerar o processo de amadurecimento das meninas.
Criança tem mais é que brincar e ser criança o máximo de tempo possível.
Tenho uma menina e me preocupo muito com estas questões, pois noto que existe na sociedade, na nossa cultura uma busca pela perfeição estética o que se reflete nas crianças.
bjss.
Ai, Andrea, ser mulher não é fácil, né? E imagino que ser mãe de menina também deva ser bem complicadinho por esses aspectos por ti levantados… Não sei se estou sendo machista, mas acho que os homens não sofrem tanto com essa pressão de estética da perfeição. Será que sofrem? Beijos
Paula, eu acho que hoje em dia as coisas estão bem parecidas tanto para meninos, quanto pra meninas. Um exemplo é o filho da Adriane Galisteu, o Vittorio, que sempre anda impecável. Cabelo aparentemente com gel, roupas super fashions, cachecol no pescoço, blazer, casaco…teve inclusive uma foto que vi que ele estava com um broche no cabelo, pasmem, um broche no cabelo. Olhando rapidamente parecia uma menina, já que ele é loirinho e tem os cabelos compridos, fiquei pasma. Não estou dizendo aqui, que ele está perdendo a infância por causa disso, mas acho que a preocupação com a aparência é exagerada. Lógico que nada comparado as mães das misses, e tbm não tenho NADA contra as roupas e acessórios fashions para crianças, muito pelo contrário, eu AMO, mas tudo na medida certa, e acho que de alguma forma é uma “agressão” a infância. Acho que a roupa antes de ser fashion, deve ser confortável para a criança poder brincar, correr e nada incomodar. As vezes arrumo minha filha toda ensacadinha, tiara no cabelo, meia, sapato, e quando cismo que tem algo apertando ela ou acho que só de fralda ela irá se sentir mais confortável e com mais liberdade, pois é assim que a deixo. O bem estar deles em 1º lugar.
Beijos!
Jaciana, super concordo contigo… Não sabia dessa do filho da Galisteu. Coitadinho! Risos. Sei lá, não curto muito essa moda metrosexual. Acho muito estranho ver homens tão ou mais vaidosos do que as mulheres. Homem pra mim tem que ser malandrinho, despojado… Odiaria ter que dividir meu secador de cabelo, como fazia a Galisteu com o Justo. Aliás, dizem que esse foi o motivo do fim do casório… Muito estranho ela agora estar criando um engomadinho…
falam tanto de child abuse, isso pra mim tbem se enquadra como child abuse!! um absurdo, nao vejo NADA de positivo……uma lastima estragar uma infancia por uma bobagem!!
Também acho, Lu! beijo
Gente.. Adorei ler esse post, pq eu tb detesto esse programa. Na verdade, assisti duas vezes e hoje me recuso a olhar. Tenho nojo desse programa.. Sinto pena das crianças concorrentes (pobres vítimas)… É uma pena que existam pessoas como essas mães, mas fico aliviada em saber que não sou a única que discorda do programa.
Abraços
Fiquei com tanta pena das crianças que não vi mais o programa… Beijos
Paula… olha uma reportagem sobre um caso real de quão nociva é esta prática entre as crianças…!!!
http://caras.uol.com.br/especial/bebe/post/honey-boo-boo-alana-thompson-reality-como-fama-pode-afetar-criancas#image0
Vou olhar! beijo