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A importância dos tios nos “trepa-trepas” da vida

Foto Priscilla Borges

Por André Malta Martins

Observando as crianças nas festas infantis, tenho constatado que um dos mais populares brinquedos é aquela espécie de “labirinto gigante”, formado por paredes plásticas, tubos, escorregadores, obstáculos, pontes e tudo mais que fascina a imaginação e a ousadia dos pequenos.

Só recentemente vim a descobrir que o nome desse aparelho é “brinquedão”, embora o Santiago e eu já o tivéssemos batizado de “trepa-trepa”, nome aliás, modéstia à parte, mais lúdico do que o “oficial”.

Até o ano passado, enquanto os amigos e colegas subiam com incrível destreza os andares do “trepa-trepa”, o Santiago se mantinha à prudente distância, intimidado pelo tamanho e pela altura daquele monstrengo.

Sempre que íamos às festas era a mesma cena. O Santiago mergulhava na piscina de bolinhas, dirigia o carro-choque, saltava no pula-pula, deslizava no escorrega e girava no carrossel. Contudo, fingia não se interessar pelo “trepa-trepa”. Digo “fingia”, porque era óbvio que o brinquedo que ele mais gostaria de experimentar era aquele, não fosse o medo ainda dominar a vontade.

Houve ocasiões em que senti muita pena de vê-lo tentando persuadir os amigos a ficarem na terra firme para jogarem futebol ou simplesmente correrem um atrás do outro, enquanto a turminha preferia voar quatro metros acima do solo, rindo e se divertindo no “trepa-trepa”.

Inúmeras vezes me empenhei a encorajá-lo, tentando transmitir alguma confiança para que ele vencesse o medo e fosse ser feliz nos altos de um objetivo que só a coragem permite atingir, mas ele sempre hesitava quando começava a escalar.

Houve até uma festa em que convidei o Santiago para subirmos juntos. A coisa foi bem até o oitavo degrau, quando veio o fatídico e irreversível pedido: – quero descer, pai!

Lá fomos, então, o Santiago e eu, ladeira abaixo, digo, “trepa-trepa” abaixo. A propósito, com a minha idade, peso e flexibilidade, nunca imaginei que “descer” pudesse ser ainda mais complicado do que “escalar”.

No início deste ano, porém, aconteceu o milagre do “trepa-trepa” que fez o Santiago atingir o pico da glória.

Foi no aniversário do seu primo Artur, dia 07 de março.

O cenário, de sempre. Recreacionistas, garçons, música alta, piscina de bolinha, carrossel, balanço… E ele: o “trepa-trepa”!

Enquanto o Santiago se conformava com os “brinquedos-solo”, dezenas de crianças se acotovelavam bem acima das nossas cabeças, fazendo cada adulto ali presente lembrar “que na nossa infância as festas não eram assim”.

Em certo momento, quando o Santiago ensaiava uma tímida investida no segundo degrau do “dito cujo”, os tios Leandro e Vinicius se aproximaram e começaram a incentivar.

Bem, o “trepa-trepa” em questão era gigantesco. Dez degraus de escalada inicial, curvas, um corredor com obstáculos, algumas bifurcações e, finalmente, o escorregador que desemboca em uma piscina de bolinhas.

No interior do “trepa-trepa” o Santiago vivia um dos maiores dilemas enfrentados até ali. Subir ou não subir… Empurrado pelos dois tios, começou a desafiar degrau por degrau daquela façanha e, a cada vacilo (foram inúmeros), novas doses de estímulo e de confiança eram injetadas pelos tios no coração e na mente daquele jovem desbravador.

Ao chegar no alto do “trepa-trepa”, teria ainda que avançar por um corredor repleto de obstáculos móveis. Diante daqueles cilindros infláveis pendurados, meu filho estancou. Na altura e posição em que estava, só mesmo uma recreacionista bem miúda para resgatá-lo. Admito que meu pavor era maior do que o dele, pois tendo que acionar o “socorro”, imaginava que consequências psíquicas a necessidade de um “resgate” poderia desencadear.

Percebendo a situação crítica instalada, os tios Leandro e Vinicius passaram a elevar o tom dos estímulos e da demonstração do afeto que sentem pelo sobrinho, ajudando meu pequeno a seguir em frente e superar as dificuldades, chegando ao objetivo final: o escorregador da piscina de bolinhas!

O sorriso escancarado no rosto do Santiago no instante em que descia o escorrega até o mergulho redentor é uma das imagens que vão ficar gravadas prá sempre na minha memória, assim como a lição daquele dia.

A exemplo do Santiago que tem dez super-tios, bem-aventuradas as crianças que, além dos pais e avós, podem contar com esses familiares amorosos para contribuir no complexo aprendizado da vida, reforçando ou criando bons modelos de conduta.

Por mais dedicados que sejam, os pais não são onipotentes (é um equívoco achar o contrário), de modo que a participação ativa dos tios na vida dos sobrinhos ajuda-os a criar as ferramentas para o grande “trepa-trepa” que é a existência.

POST- SCRIPTUM

Ah, vocês podem estar se perguntando como ficou a relação do Santiago com os “trepa-trepas” por aí, não?

Depois daquele dia, não há tamanho e nem altura. Meu filho não se intimida com aparelho nenhum e, quando digo “aparelho nenhum”, é nenhum mesmo! Vale para “trepa-trepas”, barcos-vikings, colchões infláveis de castelo “e tudo mais que fascina a imaginação e a ousadia dos pequenos.”

Tenho certeza de que esse desprendimento foi diretamente influenciado pela atitude dos tios naquele 7 de março de 2012 e, mesmo que eu não venha a me tornar pai de um mergulhador ou alpinista, estou certo de que o Santiago poderá se inspirar a vida inteira nessa demonstração, obtida ainda na sua infância, de até onde se pode chegar com garra e força de vontade.

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17 Respostas para “A importância dos tios nos “trepa-trepas” da vida”

  1. Em 30 de julho de 2012 em 11:02 Preta Schneider respondeu com ... #

    fiquei a emocionada. nada melhor que presenciar uma conquista importante na vida de um filho.

    • Em 30 de julho de 2012 em 11:05 paula respondeu com ... #

      Tens razão, Preta! A conquista deles tem peso triplo pra gente. Beijos

  2. Em 30 de julho de 2012 em 13:15 Renata Azevedo respondeu com ... #

    Lindo, Paulinha!!! Beijão de uma titia super babona!!!

    • Em 30 de julho de 2012 em 13:53 paula respondeu com ... #

      O texto não é meu, Rê! É do maridão! Hehehe Saudade de vocês!!! Beijos

  3. Em 30 de julho de 2012 em 16:28 Catia, mamãe do Gui respondeu com ... #

    hahaha… Lindo relato dessa aventura…
    Tenho um “desbravador iniciante” em menor escala em casa. Como o Gui tem apenas 2 anos, ele não se aventura nem nas piscinas de bolinhas muito grandes sozinhos…
    Na semana passada fomos ao Iguatemi na segunda feira e como o “trepa trepa” estava vazio, resolvi que seria a estréia do Gui… Perguntei se ele queria e ele respondeu que sim, mas na hora de entrar, a resistência. A moça vendo tudo vazio, me disse que eu poderia entrar junto!!! E como não basta ser mãe, tem de se acabar na piscina de bolinhas… me diverti mais que ele, com certeza… e realmente o sorriso de satisfação de descer no escorregador, não tem preço, mesmo que a pobre mãe tenha feito contorcionismo para vencer os degraus e tenha entalado 3 vezes na descida do escorregador…

    • Em 30 de julho de 2012 em 16:41 paula respondeu com ... #

      Catia, na semana passada, no aniversário da minha sobrinha, também andei de escorregador com o Santiago. Eu descia num e ele descia no do lado, de mãos comigo. Fizemos isso várias vezes, até eu cansar de escalar o tal do trepa-trepa. Aquilo cansa, né? Hahaha Ontem, no aniversário da Valentina, filha da Raquel, ele queria repetir a dose. Mas não rolou… A mamãe aqui estava de saia. Ainda bem que o papai entrou no clima e escorregou com o filhote. A gente se diverte com os pequenos, né? Eu acho ótimo ter uma “desculpa” pra brincar junto… Beijos no Gui.

      • Em 31 de julho de 2012 em 9:49 raquel respondeu com ... #

        E eu adore participar desses momentos, por isso procuro ir sempre com roupas confortáveis nos aniversários (de preferência de calça)!

        • Em 31 de julho de 2012 em 15:35 Catia, mamãe do Gui respondeu com ... #

          hahaha, no primeiro ano do Gui eu loquei um pacote com brinquedos e a tal da cama elástica… e estava louca para provar, mas eu havia comprado um vestido na altura do joelho…
          Me lembro bem da cara de assustado do meu marido, quando perto do final da festa, me viu subir na cama elástica com o Gui, veio correndo e me avisou… “Tu não esquece que estás de saia…”
          Ri muito e disse a ele “uma mãe prevenida, se diverte pelos dois”…
          E comecei a pular. Eu havia posto um shortinho por baixo!!!!
          E o Gui aproveitou muito a mãe prevenida!!! e eu também //Fica a dica.
          Alias, estou curiosíssima para ver a decoração da Festa da Valentina, depois de tantas idéias ótimas que foram publicadas aqui….
          beijos meninas.

          • Em 31 de julho de 2012 em 16:06 paula respondeu com ... #

            Catia, muitas mamães esquecem de colocar uma roupa à prova de brincadeiras nos aniversários das crianças. Por isso, pedimos pra super stylist Roberta Weber escrever um post sobre esse assunto amanhã aqui no Mães à Obra! Vocês não podem perder!!! Ela vai dar várias sugestões de looks para arrasarmos nas comemorações infantis.
            Sobre a festa da Valentina, realmente estava muito linda. A Raquel se puxou!!! Certamente ela vai publicar aqui algumas fotos da decoração! Aguardem!!!

  4. Em 31 de julho de 2012 em 16:56 Alessandra Z respondeu com ... #

    Demais!!!!! É lindo de ver os pequenos superando seus medos, ainda mais com a segurança passada, no caso do Santiago, pelos tios! Depois que eles descobrem o quanto é bom, ngm segura mais!!!!

    • Em 31 de julho de 2012 em 17:29 paula respondeu com ... #

      Alessandra, o Santiago agora só quer saber de diversão nas alturas. Ai, que medo!!!

  5. Em 1 de agosto de 2012 em 15:43 Lisiane Oviedo respondeu com ... #

    Que texto bacana desse paizão maravilhoso que o Santiago tem! Adorei!

    • Em 1 de agosto de 2012 em 18:30 paula respondeu com ... #

      Obrigada, Lisi! Beijos

  6. Em 1 de agosto de 2012 em 16:23 regina scaf silveira respondeu com ... #

    Paula,que dupla de cronistas,tu e André.
    Sempre fui tua tiete nos teus textos e pelo visto sei do André tbém.Já li outros textos dele aqui no mães a obra e sempre gostei. Este está maravilhoso. Uma descrição quase com suspense que prende a atenção.Adorei.bjs

    • Em 1 de agosto de 2012 em 19:10 paula respondeu com ... #

      Ai, que bom! Beijos!!!

  7. Em 3 de agosto de 2012 em 22:32 respondeu com ... #

    Gostei muito, André.

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