Sapatinhos encaixotados, lembranças guardadas
Por Raquel Guindani
Dia desses, ao tirar da gaveta os últimos sapatinhos de lã da Valentina para guardá-los em caixas etiquetadas com os dizeres “Bebê – 6 a 12 meses”, fui tomada por uma nostalgia sem tamanho. Saudades do tempo que não volta mais.
Ser mãe é sentir saudades… Saudades do barrigão de grávida, do bebezinho que só dormia e mamava, do primeiro sorriso, das mini roupinhas, das fraldas tamanho P. Saudades, principalmente, das mãozinhas minúsculas que mal conseguiam segurar o meu dedo.
As primeiras vezes vão passando, e a gente vê a vida avançar como se o fast forward do controle remoto tivesse sido apertado: o bebê que estava agora mesmo aprendendo a sentar já ensaia os primeiros passos, os balbucios viram palavras, os brinquedinhos de morder dão lugar a blocos de montar, os sorrisos ora esparsos se transformam em gargalhadas constantes.
É a vida. Os bebês crescem, suas bochechas aumentam, as dobrinhas das pernas se desfazem. Em compensação, nossa pele ganha mais rugas, nossas costas descobrem dores (quase) permanentes, nossas bochechas desaparecem.
Desesperadamente, tentamos guardar as lembranças, congelar o tempo, dar um pause em momentos especiais demais. Tudo em vão. A locomotiva da vida não pára, nunca. Por mais que fotografemos, façamos filmes, relatos escritos, não adianta: nossos filhos nunca mais terão 1 ano de idade. Daqui a alguns meses, minha menina estará com 1 ano e meio, idade mais cheia de graça da vida, e quando eu piscar os olhos, seus 2 aninhos já terão chegado, junto com a entrada na escolinha, as conversas com frases completas, a boquinha cheia de dentes, a compreensão de todas as coisas.
Enquanto isso, o filho mais velho avança, troca de fases nesse jogo da vida em velocidade super sônica: por que não me avisaram antes que depois dos 3 anos não haveria mais resquícios de um menino bebê em casa? Foram ficando pelo caminho as fraldas, as manhas, o bico, a soneca da tarde. E qual não foi meu susto quando o flagrei jogando Damas na sala de casa com os adultos da família? Como assim, cadê os bonecos dos Backyardigans que o entretiam até pouco tempo??? Ficaram para trás, junto com as lembranças dos banhos de banheirinha, do medo de entrar sozinho na piscina, do colinho para dormir.
Esse é um dos males de uma mãe com dois filhos: com o segundo, sabemos que aquela máxima de “aproveite bem cada momento” não é apenas conselho de gente sem assunto, ou frase de literatura de aeroporto. É a verdade nua e crua. Nunca desejei tanto que os tip-tops continuassem servindo na minha guriazinha, antes de darem lugar a roupas de menina grande. Ao mesmo tempo, nunca me senti tão realizada como quando vi meu menino jogar o bico no lixo e dizer que aquilo era coisa de bebê, e não de alguém grande como ele.
Bom demais ver o mundo passar pelos olhinhos deles. Pena não haver um botão de pause de vez em quando.







Nossa Raquel, que palavras bonitas. Eu que não tenho filhos ainda, fiquei com uma dorzinha no coração ao ler esse post. É uma realidade isso, ao piscar os olhos, já vemos muita diferença nas crianças. É inacreditável o modo como eles se superam a cada dia que passa…
Mariana, eu sinto essa dorzinha no coração todos os dias, a cada roupinha que deixa de servir… Mas isso faz parte da aventura que é ter filhos, aliás, faz parte da vida! Mas que eu sinto saudades, isso eu sinto, e muitas!!! Beijos.
Que lindo esse texto, fiquei emocionada enquanto ia lendo porque é assim mesmo, o tempo voa.Tenho um filho de 11 anos e como tive ele aos 17 anos foi bem puxado na época, foi bastante impactante aquela nova rotina na minha vida e acho que por ter sido assim tão intenso, que eu sinto bastante saudades daquele tempo que não volta mais… Agora tenho uma filha de 3 anos e 3 meses que está na mesma fase do Frederico, quer ser chamada de menina grande e não bebê, e assim aos 29 anos me pego pensando que não tem mais bebê em casa e como pretendo parar por aqui, é triste saber que meus momentos de barrigão, amamentando, ninando e tudo mais já se foi, mas é a vida, cada fase de nossos filhos nos trazem alegrias novas e diferentes!!!
Abraços!!!
Giselle, deve ser emocionante ter um bebê depois de 7 anos como aconteceu contigo, né? Poder resgatar tudo de novo… As roupinhas, a emoção, as mamadas… Pena que eles crescem tão rápido, agora a tua bebê já tá grande como o meu Frederico! Beijos.
Bom dia! Fiquei emocionadíssima com tuas palavras, o Joaquim fará 1 aninho dia 25/08, e já vejo independência em certas atitudes dele, me emociona pensar que terei que deixar ele ter o seu tempo, deixá-lo livre e aceitar suas privacidades. Me vem a cabeça a noite de ontem, quando estávamos na piscina da natação, e soltei minhas mãos do corpinho dele, e o deixei, ele segurava forte com as mãos abertas em meus ombros e batia as pernas com força… Ele se sente seguro comigo, confia em mim, mas sei que sentirá vontade de se desprender de mim em certos momentos. É cedo, de fato, ele está começando tudo, mas já sinto um aperto no coração. Sou muito apegada as coisas dele, fotos, vídeos, recordações, guardo tudo na “caixinha da vida”, alcool do umbigo da maternidade, cordão umbilical, entre outras 1ªs coisas… Logo encomendarei um irmão (a), mas quero curtir todo segundo com o Joaquim, com cada fase que não volta mais. Essa saudade dói no peito, junto uma insegurança, não sei explicar, sei que ter tido um bebê foi a melhor escolha da minha vida, choro de tão feliz que me sinto, sabendo que tenho em casa me esperando todos os dias, aquele sorriso cheio de dentes brancos lindos, bochechas rosadas muito fofas, abraços de sufocar, beijos babados, aquele cheiro de doce que vem da pele! Meu Deus, que amor é esse? Estou eu aqui denovo, me declarando, segurando o choro, e pensando no meu menino… Vocês sabem muito bem não é? É amor de mãe mesmo.
Grande beijo, tenham um ótimo dia!
Larissa, nem me fala em se emocionar… Escrevi esse texto no último sábado, e realmente coloquei ali tudo o que estava sentindo. Cada vez que tenho que tirar coisas do armário da Valentina, paro, olho as peças de roupas e os sapatinhos com muita atenção, e tento guardar na minha memória as imagens dela usando esses itens. Para mim é muito difícil ver as coisas passando em velocidade tão rápida. É claro que é maravilhoso ver eles crescendo, se desenvolvendo, descobrindo o mundo, mas dói muito no coração saber que todas as fases lindas pelas quais eles passam não voltam mais. Ah, e essa tua história da natação me fez lembrar de como o Frederico se agarrava com força em mim quando entrava na piscina antigamente, mostrando que eu era a segurança que ele precisava naquele momento. Agora ele chega na natação e já vai correndo dar um tchibum sozinho na piscina. É, o tempo passa… Beijos.
Ai, hoje estou sensível… me emocionei lendo este texto, snif snif snif…!!! Resumiu bem, Raquel: ser mãe é sentir saudades… Beijos!
Também ando numa fase bem sensível, Sigrid… Eles crescem rápido demaaaais!!! Beijos.
Raquel! O que tu vai fazer com o conteúdo das caixas etiquetadas? Eu volta e meia dôo as roupas da Pietra, passo adiante para as amigas grávidas, mas não consigo me desfazer de tudo ainda…
Oi, Camila! Atualmente eu passo todas as roupinhas da Valentina para a minha irmã, pois ela tem uma filhinha (minha afilhada linda) de 6 meses de idade. Mas eu sempre guardei tudo do Frederico e guardo as coisas da Valentina também (depois que a minha irmã usa e me devolve) porque tu sabe né, ainda tô aquele dilema de não saber se vou ter o terceiro filho ou não, hehe… (ó, dúvida cruel). Mas não tenho espaço para guardar tudo, organizo em caixas e mando para a minha mãe, ela guarda pra mim nos armários da casa da fazenda! Ah, a parte boa é que se eu tiver o terceiro filho, seja ele menino ou menina, já vou ter enxoval completo, né? Beijos.
aiiiiii… que dor.. que medo… !!!! quase chorei… já sinto saudades.. tantas… minha bonequinha esta crescendo tão rápido… tento curtir ao máximo cada minuto.. e já morro de saudades…. bjsss
Dói mesmo, Karine. No fundo da alma, no coração… Ainda bem que sempre a fase seguinte é ainda mais maravilhosa do que a que já passou! Beijos.
eu tbem vivo esses momentos nostalgicos….aqueles momentos delas mamando e me olhando com aqueles olhinhos…. sim, o botao pause faz falta!! kkkkkkk
Nem me fala naquele olhar, Lú… Uma das coisas mais marcantes da vida, pra mim, é essa cena deles me olhando enquanto mamavam. Conexão direta, amor sublime! Beijão.
Ah que lindooo…traduziu com delicadeza tudo que nunca consegui escrever.
Vou guardar esse texto.
Parabéns!
Adorei…Bjs
Ai, Gabi, ganhei o dia com o teu elogio! Fico feliz que tenhas gostado! Beijos.
Podíamos marcar um encontro das leitoras do Mães a Obra…pq de tanto passar aqui parece que já somos amigas…adoroooo
bjs
Boa ideia, Gabi! Eu e a Paula vamos pensar nisso! Beijos.
Oi Raquel,
Lindo o texto e tenho o mesmo sentimento vendo a Catarina quase com 8 meses a serem completados no próximo domingo…às vezes brinco: minha bebê já se foi…parece que foi ontem que chegamos do hospital com ela nos braços. Hoje já se arrasta querendo engatinhar, sorri com aqueles dois dentões de baixo, “conversa”do seu jeitinho, já come tantas coisas variadas, tem suas preferências…como passou rápido! Por isso temos que ter o segundo filho, e quem sabe o terceiro hehe…eu te encorajo a ter! Beijos
E temos que aproveitar cada minuto mesmo, Tatiane! Eles crescem que nem abóbora nesse primeiro ano, tanto no sentido de tamanho como de desenvolvimento! Sobre o terceiro, ainda tenho dúvidas, muitas dúvidas! Beijos.
Lindo texto Raquel, parabéns! Você escreve muito bem, toca na alma e nos faz se emocionar. Sinto a mesma coisa, saudades, muitas saudades….às vezes nem acredito como ela cresceu rápido, hoje já tem dentinhos na boca, engatinha, pede colo, atenção, dá altas gargalhadas, fica brava, come biscoitos sozinha, segura a mamadeira com as próprias mãos, tenta descer sozinha do sofá, já está balbuciando “mamã” (para a minha alegria…hahaha) as vezes dá vontade mesmo de parar o tempo…o importante é vivermos cada dia com a maior intensidade, é isso que procuro fazer, aproveitar ao máximo cada momento ao lado da minha boneca.
Muito obrigada pelos elogios, Jaciana! Tem dias que fico inspirada e me dá vontade de escrever esse tipo de texto.. E ultimamente ando assim, nostálgica. Ah, é o máximo quando eles falam “mamã”, né? Beijos e aproveita bastante a tua filhota!
Que lindo! concordo com a Gabriela deixarei guardado seu texto! Me vi nas tuas palavras! Beijos
Obrigada, Natassha! Beijos.
Ah! Nem me fale de saudades… esse mês trocamos o quarto do Pedro… saíram os móveis de bebê e entrou um quarto de menino. Paredes pintadas de um azul mais vibrante… e foi tudo embora, até a cadeira de amamentação que muito mais serviu para embalar meus anjinhos.
Luíza já tem 7, Pedro faz 5 esse ano e. definitivamente, não tenho mais bebês.
As únicas coisas que sobraram são o nana (travesseirinho para o chamego de dormir) e a mamadeira.
Nessas horas entendo algumas fotos que tirei… de pés fofos sem calçados, com alguns calçados que adorava, caretas, momentos eternizados, pq a memória da gente vai falhando.
Junto com toda essa saudade, vem um medo… pq o que eu sabia até ontem já não é mais tão necessário, preciso aprender coisas novas, pq as demandas são outras… Luíza já tem dilemas na escola e por aí vai.
Então, Raquel eu complementaria a tua frase com… “Ser mãe é sentir saudades e estar em plena transformação”.
Bjs e ótima semana.
Oi, Sílvia! Pois é, tu tens razão… Não posso nem imaginar como serão os meus filhos com 5 e 7 anos! Eu também fotografo tudo, tudinho. Cada ângulo, roupa, sapatinho que eu quero guardar na memória. Eles brincando, os brinquedos preferidos, eles com os amiguinhos, eles dormindo… Ah, e sabes que o Frederico sempre usou um cheirinho (paninho) para dormir, junto com o bico, e agora que largou o bico não quer mais saber do paninho, mesmo eu dizendo que ele pode continuar fazendo parte da rotina do sono dele. Acho que para o meu filho, uma coisa está vinculada à outra. Me dá uma peninha de ver esses objetos ficando para trás! Mas é a vida, né? Como tu disseste, em constante transformação. Beijo.
Adorei… Fica cada vez melhor… Este dia fiquei com saudade da barriga…
Dani, sinto mais saudades deles bebezinhos do que da minha barriga. Fica cada vez melhor, sim, mas mesmo assim sinto saudades de momentos deles que já ficaram no passado! Beijos.