A autonomia e a teimosia andam de mãos dadas

Embora seja mãe de segunda viagem, estou aprendendo muitas coisas novas com a Valentina. Minha filha tem personalidade muito, muito diferente da do irmão, o que está fazendo com que meu marido e eu tenhamos que reaprender. Reaprender a educar, a contemporizar, a ter paciência, a dar limites.

Acontece que a Valentina, com 1 ano e 8 meses, quer fazer tudo sozinha, é independente, quer determinar as regras do jogo. Percebo que os “terrible twos” chegaram antes para ela. Minha menina sempre teve personalidade forte, muito amorosa e muito teimosa ao mesmo tempo, dramática e passional na maior parte das vezes (afinal, é leonina, né?). E isso se traduz em quê, agora que estamos chegando perto dos 2 anos? Em birras, claro.

Não aceita de jeito nenhum que a gente dê a comida para ela, quer segurar os talheres o tempo todo, quer abrir a geladeira e pegar sozinha o próprio lanche, quer escolher roupas e sapatos (e colocá-los à sua maneira), quer desenhar pela casa inteira, muitas vezes não quer trocar a fralda, tira o cinto da cadeirinha do carro, grita, esperneia quando não consegue o que quer.

E agora, o que fazemos???

Recorri à minha “biblioteca”, e estou relendo o livro A criança mais feliz do pedaço, do Dr. Harvey Karp (já falei dele aqui). Já comecei a aplicar as técnicas dele, com alguns resultados até o presente momento. Tenho conversado com outras mães, pesquisado, perguntado: como tornar obediente uma menininha que quer ter autonomia, que tem personalidade forte e que, além disso tudo, é SEGUNDA FILHA?

Sim, porque cada vez tenho mais certeza de que a ordem de nascimento influencia completamente no comportamento e na personalidade das pessoas. Coitados dos filhos mais velhos, como somos eu e o Frederico… Sempre seguindo regras, obedecendo, esperando permissões. Com o segundo filho, quem dita o ritmo são eles mesmos: afinal de contas, se o Frederico só foi apresentado à canetinha hidrocor com 2 anos e ao patinete com 3 anos, a Valentina convive com isso e muito mais desde bebezinha. E quer explorar todas essas maravilhas, claro. Quer usar e abusar, quer fazer tudo o que o irmão faz, quer comer o que ele come… Não é à toa que os segundos (e terceiros, quartos) filhos são muito mais “descolados” na vida adulta! Eles já encontram as portas abertas desde que nascem…

São tantos desafios pelos quais estou passando agora, que nem daria para enumerar todos aqui. Birras, choros, brabeza, muita “arte” em casa…

Em compensação, tenho uma filha MEGA carinhosa, sorridente, esperta, cheia de vida e simpática (quando não está brava, claro).

E aí, o que se faz numa situação dessas??? “Terrible twos” antecipados é pra matar!!!

Ah, e para quem aí estiver pensando que o problema é meu, que sou eu que não sei dar limites nem educar, até aceito a crítica, mas confesso que, quando tinha só o Frederico, que é uma criança super tranquila, madura e educada, eu também costumava pensar assim sobre as mães de crianças que eu via fazendo birra por aí. Entretanto, cada criança é um indivíduo, e vejo hoje como é difícil educar uma personalidade “animada” como a da Valentina, segundo a classificação do Dr. Harvey Karp – com padrões imprevisíveis de comportamento, grandes altos e baixos, apaixonada e que não desiste NUNCA.

Pois eu também não vou desistir. Seguirei sempre tentando educar e dar limites para torná-la mais paciente, obediente e cooperativa (parafraseando a capa do livro citado).

Write a Comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *