A Saga do Sapato Social

No final de outubro passado, o avô do meu marido (bisavô do Frederico) fez uma festa para comemorar seus 90 anos de vida – o que não é para qualquer um, né, gente?!

Pois bem, como era uma festa de traje social, meu filho teria que ir vestido de acordo. Eu tinha comprado para ele, em Miami (paraíso das compras), uma roupa social muito lindinha, composta de calça e colete risca-de-giz, mais camisa social e gravata. Bom, então tínhamos tudo menos… o sapato!!!

Foi então que minha saga começou. Mais ou menos um mês antes da festa, iniciei a procura nas lojas de Porto Alegre. Primeiro, fui em todas as lojas onde costumo comprar roupas e sapatos para o Frederico. Não encontrei nada, a não ser “sapatênis” pretos, que de sociais não tinham nada. Em todas as lojas, a resposta era a mesma: “a gente costumava trabalhar com esse tipo de sapato, mas como não tinha saída, não trabalhamos mais”. O que me fez pensar também: puxa vida, como hoje em dia se usa pouco roupa social, antigamente as pessoas se arrumavam bem mais…

Resolvi, então, procurar nas lojas de meninos maiores, tipo Brooksfield Jr. e VR Kids, que eu sabia que trabalhavam com trajes sociais, e, por conseguinte, sapatos adequados a essas roupas. Realmente, essas lojas têm sapatos sociais pretos lindos, iguaiszinhos aos de adulto, mas só a partir da numeração 23, e meu filho na época calçava 21. Quase pensei em comprar grande e encher a ponta com algodão!

Fomos ao Rio de Janeiro no feriadão do Dia das Crianças, e pensei que lá fosse ser mais fácil achar o bendito sapato. Percorri todas as lojas dos shoppings Rio Design e Leblon, além das lojas de rua de Ipanema e Leblon. Até achei um sapato social na Chicletaria, só que era BEGE (!). A vendedora me informou que, como no Rio faz muito calor, não se usa sapato preto, só bege. Coisas de cariocas… Fui também, por indicação de uma amiga, na Pé de Dragão, que realmente é uma loja que tem muuuitas opções de calçados infantis, mas o sapato social, adivinhem só – estava em falta!

Voltei para Porto Alegre de mãos abanando, e já preocupada, pois nessa data já faltavam apenas 15 dias para a festa. Apelei, então, para minha mãe, que mora no interior. Ela me disse no telefone: “aqui é certo que vou achar, esse tipo de coisa em cidade pequena é bem mais fácil”. Mas que nada, a coitada da minha mãe procurou, procurou, e não viu nem sombra do tal sapato social.

A essas alturas do campeonato, toda a minha família e amigos já estavam sabendo do “drama do sapato”. Minha cunhada, então, me avisou que havia aberto uma nova loja especializada em sapatos infantis em Porto Alegre, a Poá Calçados. Liguei para lá, e a moça que atendeu me disse que eles iriam, sim, vender sapatos sociais para meninos, mas os benditos sapatos ainda não tinham chegado porque estavam em falta na fábrica (!). Aiaiaiai, meu problema não tinha fim! E já faltava só uma semana para a festa!

Foi quando, num momento de quase desespero, tive um lampejo de sabedoria, e lembrei da loja Lione, onde eu havia encomendado a roupinha social que o Frederico usou no casamento da minha irmã, quando ele tinha 4 meses. Liguei para lá e a moça me disse que tinha, sim, sapato social do tamanho do pé do meu gurizinho, só que era AZUL MARINHO. Mesmo não sendo o preto que eu queria, peguei o carro e me mandei para lá, afinal de contas, azul marinho e preto não são primos tão distantes assim… Só que, quando cheguei na loja, vi que o azul nem era bem marinho – era um azul claro demais, vivo demais. Murchei. Mas, então, ao olhar as prateleiras da loja, achei um mocassim todo preto, de pelica, de uma coleção mais antiga da Tip Toey Joey (marca que eu adoro, e os pezinhos do Frederico amam). Perguntei se tinha tamanho 21, e adivinhem: TINHA!!! Salva aos 45 do segundo tempo!!!

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