As metas passam pelo balão de festa

Vocês lembram do jornalista Alecs Dall’Olmo? Ele é casado com uma grande amiga minha de infância, a Márcia Munhoz, e pai da graciosa Manuela, de 3 anos. Já publicamos um texto lindo que ele escreveu sobre a filha, o Vem dançar!, e agora ele nos brinda mais uma vez com um texto super sensível e inteligente sobre o desenvolvimento da filhota. Confiram:

É entrar no carro e o pedido ganha volume: papai, liga a música do Eu fiz um rock pra você, da canção Consumado, de Arnaldo Antunes. Canta plena de entusiasmo, com os braços dançando no ar e se movendo no que permite o cinto. Só fica muda em uma parte que entra uma frase para assovio. Ela logo emenda: eu não consigo ainda; também não consigo fazer assim (estende a mão e pressionando os dedinhos em uma tentativa de produzir um estalo). O ainda me chama a atenção. E segue: quando for maior vou conseguir, né? Passado o momento de dois “eu não consigo ainda”, Manuela, minha filha de 3 anos, segue o baile do “tá consumado” do Sr. Antunes versão na cadeirinha do carro. Outro que tem espaço garantindo é Tim Maia, principalmente depois que Manu decobriu que ele fez uma canção só para as princesas cantarem. Lembram da versão ao vivo de Dia de Domingo? Tim abre a voz para pedir ajuda para elas cantarem a primeira parte com um clássico “alô princesas…”. Manu adora cantar Dia de Domingo todos os dias, mas eu só posso cantar na segunda parte. Ou seja: “primeiro as princesas”. Foi em meio das cantorias que a minha princesa passou a definir e propor algumas metas. Certo dia me olhou com ar grave, pegou o violão e disparou: quando eu for só um pouco maior quero tocar violão sozinha. A lista inclui, claro, conseguir assoviar e estalar os dedos para acompanhar as músicas. Mas há metas com diferentes prazos e desafios variados como aprender a surfar. Podem acreditar. Dia desses ela saiu com essa: vou fazer aula de surfe quando chegar a praia de novo. Mas antes do encontro com o mar quer conseguir cortar papel com a tesoura rosa sem rasgar a folha, colar sem que a cola grude nos dedos (até hoje não consegui, ainda mais quando é ‘superbonder’), quer correr com a bola quicando na mão várias vezes. Também quer ir para São Paulo (não me perguntem os motivos, mas vez ou outra vem o papo de São Paulo), quer andar com cachorro na guia sem ela ficar puxando, quer ficar segurando um peixe na mão (mas ele tem que ficar vivo), quer levar o Tubiano (um cavalo) e a Pixinguinha (uma égua) para passearem em Porto Alegre. Manu ama cavalos. E andar sozinha neles nunca foi uma meta. Na primeira vez subiu com a mãe e logo ressaltou: desce que vou sozinha. E foi (para a minha tensão máxima). Monta, segura na sela com uma das mãos e com a outra vai soltando as rédeas para sair no trote manso pelo campo (pelo menos é dentro do cercado). Também quer não ter tanto medo de galinhas. Mas o que mais planeja foi confidenciado dias atrás: “quando eu crescer mais vou conseguir encher balão sozinha para as festas”. É preciso estar mais do que preparado para o discurso dos nossos pequenos. E nunca estaremos o suficiente, pois encher ou não um balão de festa pela vida faz toda a diferença.

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