Daniela Schneider fala sobre fobias

A fobia se caracteriza por um medo excessivo, ligado à presença ou previsão de se defrontar com o objeto ou situação temida (estímulo fóbico). Envolve um temor não justificado, frequentemente levando a evitação do contato com o estímulo fóbico. Em algumas situações a presença do objeto pode ser tolerada, embora com acentuada ansiedade. Quanto ao estímulo fóbico, este pode envolver animais, situações do ambiente natural, dentre outros.

A que estão ligadas as fobias infantis?

A fobia infantil está ligada a um medo irracional acerca de objetos ou situações circunscritas. Nas crianças, diferentemente do que ocorre com adultos e adolescentes, o caráter irracional e excessivo do medo pode não ser reconhecido.

Em termos de desenvolvimento da fobia, normalmente se destacam três caminhos: (1) a experiência direta, através da qual o indivíduo vivencia alguma situação ameaçadora envolvendo o objeto ou situação em questão; (2) a experiência indireta, por meio da qual se observa este comportamento exagerado em outras pessoas e, por último (3) o aprendizado por informação e instrução, o qual se dá no contato com histórias e informações negativas relacionadas ao estímulo fóbico.

Como identificar a criança que tem fobia? Como perceber que a criança não tem apenas medo, tem fobia em relação a algo?

A criança que tem fobia tende a apresentar intenso comportamento de evitação, esquivando sistematicamente das situações e/ou objetos temidos. Além disso, apresenta elevada ansiedade antecipatória diante da possibilidade de se deparar com o objeto ou situação. Diferentemente dos medos comuns de determinadas faixas etárias, os medos fóbicos persistem por longo tempo e causam um grande impacto na vida do indivíduo.

Quais são as fobias infantis mais comuns?

A fobia referente ao ambiente natural, como é o caso de medo de chuva, está entre as mais frequentes.

Como as fobias podem ser tratadas?

As fobias são tratadas através de psicoterapia, envolvendo, normalmente, estratégias que incluem a exposição ao objeto ou à situação temida. Esta é a principal estratégia utilizada no manejo de medos e ansiedades, denominada dessensibilização sistemática. Claro que para isto, a criança precisa estar compreendendo o funcionamento do seu transtorno, bem como já ter desenvolvido recursos para lidar com seu medo. Dentre estes recursos destacam-se a identificação e avaliação de pensamentos, assim como o aprendizado do relaxamento. A Terapia Cognitivo-Comportamental tem sido apontada como o tratamento de escolha no caso das fobias específicas.

Alergia à proteína do leite de vaca? Gastro-pediatra responde as principais perguntas

Gastro-pediatra Cristina Targa Ferreira Responde

É comum a criança ter alergia à proteína do leite?

As alergias aumentaram muito no mundo atual. A asma, as rinites, a dermatite atópica e as alergias alimentares estão cada vez mais comuns.

Entre as alergias alimentares, a alergia à proteína do leite de vaca é

a mais comum, pois a proteína do leite de vaca é uma das primeiras proteínas que o bebê entra em contato na vida. Além disso, as alergias alimentares ocorrem com maior frequência no primeiro ano de vida, pois o intestino do bebê, ainda imaturo, não se protege adequadamente contra a presença de proteínas “estranhas” (não humanas).

Existem dois tipos de alergia: aquela imediata, que ocorre nas primeiras duas horas após o contato, e a alergia tardia, que dá mais sintomas intestinais e que pode ocorrer até 72 horas após o contato com a proteína desencadeadora.  A alergia imediata é mais frequentemente constatada pelos alergistas e a tardia, mais pelos gastro-pediatras.

É mais comum que isso aconteça se o leite for materno ou de vaca?

É mais comum com leite de vaca, ou seja, é mais frequente nas crianças que tomam fórmulas e não leite materno. O leite materno parece proteger contra as alergias e, principalmente, contra as alergias mais graves.

Entretanto, é importante saber que a proteína do leite de vaca passa através do leite materno e, por isso, crianças que são amamentadas também podem ter alergia à proteína do leite de vaca. O que nunca acontece é alergia ao leite materno.

O leite de vaca, integral, não deve ser usado no primeiro ano de vida, pois não é adequado para bebês por ter excesso de algumas substâncias como, por exemplo, gordura e proteína.

O leite de soja pode ser usado como leite substituto? Quais suas vantagens?

As fórmulas de soja não estão indicadas nos primeiros seis meses de vida, pois nessa idade, a quantidade de leite que o bebê ingere é muito grande e a soja possui hormônios fitoestrógenos. O mais indicado para as crianças que não mamam no seio é utilizar as fórmulas especiais para alergia, que se chamam fórmulas hidrolisadas ou fórmulas de aminoácidos.

Para as crianças alérgicas à proteína do leite de vaca e que mamam no seio materno, está indicado à mãe fazer dieta sem leite de vaca e/ou derivados, e o bebê deve seguir mamando no peito. Não suspender a amamentação é muito importante. A dieta é bastante difícil e na maioria das vezes as mães precisam de acompanhamento da nutricionista.

Além disso, como a soja também é uma proteína não humana,  pode causar alergia e isso não é infrequente.

A soja, então, está indicada para as alergias imediatas (aquelas que são mais graves e acontecem nas primeiras 2 horas após entrar em contato com a substância alergênica) ou depois dos 6 meses de vida.

Como identificar se o filho tem alergia à proteína do leite? Quais sintomas ele pode apresentar?

Os sintomas principais são sangue nas fezes, dor e choro importantes, cólicas, diarreia, constipação, outras alergias, tipo dermatite atópica e alergias de pele no bebê nos primeiros meses de vida. A criança que apresenta vômitos e/ou diarreia logo após tomar sua primeira mamadeira ou que apresenta lesões de pele também pode ter alergia alimentar, só que imediata.

Quais testes podem ser feitos pelo médico para ver se a criança tem esse problema?

Para essas alergias mais comuns não existem exames laboratoriais. O diagnóstico é clínico, ou seja, se retira a proteína do leite da dieta e se observa se o bebê melhora. Depois de 2 a 4 semanas, coloca-se o leite na dieta (da mãe ou do bebê) e verifica-se se os sintomas retornam, ou não.

No caso das alergias imediatas – aquelas que se apresentam nas primeiras duas horas, após consumir o leite (ou a proteína que causa alergia) e que se apresentam como manchas na pele, vômitos e diarreia imediatos, há exames de sangue que podem ajudar, mas também não são 100% seguros. Esses exames “ajudam” no diagnóstico, mas sozinhos também não são confiáveis. É necessário haver clínica, ou seja, sintomas que melhoram com a retirada e pioram com a reintrodução.

Como evitar o problema?

Na verdade, o maior fator de prevenção é o aleitamento materno.

Outro fator importante é não dar fórmulas de leite de vaca na maternidade. Deve-se dar para aquelas crianças que são grupo de risco (que têm pais ou irmãos alérgicos) fórmulas hidrolisadas na maternidade.

Muitas crianças precisam receber um pouco de fórmula quando nascem, porque não baixou o leite materno ainda, ou porque fazem hipoglicemia. Nesses casos é que se deve dar fórmula hidrolisada, se essas crianças forem do grupo de risco (que têm pais ou irmãos alérgicos).

A mulher que está amamentando precisa ter quais cuidados com a alimentação?

Só se o filho for alérgico. Os estudos não demonstram benefício em tirar leite das mães que os filhos não têm alergias ou que não têm sintomas para prevenir.

Outro problema é que existem muitos credos populares de que a mãe que amamenta não  pode comer muitas coisas. Na verdade, o que não pode é a proteína causadora da alergia, se o bebê é alérgico. As mães devem ter muito cuidado, evitando excluir muitos itens da alimentação e incorrendo, dessa forma, em uma dieta inadequada. A mulher que amamenta precisa comer adequadamente. Isso é muito importante para a boa amamentação.

Existe tratamento para o problema?

Sim. O tratamento é a retirada da proteína que causa alergia da dieta. Com isso, o bebê tem tempo de amadurecer seu intestino e ficar tolerante. Ou seja, a alergia alimentar é, na maioria das vezes, temporária, vai passar com o tempo de amadurecimento da criança. Em geral, quase todas as crianças vão ficar tolerantes, ou seja, vão poder tomar leite com o passar do tempo. O tratamento –  retirada da proteína agressora – é importante para o intestino poder se recuperar e ficar tolerante.

Se não tratarmos e a criança permanecer sangrando, por exemplo, essa criança pode ficar com mais alergias e piorar cada vez mais.

Com o tempo, o sistema imunológico da criança desenvolve tolerância à proteína do leite?

Exatamente, com o tempo o sistema imunológico da criança desenvolve tolerância à proteína do leite ou à proteína que causa alergia. Com a exclusão da proteína agressora da dieta, o intestino se recupera e se fortalece, para poder enfrentar essa proteína posteriormente.

Uma mãe que tem filho com alergia à proteína do leite tem maiores chances de ter outro com o mesmo problema ou não há relação?

Sim. O maior “fator de risco”, como nós chamamos, é ter  irmão, ou o pai, ou a mãe alérgicos. Se ambos forem alérgicos, a probabilidade é ainda maior. Esses bebês que têm familiares de primeiro grau alérgicos são os que vão ter maior risco de ter alergia também.

Alergia à proteína do leite é a mesma coisa que intolerância à lactose?

Não. São duas coisas bem diferentes. O maior erro que se vê por aí é dizer que a criança tem “alergia à lactose” – isso não existe!

A lactose é o açúcar do leite e não causa alergia. Tem muita lactose no leite materno e nenhuma criança se torna intolerante ao leite materno.  A intolerância à lactose é um fenômeno de pessoas mais velhas, em geral, adultos. É a falta de uma enzima, chamada lactase, que ocorre nos adultos. Como somos mamíferos, nascemos com muita lactase e só vamos desenvolver a intolerância bem mais tarde na vida, quando vamos perdendo essa enzima. As crianças só tem intolerância à lactose quando, por uma lesão intestinal extensa, perdem essa enzima. Isso ocorre nos casos de doenças, como as gastroenterites graves, por exemplo.

Já a alergia é um fenômeno diferente, em que há formação de anticorpos. As células de nossa defesa (linfócitos, por exemplo) têm memória e cada vez que entra a proteína alergênica no nosso corpo, elas se “lembram” e atacam essa proteína, formando anticorpos contra ela. Isso é uma reação imunológica, bem diferente da que ocorre na intolerância à lactose.

Então, alergia é mais comum no primeiro ano de vida e é contra a proteína, sendo um fenômeno imunológico, com anticorpos.  A intolerância é contra o açúcar do leite (lactose), ocorre por falta de uma enzima, principalmente nos adultos. São dois fenômenos diferentes, que ocorrem em idades distintas e contra moléculas diferentes.

UPDATE:

Gurias, como as perguntas não param de chegar, a Dra. Cristina vai dar uma resposta geral para todas.

“Paula, vou dar uma resposta geral e tu postas, pois são muitas perguntas e muitos detalhes. beijo Cristina.”

A alergia à proteína do leite de vaca é um fenômeno da imaturidade, portanto dos primeiros meses de vida. Alguns pacientes seguem com alergia até mais tarde na vida (3 ou 4 anos), mas todos vão se tornar tolerantes, ou seja, um dia vão tolerar o leite.
A soja é a segunda proteína mais alergênica, depois do leite de vaca. Muitos fazem alergia TAMBÉM à soja, que também é transitória.
O que acontece é essas crianças são alérgicas, vão apresentar outras alergias, tipo de pele ou respiratórias.
Mas, nem sempre essas outras alergias estão relacionados aos alimentos. Isso acontece nos primeiros meses de vida, depois eles “trocam” de alergia. Ou seja, depois de 1 ano de idade, as crianças têm outras aelrgias que NÃO tem nada que ver com as comidas. Essas alergias são relacionados a coisas de contato (pele) e a polens ou mudanças  de temperautra (respiratórias).
O diagnóstico é clínico, ou seja, tira o leite e melhora. Coloca o leite de novo e piora.
Nã existe exame bom para isso. A ecografia NÃO é um bom exame para isso, pois além de não existir padrões de normalidade, depende do “olho” do ecografista.
A intolerância à lactose é outra coisa diferente. Tem a ver com falta de uma enzima (LACTASE), que acontece mais nos adultos e não em bebês. Não é uma reação alérgica!”