Método Nana, nenê

Por sugestão da leitora Nurit Masijah Gil, vamos abordar hoje mais um assunto que dá muito pano para a manga: o método Nana, nenê, baseado no livro de mesmo nome dos autores Eduard Estivill e Sylvia de Béjar.

Eu já ouvi falar muitas coisas a respeito do Nana, nenê. Para algumas crianças funcionou muito bem; para outras, funcionou por um tempo e depois os problemas de sono voltaram; e para algumas, foi um completo desastre, causando traumas profundos.

metodo Nana, nenê

O sono das crianças é mesmo um assunto complexo. Que mãe e pai nunca foram tomados pelos desespero nas madrugadas insones de seus filhos? Não existe no mundo criança que não tenha dado um “baile noturno” nos pais pelo menos algumas vezes na vida… Na verdade, pelo que ouço, a maioria das crianças pequenas não dorme noites inteiras. E nós sabemos bem o quão desgastante e cansativo é esse processo de ensinar uma criança a dormir – chega uma hora em que os pais estão tão exaustos que acabam “metendo os pés pelas mãos”, brigando, apelando para qualquer método ou simpatia que ofereça uma possibilidade de seu “anjinho” dormir várias horas seguidas…

 

Acho que já contei aqui que o Frederico é uma criança que sempre dormiu razoavelmente bem. Até os 5 meses de idade acordou de madrugada para mamar. Depois disso, apenas choramingava quando perdia o bico – era só alcançar o “bibi” que ele seguia dormindo. Mas, lá pelos 9 meses de idade, ele começou a acordar muitas vezes durante a noite, requerendo a nossa companhia. Demorava para pegar no sono de novo. Resultado: eu e meu marido andávamos que nem zumbis, exaustos. Até que teve um dia, nunca vou esquecer, era um domingo e eu não aguentava mais dormir “picadinho” e ficar fazendo o meu filho dormir de madrugada. Fui até a Livraria Cultura e comprei o tal do Nana, nenê. Li o livrinho todo num tapa (são só 145 páginas), e me decidi a aplicar o método no Frederico a partir daquele dia, sonhando com noites inteiras de sono. Falei para o meu marido, que na mesma hora me proibiu. Disse que não admitiria fazer isso com o nosso filho, que poderia ser traumático, que tinha pena… Enfim, já perceberam que aqui em casa o coração de manteiga é o pai e não a mãe, né? Nesse mesmo domingo, então, o Rodrigo conversou seriamente com o Frederico e explicou que a mamãe queria fazer “uma coisa horrível com ele”, mas que não faríamos isso se ele começasse a dormir direitinho. Meu filho olhava o pai atentamente com seus olhos bem abertos, com cara de quem estava entendendo tudo. E o pior é que entendeu mesmo… Acreditam que, a partir desse dia, o Frederico passou a dormir a noite inteira sem chorar??? Dez horas seguidas de muita paz e tranquilidade… O único porém é que, até hoje, ele não pega no sono sozinho – mesmo com 2 anos e 7 meses, precisamos fazê-lo dormir sempre. Sei que foi um erro nosso, e com a Valentina estou tentando fazer diferente – coloco a minha bebezinha no berço, e fico sentada por perto esperando ela dormir, mas nunca a nano no colo. Ela parece que já se acostumou com isso. Vamos ver se vai funcionar…

O que é o Nana, nenê método

Mas, afinal de contas, no que se baseia o Nana, nenê? Basicamente, consiste em educar o hábito do sono para que a criança adormeça sozinha, pois assim, se ela despertar durante a noite, saberá dormir novamente sem a ajuda de um adulto (no caso, o pai e a mãe cansados, rsrs).

Deve-se, segundo o livro, criar um ritual da hora do sono, colocar a criança no berço, explicar para ela que o papai e a mamãe vão esperar fora do quarto, dar boa noite e sair. Parece simples, né? Mas é claro que a criança vai chorar, pois está acostumada a ter companhia para dormir. Então, começa a história do choro controlado: os pais devem entrar no quarto a intervalos regulares para dizer para a criança que estão por ali, dar confiança, e então sair novamente. Essa rotina deve durar uma semana, da seguinte forma: no primeiro dia, da primeira vez, espera-se 1 minuto de choro até entrar no quarto; depois espera-se 3 minutos, depois 5 minutos, e assim por diante, até que no sétimo dia deve-se deixar a criança chorar sozinha por até 17 minutos. Já pensaram que terror deve ser isso?

Sei de crianças que choraram a noite inteira, se desesperaram, arrancaram os protetores de berço, se machucaram… Já ouvi mães contarem que comeram barras e mais barras de chocolate enquanto ouviam os berros dos seus filhos. Algumas mães me disseram que, após de uma semana ou mais de choro, os filhos aprenderem a dormir sozinhos e não acordar durante a noite, mas alguns meses depois tiveram recaídas. Poucas me disseram que obtiveram sucesso permanente com o método.

No verão passado, encontrei no clube que frequentamos uma mulher que tinha uma filha de 5 anos e um bebê de 6 meses. Eu estava grávida, tomando banho de piscina com o Frederico, e ela me disse que gostaria de me dar um conselho: para que eu NUNCA usasse o Nana, nenê com meus filhos, pois ela havia feito isso com a filha mais velha, e a menina desenvolveu vários problemas psicológicos por causa disso, pois ficou com sensação de abandono e falta de confiança nos próprios pais, necessitando de terapia desde os 2 anos de idade. E, ainda por cima, mesmo com 5 anos, não dormia direito. Relato para fazer os defensores do método refletirem, não é mesmo?

Lições do método

Sabem o que eu acho? Que devemos, sim, tentar ensinar nossos filhos a dormirem sozinhos, mas sempre transmitindo muito carinho e confiança. O Frederico, quando era bebê, eu nanava no colo, sentada numa poltrona. Com a Valentina, a história está sendo diferente. E percebo que ela prefere pegar no sono sozinha no próprio berço do que no colo, pois a acostumei assim. Mas meu coração de mãe não permite deixar um filho chorando sozinho… Pode ser que eu esteja errada, mas prefiro dar atenção e ter um pouco menos de tempo para mim do que incutir traumas nos meus filhos.

E vocês, já aplicaram o Nana, nenê? Obtiveram sucesso? Seus filhos dormem bem? Têm dicas para o bom sono das crianças? Participem nos comentários desse post!

Por Raquel Guindani

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