O rol das perdas

Minha conversa será curta, hoje, porque é mais uma proposta de reflexão do que uma coluna comum. Na madrugada do último sábado, a labradora Maricota morreu, devido a problemas no fígado. Manu estava na sala quando recebemos a notícia e ficou profundamente magoada, chorou, lembrou de episódios com a Maricota. Sofreu a perda. No ano passado, perdemos dois filhotes no parto de nossa cachorrinha Shi-tzu. Manu sofreu e realizou uma cerimônia de adeus àquela que ela havia batizado de Fofurinha, que nunca nem chegou a respirar. No ano passado, também Manu perdeu sua bisa repentinamente. Até hoje, conversa com ela e lembra que ela está presente em momentos como na ceia de Natal.

Lembrei da tal propaganda em que o peixe morre e os pais substituem por outro no aquário sem que a filha saiba. Há perdas que podemos (ou devemos?) contornar. Não sou a favor de expor as crianças a todas as agruras do mundo desde cedo. Nós, pais, tendemos a protegê-las das perdas e frustrações. Devemos? Até quando? Mas a vida nos apresenta situações em que não é possível simplesmente contornar um acontecimento de perda. Muito menos diante de uma criança de sete anos. O luto dói, mas ensina. Em que medida? Não sei precisar. Acho que não devemos dar às crianças uma carga de informações que elas não tenham idade de suportar. Mas não gosto da ideia de criar iglus emocionais.

E vocês, como lidam com as perdas diante dos filhos?

Um beijo contemplativo,

Milena

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