Jogo da vida

Santiago, meu filho, hoje é teu aniversário. Teu terceiro aniversário! Há meses esperas por essa data, não é mesmo? Chegou a hora de comemorarmos! Proponho um brinde a todas às nossas conquistas nesses 3 anos e 9 meses. Vamos fazer um tim-tim e relembrar alguns momentos?

Tu sempre foste surpreendente. Desde a concepção. Mamãe engravidou com apenas dois meses de casada. Não tivemos lua-de-mel. Isso porque semanas antes do nosso casamento, o teu pai pegou uma forte pneumonia, foi hospitalizado e chegou a passar por cirurgia. Quase que fico viúva antes de subir ao altar… Já pensou? Não gosto nem de imaginar… E tu não serias órfão, não, tu simplesmente não existirias. Credo, que papo deprê para dia de comemoração, não é não? Já já vamos mudar de assunto, mas para garantir, deixa eu bater três vezes na madeira aqui para não dá azar. SALDO DO JOGO: vitória do Santiago. Entrou em campo sem sequer ser escalado.

Foi experimentando o vestido que usaria na formatura em arquitetura da Nathalia, tua dinda, que percebi que o meu corpo estava diferente. A pouca cintura que tenho desapareceu e os seios, que já são grandes, ficaram ainda maiores. No dia seguinte, o teu pai comprou um teste de farmácia. Não tive coragem de fazer na hora. Deixei para a manhã do outro dia. O resultado já dá para imaginar, né? Positivo!!! Na mesma hora em que soube, acordei o André. Fiz uma cena bem dramática, daquelas dignas de novela mexicana, sabe? Morrendo de medo de tudo o que estaria por vir… Mal sabia eu que a minha vida estava começando, para valer mesmo, naquele instante…

Como sabes, a festa de casamento conseguimos manter na data prevista, mas a viagem precisou ser adiada. Só não contávamos que semanas mais tarde receberíamos a visita da cegonha, o que fez com que mais uma vez tivéssemos que rever nossos planos. Tivemos uma “lua-de-melda” a três, quando eu já estava com 25 semanas de gestação. E, por favor, sem aquele papo de que grávida também pode ser sexy. Uma coisa definitivamente não combina com outra. Até porque eu estava em forma. Em forma de barril. Hahaha. Engordei muito. Muito mesmo. 35 quilos. Com 1,71 m passei dos 60 aos 95 kg em poucos meses. Assustador!!! E acho que só não entrei na casa dos três dígitos porque parei de me pesar antes. SALDO DO JOGO: vitória do Santiago. Em partida decisiva, controlou a eufórica torcida e apitou o jogo que terminou em zero a zero.

Faltando um mês para a data prevista para o teu nascimento, pela primeira vez o André resolveu conversar com a minha barriga antes de dormir. “Santiago, tenho um montão de coisas para te mostrar. Quero te ensinar a jogar bola, pescar, cantar, assar churrasco, andar de carrinho de lomba, fazer a barba, dar nó na gravata… Tens muitas coisas para aprender, já podes nascer, meu filho.” Naquela noite, perdi o sono. Vi o desfile das escolas campeãs do Rio de Janeiro até às 4h da manhã. E acordei pouco depois, às 6h do dia 1 de março de 2009, porque a minha bolsa tinha estourado. Avisamos os parentes e os amigos e fomos correndo para o hospital. SALDO DO JOGO: vitória do Santiago. Mostrou que não perde tempo e que escuta direitinho as orientações do técnico.

Entrei em trabalho de parto (ai, como dói), não tive dilatação e a gineco optou pela cesareana. Ufa! Depois da anestesia, foi tudo MARAVILHOSO. Consegui curtir cada minutinho ao teu lado, meu amor. É incrível mesmo o tal do instinto materno. Assistindo ao vídeo do teu parto, vi que a primeira reação foi lamber e cheirar a cria compulsivamente. Hehehe. A nossa recupeção não poderia ter sido melhor! O Hospital Moinhos de Vento parecia uma casa de festas, de tanta, mas tanta gente que foi te conhecer… SALDO DO JOGO: vitória do Santiago. Casa completamente lotada já na estréia do campeonato.

A partir de então, filhote, aqui em casa deixamos de ser um mais um. Viramos três. Construímos uma família! Construímos uma história da qual o protagonista és tu! Viramos coadjuvantes da nossa própria vida para todo o sempre, porque NADA e nem NINGUÉM é mais importante para o papai e para a mamãe do que tu, meu gurizinho. SALDO DO JOGO: vitória do Santiago. Com apenas meio sorrizinho, conquista a torcida e recebe fortes aplausos…

Não lembro quantas vezes me perguntastes nos últimos tempos quando era o teu aniversário. Talvez porque nós estejamos sempre em festas, né? Hahaha. Ainda bem que gostas de uma folia tanto quanto a sua mama. “Mãe, hoje é o meu aniversário?”, “Mãe, o meu aniversário está muito longe?”, ”Mãe, e o meu aniversário?”, “Mãe, falta pouco para o meu aniversário?” Santiago, FINALMENTE chegou o teu aniversário! E o pai e a mãe prepararam uma festa bem bonita para ti. Estou louca para ver a tua carinha… Feliz aniversário, meu amor! Parabéns pelos teus 3 aninhos. Muitas felicidades! E não esquece que estarei sempre aqui para te ajudar a encarar o jogo da vida. Ganhando ou perdendo, tu serás sempre o meu campeão. Te amo tudo! Sempre.

A parceria entre Lohan e Natália

Desde a gravidez, Natália Ferreira, 42 anos, se empenhou em nutrir não só o corpo, mas também a alma do bebê que estava carregando. Comeu muitas frutas, que ela adora. Jogou capoeira e fez yoga. E trabalhou, trabalhou, como relações públicas, até o último dia. Saiu de uma reunião para a maternidade. Mas tudo muito zen, tranquilo, como é a relação entre ela e Lohan.

O nome foi inspirado na saga do Senhor dos Anéis. Nati queria muito que o nome finalizasse com “an”, como muitos nomes de cidades do filme.

– Fui pensando… Um dia, estávamos numa meditação em grupo e eu falei “Lohan”, e o San, pai dele, disse que tinha sonhado com esse nome. Mágico! – conta Natália.

Desde a gravidez de Nati, todos que trabalham com ela estavam envolvidos com a função gostosa da maternidade. Nos shows, o Lohan, ainda dentro da barriga, já era cuidado. Quando estava para começar uma passagem de som dos artistas, e o volume seria alto, o pessoal da equipe técnica avisava. Então, para Nati, voltar ao trabalho depois do nascimento do filho foi apenas uma questão de adaptação.

Desde bebê, sempre tinha um lugarzinho reservado para o Lohan no trabalho da mamãe, assim ele começou a interagir, já se sentia parte das produções. Até hoje, e cada vez mais, Lohan vibra (e ele é pura vibração e energia boa) quando tem a oportunidade de ajudar a mãe: ele adora estar envolvido com a equipe que o adotou antes de sua estreia no mundo.

– Acredito que seja importante mostrarmos às crianças como atuam os pais no mercado de trabalho, de uma maneira leve e sutil. Ele gosta de saber dos eventos, levar material de divulgação para a escola, um amor! – conta Natália, que tem como marca registrada entre os amigos distribuir “beijos de sol” e muito amor ao final de seus e-mails.

Em um dia das mães, Lohan resolveu surpreender a Nati com um café da manhã feito por ele. Todo produzido – já que a mamãe trabalha desde sempre com produção! Era um domingo, e ela tinha que ir trabalhar. Então, os dois aproveitaram e foram juntos ao aeroporto, onde ela tinha que coordenar uma coletiva de imprensa com o Fábio Junior.

– Pedi desculpas ao artista por ter trazido o filhote, para não parecer tiete. O Fábio estava bem cansado e quieto, mas foi de uma
querideza com o Lohan e fez um cafuné nele dizendo “fala muleque”. O Lohan curtiu um monte! E, até hoje, canta todo faceiro “ você pintou como um sonho” e “As metades, da laranja, Dois amantes, dois irmãos, Duas forças, que se atraem sonho lindo de viver estou morrendo de vontade” – cantarola a mamãe.

O Lohan vibra com os projetos da Nati, que é uma das sócias do Atelier 523. A união é tamanha que, em alguns domingos, o pequeno pergunta alegremente se pode ir para o trabalho com a mãe. Lohan é um parceiro, um companheirinho, que soube, desde sempre, se adaptar à vida da mãe – e fez isso sem problemas, como reconhece Nati. Participa dos eventos, espetáculos e entrevistas, tudo dentro das regras de segurança e, principalmente, respeitando seus limites enquanto criança.

A rotina dos dois foge do comum. Ambos estudam filosofia na Nova Acrópole, cuja sede fica no Solar Palmeiro, no Centro, e Lohan se sente em casa. Quem disse que filosofar não é para os pequenos? Aliás, há muito mais filosofia na infância do que sonha nossa vã percepção de adultos. Uma das preferências de mãe e filho é o oráculo do Pão, que fala das Virtudes, das bênçãos e da abundância. É um hábito que Natália tem com a equipe do Atelier em cada novo dia e em casa. São pequenos momentos de reflexão que motivam as pessoas. “Segundos de pensamento são ouro puro”, diz Nati, uma mulher completamente solar. Iluminada.

Lohan tem 8 anos, e estuda na Amigos do Verde desde os 4. Lá, a rotina da criançada começa com a harmonização, reflexão e desejo de um dia redentor. “Eles fazem mapa mental, definem projetos a partir do consenso do grupo – prática que promove uma conexão valiosa entre escola e família e que, além de emocionar, estrutura e fortalece todos os envolvidos” conta Nati.

Super ligado em cultura, desde pequeno Lohan ama ir à Livaria Cultura. No aniversário de 4 anos, a Dani e o Alex, que atendem Natália desde que o Lohan estava na barriga, mandaram o livro do Bob Dylan de presente para ele por motoboy, mas a exigência era que ele assinasse a entrega. E foi assim a primeira assinatura oficial do Lohan. Para receber Bob Dylan em casa. Quando soube que a mãe iria trabalhar no show do cantor, o pequeno ficou super empolgado. Tanto que colocou o nome de Dylan no filhote de labrador, um dos animais da família.

O amor pelos animais também é parte importante da vida dos dois. Eles têm uma gata de 17 anos que se chama Feliz, e duas pequenas, a branca Laksmi e a preta Vitória Onix. No sítio da família ficam outros animais: os gatos Sol Dourado, a Lola Charlote e a Maya. A Amelie Pouilan é a gata que fica no Atelier. Eles também têm cachorro, a Rara Vida, uma pastora branca, e uma labradora
preta que leva o nome de Pachamama, mãe do Dylan.

– Às vezes, ele está lendo e as gatas estão todas em volta. Todos rompem aquele padrão de que gato não é carinhoso. Aprendemos muitos com as gatas. Bicho faz bem, essa é a mais pura e abençoada verdade para nós – resume Natália.

Nos finais de semana de folga, Natália costuma levar Lohan e os amigos a peças de teatro Ele já assistiu a mais de 100 produções
teatrais infantis.

O rol das perdas

Minha conversa será curta, hoje, porque é mais uma proposta de reflexão do que uma coluna comum. Na madrugada do último sábado, a labradora Maricota morreu, devido a problemas no fígado. Manu estava na sala quando recebemos a notícia e ficou profundamente magoada, chorou, lembrou de episódios com a Maricota. Sofreu a perda. No ano passado, perdemos dois filhotes no parto de nossa cachorrinha Shi-tzu. Manu sofreu e realizou uma cerimônia de adeus àquela que ela havia batizado de Fofurinha, que nunca nem chegou a respirar. No ano passado, também Manu perdeu sua bisa repentinamente. Até hoje, conversa com ela e lembra que ela está presente em momentos como na ceia de Natal.

Lembrei da tal propaganda em que o peixe morre e os pais substituem por outro no aquário sem que a filha saiba. Há perdas que podemos (ou devemos?) contornar. Não sou a favor de expor as crianças a todas as agruras do mundo desde cedo. Nós, pais, tendemos a protegê-las das perdas e frustrações. Devemos? Até quando? Mas a vida nos apresenta situações em que não é possível simplesmente contornar um acontecimento de perda. Muito menos diante de uma criança de sete anos. O luto dói, mas ensina. Em que medida? Não sei precisar. Acho que não devemos dar às crianças uma carga de informações que elas não tenham idade de suportar. Mas não gosto da ideia de criar iglus emocionais.

E vocês, como lidam com as perdas diante dos filhos?

Um beijo contemplativo,

Milena

Oficinas de verão: Lezanfan + Casa de Cultura

Certa vez eu levei a Manu para fazer a oficina de DJ da Lezanfan, comandada pela Adriana Banana. Manu tem essa pegada rock e adorou o método, as possibilidades, o contato com toda aquela aparelhagem de DJ. Todas as crianças curtiram muito. Pois o trabalho da Lu e da equipe da Lezanfan é sempre esse: inventar oficinas divertidas e culturais para a meninada.

Nestas férias, a programação de oficinas e cursos está agitada.

Na segunda-feira, dia 16, tem o oficina de Leitura na Cabana, com Táti Suarez, em que as crianças ouvem as histórias e depois praticam atividades. A oficina é para todas as idades.

Na terça, dia 17, tem Orquestra de Panelas, em que as crianças aprendem a fazer música com as panelas! Também com a Táti, para todas as idades. Na quarta, dia 18, a criançada vai fazer pinturas no muro da Lezanfan, e, na quinta, aprenderão a confeccionar bonecos articulados (a partir de 3 anos).

E, nos dias 23, 25 e 26 de janeiro, a Lezanfan promove mais uma oficina Fazendo Cineminha (a partir de 8 anos), em que as crianças criam, atuam, dirigem e depois assistem a um curta-metragem. Gostou da programação de férias? Então ligue  para  (51) 3072-7857 e faça sua inscrição.

CASA DE CULTURA MARIO QUINTANA

E ainda estão rolando várias oficinas, nos meses de janeiro e fevereiro, na CASA DE CULTURA MARIO QUINTANA.

OFICINA INFANTIL DE FÉRIAS “LIVROS BRINCALHÕES”
Às quartas-feiras, das 14h às 16h na Brinquedoteca Pé de Pilão da Biblioteca Lucilia Minssen.
Inscrições e reservas pelo fone 3225 7089.

E, ainda, o Instituto Estadual de Artes Visuais (IEAVi) oferece oficina de arte multidisciplinar para o público infanto-juvenil com a arte-educadora Adriana Xaplin na Sapato Florido. As turmas são de alunos divididos por faixas etárias de 4 a 7 anos e de 8 a 14 anos.
As inscrições podem ser feitas no IEAVi, no 2º andar da Casa de Cultura Mario Quintana. Informações pelo telefone 3216-9913 ou email ieavi@sedac.rs.gov.br.

Boas férias!

Sapo para o meu príncipe

Gurias, já estava mais do que na hora de aposentar a mochila super estilosa do Santiago, presente que ele ganhou da minha amiga antenadíssima Juliana Machado… Ela está surradérrima. Não tem condições de aguentar mais um ano letivo.

Esses dias, conversando com a Luciana Chwartzmann, da Lezanfan, ela me mostrou uma novidade que tinha acabado de chegar na loja: as lúdicas mochilas zoo. Uma mais fofa do que a outra! Fiquei tão encantada com as opções que não consegui escolher nenhuma para o Santiago.

Hoje resolvi bater o martelo. Ao receber a visita das amiguinhas Helena e Eduarda, o meu Super Homem (ele não tira essa fantasia nem no calor de 40 graus que faz aqui na praia) mudou de identidade quando as gurias disseram que eram princesas. “Mamãe, não sou Super Homem. Sou príncipe.” Então tá… Como antes dos 21 anos o meu gurizinho só vai namorar a mamãe (socorro Freud!) ficou decidido: vou comprar uma mochila de sapo enquanto ele não tem idade para dar o primeiro beijo.

A mochila de sapo já tem dono. Ninguém tasca – nem a mochila e nem o dono. Hahaha. Mas a Lezanfan ainda tem outras opções de mochilas e lancheiras de bichinhos na loja e também recebe encomendas.

Sem amigos imaginários

Lorenzo é filho único. Tem 5 anos e nunca pediu para ter irmãos. Aliás, ele pediu para não ter irmãos. Toda vez que a mãe de um colega da escola conta que está grávida ele chega e faz o mesmo comentário: “Tadinho do fulano, vai ter um irmão. Eu não quero isso!”.

Mas toda vez que ele vai dormir, quem dorme com ele? A Mana.

Sim, ele tem uma mana, e ela não é imaginária. É um dinossauro de pelúcia do filme A Era do Gelo. E ele tem um mano, que é o irmão da mana no filme. Mas eles não falam, não choram e não pedem pra dividir os brinquedos.

Eu sou filha única e nunca tive a vontade de ter irmãos. Então não posso culpar o Lorenzo por ser tão radical na vontade de ser o único. Ele aprendeu a dividir o espaço e a comida com dois cachorros, a Maria Eduarda e o Robert Rock.

A Duda, uma maltês de 7 anosm chegou antes dele nascer. Ele diz que ela é minha filha, mas não é irmã dele, afinal, ela é um cachorro.
O Bob, um shitzu de 10 meses, veio pra brincar com ele, e logo de cara eu tive que ouvir: “Eu sou o papai do Robert!”.

E assim a família ficou completa.
Ele brinca com o filho, xinga, coloca de castigo, tenta sempre dividir a comida com os cachorros e ainda dá beijinhos. E eles brigam, brincam e assim o dia se completa.

Eu vejo muito pais falarem dos amigos imaginários dos filhos. Tem pai que já sentou ou pisou no amigo sem querer.
Lá em casa os amigos são todos reais e animais.Até os insetos ganham carinho e atenção até que alguém mate por engano. E aí é um drama, que dura uns 5 minutos, mas que é o suficiente para centenas de fungadas e suspiros dolorosos.

Criar um filho e ter animais é cansativo. Tem dias em que as mordidas são maiores do que as lambidas.
Mas nunca é tedioso. Ver as crianças brincando e sorrindo é tudo que a gente espera para os nossos pequenos. E nada é mais eficiente do que ver o Bob deitado de barriga pra cima esperando um carinho do Lorenzo. A gente precisa aprender com as crianças que as maiores alegrias são feitas dentro de casa com o que faz parte do nosso dia a dia.

Às vezes nós criamos sonhos imaginários para que a vida se torne perfeita, mas para eles ela já é completa e não precisa de mais nada pra sermos felizes. É só saber curtir o que se tem, em vez de esperar pelo que não está ao nosso alcance.

Kidtropolis, um mundo de inspiração

Eu adoro decoração. Quem me conhece sabe bem disso. Gosto de inventar moda, fazer sozinha, copiar, recriar, o que for. Gosto de cores e coisas lúdicas, que não sirvam apenas para enfeitar, mas para brincar.

Um dos sites mais bacanas para se inspirar é o Kidtropolisbuild, que faz de qualquer quarto um parque de diversões. Logicamente, há projetos que só se enquadram em quartos muito grandes, o que não é uma realidade da maioria dos apartamentos modernos brasileiros. Mas o bacana não é olhar e pensar: ah, não dá aqui em casa. Mas se ater aos detalhes e, a partir deles, criar pequenos recantos inesquecíveis.

Olha que bacana esse calendário familiar gigante. Decora uma parede, é útil e lindo.

Gosto muito também desse deck com piscina de bolinhas. Claro que já exige um espaço maior, mas é uma graça e pode ser o palco de muitas brincadeiras, lanches e diversão com os amigos. E ainda tem gavetões para arrumar a bagunça dos brinquedos sem exigir uma disciplina exagerada dos pequenos.

Outra ideia de que gosto muito é esse armário com várias divisões e profundidades e no qual todas as portas têm letras.

Uma das ideias desses americanos de que mais gosto é essa porta com entrada para os baixinhos. Um bom marceneiro reproduz. Não é uma graça?

 

Alergia à proteína do leite de vaca? Gastro-pediatra responde as principais perguntas

Gastro-pediatra Cristina Targa Ferreira Responde

É comum a criança ter alergia à proteína do leite?

As alergias aumentaram muito no mundo atual. A asma, as rinites, a dermatite atópica e as alergias alimentares estão cada vez mais comuns.

Entre as alergias alimentares, a alergia à proteína do leite de vaca é

a mais comum, pois a proteína do leite de vaca é uma das primeiras proteínas que o bebê entra em contato na vida. Além disso, as alergias alimentares ocorrem com maior frequência no primeiro ano de vida, pois o intestino do bebê, ainda imaturo, não se protege adequadamente contra a presença de proteínas “estranhas” (não humanas).

Existem dois tipos de alergia: aquela imediata, que ocorre nas primeiras duas horas após o contato, e a alergia tardia, que dá mais sintomas intestinais e que pode ocorrer até 72 horas após o contato com a proteína desencadeadora.  A alergia imediata é mais frequentemente constatada pelos alergistas e a tardia, mais pelos gastro-pediatras.

É mais comum que isso aconteça se o leite for materno ou de vaca?

É mais comum com leite de vaca, ou seja, é mais frequente nas crianças que tomam fórmulas e não leite materno. O leite materno parece proteger contra as alergias e, principalmente, contra as alergias mais graves.

Entretanto, é importante saber que a proteína do leite de vaca passa através do leite materno e, por isso, crianças que são amamentadas também podem ter alergia à proteína do leite de vaca. O que nunca acontece é alergia ao leite materno.

O leite de vaca, integral, não deve ser usado no primeiro ano de vida, pois não é adequado para bebês por ter excesso de algumas substâncias como, por exemplo, gordura e proteína.

O leite de soja pode ser usado como leite substituto? Quais suas vantagens?

As fórmulas de soja não estão indicadas nos primeiros seis meses de vida, pois nessa idade, a quantidade de leite que o bebê ingere é muito grande e a soja possui hormônios fitoestrógenos. O mais indicado para as crianças que não mamam no seio é utilizar as fórmulas especiais para alergia, que se chamam fórmulas hidrolisadas ou fórmulas de aminoácidos.

Para as crianças alérgicas à proteína do leite de vaca e que mamam no seio materno, está indicado à mãe fazer dieta sem leite de vaca e/ou derivados, e o bebê deve seguir mamando no peito. Não suspender a amamentação é muito importante. A dieta é bastante difícil e na maioria das vezes as mães precisam de acompanhamento da nutricionista.

Além disso, como a soja também é uma proteína não humana,  pode causar alergia e isso não é infrequente.

A soja, então, está indicada para as alergias imediatas (aquelas que são mais graves e acontecem nas primeiras 2 horas após entrar em contato com a substância alergênica) ou depois dos 6 meses de vida.

Como identificar se o filho tem alergia à proteína do leite? Quais sintomas ele pode apresentar?

Os sintomas principais são sangue nas fezes, dor e choro importantes, cólicas, diarreia, constipação, outras alergias, tipo dermatite atópica e alergias de pele no bebê nos primeiros meses de vida. A criança que apresenta vômitos e/ou diarreia logo após tomar sua primeira mamadeira ou que apresenta lesões de pele também pode ter alergia alimentar, só que imediata.

Quais testes podem ser feitos pelo médico para ver se a criança tem esse problema?

Para essas alergias mais comuns não existem exames laboratoriais. O diagnóstico é clínico, ou seja, se retira a proteína do leite da dieta e se observa se o bebê melhora. Depois de 2 a 4 semanas, coloca-se o leite na dieta (da mãe ou do bebê) e verifica-se se os sintomas retornam, ou não.

No caso das alergias imediatas – aquelas que se apresentam nas primeiras duas horas, após consumir o leite (ou a proteína que causa alergia) e que se apresentam como manchas na pele, vômitos e diarreia imediatos, há exames de sangue que podem ajudar, mas também não são 100% seguros. Esses exames “ajudam” no diagnóstico, mas sozinhos também não são confiáveis. É necessário haver clínica, ou seja, sintomas que melhoram com a retirada e pioram com a reintrodução.

Como evitar o problema?

Na verdade, o maior fator de prevenção é o aleitamento materno.

Outro fator importante é não dar fórmulas de leite de vaca na maternidade. Deve-se dar para aquelas crianças que são grupo de risco (que têm pais ou irmãos alérgicos) fórmulas hidrolisadas na maternidade.

Muitas crianças precisam receber um pouco de fórmula quando nascem, porque não baixou o leite materno ainda, ou porque fazem hipoglicemia. Nesses casos é que se deve dar fórmula hidrolisada, se essas crianças forem do grupo de risco (que têm pais ou irmãos alérgicos).

A mulher que está amamentando precisa ter quais cuidados com a alimentação?

Só se o filho for alérgico. Os estudos não demonstram benefício em tirar leite das mães que os filhos não têm alergias ou que não têm sintomas para prevenir.

Outro problema é que existem muitos credos populares de que a mãe que amamenta não  pode comer muitas coisas. Na verdade, o que não pode é a proteína causadora da alergia, se o bebê é alérgico. As mães devem ter muito cuidado, evitando excluir muitos itens da alimentação e incorrendo, dessa forma, em uma dieta inadequada. A mulher que amamenta precisa comer adequadamente. Isso é muito importante para a boa amamentação.

Existe tratamento para o problema?

Sim. O tratamento é a retirada da proteína que causa alergia da dieta. Com isso, o bebê tem tempo de amadurecer seu intestino e ficar tolerante. Ou seja, a alergia alimentar é, na maioria das vezes, temporária, vai passar com o tempo de amadurecimento da criança. Em geral, quase todas as crianças vão ficar tolerantes, ou seja, vão poder tomar leite com o passar do tempo. O tratamento –  retirada da proteína agressora – é importante para o intestino poder se recuperar e ficar tolerante.

Se não tratarmos e a criança permanecer sangrando, por exemplo, essa criança pode ficar com mais alergias e piorar cada vez mais.

Com o tempo, o sistema imunológico da criança desenvolve tolerância à proteína do leite?

Exatamente, com o tempo o sistema imunológico da criança desenvolve tolerância à proteína do leite ou à proteína que causa alergia. Com a exclusão da proteína agressora da dieta, o intestino se recupera e se fortalece, para poder enfrentar essa proteína posteriormente.

Uma mãe que tem filho com alergia à proteína do leite tem maiores chances de ter outro com o mesmo problema ou não há relação?

Sim. O maior “fator de risco”, como nós chamamos, é ter  irmão, ou o pai, ou a mãe alérgicos. Se ambos forem alérgicos, a probabilidade é ainda maior. Esses bebês que têm familiares de primeiro grau alérgicos são os que vão ter maior risco de ter alergia também.

Alergia à proteína do leite é a mesma coisa que intolerância à lactose?

Não. São duas coisas bem diferentes. O maior erro que se vê por aí é dizer que a criança tem “alergia à lactose” – isso não existe!

A lactose é o açúcar do leite e não causa alergia. Tem muita lactose no leite materno e nenhuma criança se torna intolerante ao leite materno.  A intolerância à lactose é um fenômeno de pessoas mais velhas, em geral, adultos. É a falta de uma enzima, chamada lactase, que ocorre nos adultos. Como somos mamíferos, nascemos com muita lactase e só vamos desenvolver a intolerância bem mais tarde na vida, quando vamos perdendo essa enzima. As crianças só tem intolerância à lactose quando, por uma lesão intestinal extensa, perdem essa enzima. Isso ocorre nos casos de doenças, como as gastroenterites graves, por exemplo.

Já a alergia é um fenômeno diferente, em que há formação de anticorpos. As células de nossa defesa (linfócitos, por exemplo) têm memória e cada vez que entra a proteína alergênica no nosso corpo, elas se “lembram” e atacam essa proteína, formando anticorpos contra ela. Isso é uma reação imunológica, bem diferente da que ocorre na intolerância à lactose.

Então, alergia é mais comum no primeiro ano de vida e é contra a proteína, sendo um fenômeno imunológico, com anticorpos.  A intolerância é contra o açúcar do leite (lactose), ocorre por falta de uma enzima, principalmente nos adultos. São dois fenômenos diferentes, que ocorrem em idades distintas e contra moléculas diferentes.

UPDATE:

Gurias, como as perguntas não param de chegar, a Dra. Cristina vai dar uma resposta geral para todas.

“Paula, vou dar uma resposta geral e tu postas, pois são muitas perguntas e muitos detalhes. beijo Cristina.”

A alergia à proteína do leite de vaca é um fenômeno da imaturidade, portanto dos primeiros meses de vida. Alguns pacientes seguem com alergia até mais tarde na vida (3 ou 4 anos), mas todos vão se tornar tolerantes, ou seja, um dia vão tolerar o leite.
A soja é a segunda proteína mais alergênica, depois do leite de vaca. Muitos fazem alergia TAMBÉM à soja, que também é transitória.
O que acontece é essas crianças são alérgicas, vão apresentar outras alergias, tipo de pele ou respiratórias.
Mas, nem sempre essas outras alergias estão relacionados aos alimentos. Isso acontece nos primeiros meses de vida, depois eles “trocam” de alergia. Ou seja, depois de 1 ano de idade, as crianças têm outras aelrgias que NÃO tem nada que ver com as comidas. Essas alergias são relacionados a coisas de contato (pele) e a polens ou mudanças  de temperautra (respiratórias).
O diagnóstico é clínico, ou seja, tira o leite e melhora. Coloca o leite de novo e piora.
Nã existe exame bom para isso. A ecografia NÃO é um bom exame para isso, pois além de não existir padrões de normalidade, depende do “olho” do ecografista.
A intolerância à lactose é outra coisa diferente. Tem a ver com falta de uma enzima (LACTASE), que acontece mais nos adultos e não em bebês. Não é uma reação alérgica!”

 

Papo de mãe com Milena Fischer

Pessoal, eu e a Paula estamos muito contentes e orgulhosas em apresentar para vocês a mais nova colaboradora do Mães à Obra: a competente jornalista Milena Fischer. A partir de hoje, quinzenalmente, às segundas-feiras, será publicado um dos maravilhosos textos da Milena, falando de uma forma bem intimista sobre a maternidade. A Milena é mãe da graciosa Manuela, de 7 anos, e já foi nossa It mammy, lembram?

Tenho certeza de que vocês vão curtir os textos dela. Eu adoro a forma como a Milena escreve, sempre me faz refletir e ver as coisas por outro ângulo…Papo de mãe

Com vocês, Milena Fisher, a mais nova mãe à obra!l

Olá, leitoras e leitores. Combinei com a Raquel que este espaço seria bem íntimo, para que possamos trocar experiências pessoais. Antes de pegar no mouse, peço que escrevam, contem dramas, dúvidas, relatem acontecimentos, para que, juntas, passemos a limpo todas as delícias e os dramas da maternidade. Em todas as suas fases.

Tenho 35 anos e uma filha que acaba de completar sete, a Manuela. Sou jornalista por formação e apaixonada por literatura desde o DNA. Aos oito anos, escrevi um “livro”, a caneta, porque computadores pessoais não existiam, arranquei as folhas do caderno, com rebarbas e rasuras, e perguntei à minha mãe:

– Posso mandar para a Editora Ática (eu amava os livros da Ática)?

Minha mãe talvez soubesse que não iria rolar o meu primeiro livro publicado, mas fez o que me vejo fazendo com a Manuela hoje. Incentivou. Até mesmo porque seria uma das primeiras lições de frustrações, caso não fosse aceito pela editora. E um grande ensinamento sobre empenho e dedicação. É preciso fazer, fazer, fazer, aprender, aprimorar-se para, quem sabem, ter sucesso no que se quer fazer.

Mandamos “o livro”, que se chamava Naniquinha, a Menina que Tinha Medo de crescer, pelo correio.

Em alguns dias, chegou o dourado envelope da editora.

Gelei. E se fosse um “sim”? Mas não era exatamente um “sim, prepare-se para a sessão de autógrafos”. Era uma longa carta, que guardo até hoje, elogiando a história, agradecendo a escolha pela editora, explicando que não publicavam livros escritos por crianças e me incentivando: escreva, escreva, escreva. Quando fores adulta, estarás pronta para publicar.

Adorei a carta e a guardo nos meus alfarrábios.

Mesmo antes de nascer, minha filha Manuela se desenvolveu nesse meio de letras e páginas. Eu lia histórias para ela quando ainda estava grávida. Desde muito pequena ela gostava de mexer nos livros e ficava atenta às ilustrações. Foram vários que ela mordeu, rasgou páginas, pediu que lesse para ela. Até meados desse ano. Não sei bem o dia em que me dei conta que ela passou a ler apenas “com os olhos”. E pulou, com curiosidade histórica, para o volume A Bíblia para as Crianças (235 páginas com poucas ilustrações). Depois veio Pipi Meia Longa, Judy Moody, O Ladrão de Sorrisos, contos, e é assim, um ou mais livros “grandes, mamães” por semana.

Vou dizer uma coisa, bem clara e franca, caso alguma de nós, mães, ainda não tenha percebido. Não há produto cultural (adequado e inteligente) que não encante uma criança. Esqueça os livros e filmes tatibitati. Jamais subestime a curiosidade e a inteligência de seu filho. Ele pode ter um ritmo diferente do filho do vizinho. Não compare, não exija, não espere. Deixe-o livre para fazer suas descobertas, mas ofereça essas possibilidades sem medo e sem forçar a barra! Livros são companheiros de berço das crianças porque eles fazem o que poucas coisas conseguem fazer: estimular a imaginação e o entendimento do mundo. E para elas, as crianças, esse processo é simples, encantador e inestimável.

Essa é a primeira mensagem que quero deixar a vocês. Troquem os brinquedos que brincam por si por brinquedos que convidem a criança a agir e criar. Troquem o vocabulário frouxo pelo vocabulário das crianças – que é mais rico do que imaginamos. E deixem que elas façam todas as perguntas do mundo. Não tenham preguiça nem medo de serem questionados. Elas aceitam mesmo um “não sei, meu filho”. E aí vem a melhor a parte: vocês aprendem juntos.

Um grande beijo de quem vive sendo questionada e desafiada.

Milena

Estante para livros. Que tal incentivar a paixão dos pequenos pela leitura?

Formada em letras e jornalismo, teria como não ser apaixonada por livros? Desde pequena, eles me fazem companhia e deixam a minha vida mais interessante. Mas tenho certeza de que esse não foi um caso de amor à primeira vista. Estante para livros criançasSempre fui incentivada pelos meus pais a curtir o mundo das letrinhas. Eles me levavam a livrarias, contavam histórias e o mais importante de tudo: davam exemplo lendo sobre os mais variados assuntos.

O André e eu temos o hábito de ler para o Santiago na cama. E é incrível como o nosso gurizinho se diverte e já tem seus livros preferidos. Semana passada, ao buscar o boletim dele na escolinha, a professora destacou a paixão do meu bebê por histórias. Fiquei toda orgulhosa.

Esses tempos, entrevistando a querida Nurit Masijah Gil para a seção It Mammies aqui do site, ela me contou que as noites em sua casa nunca mais foram iguais desde que instalou uma prateleira baixa no quarto de Taly. Agora a sua pequena escolhe as historinhas que quer ouvir antes de dormir. Não é o máximo que as crianças tenham os livros à altura das mãos?

Selecionei, então, vários modelos de estantes para vocês também entrarem no clima. Vamos brindar a literatura?