Papo de mãe com Milena Fischer

Pessoal, eu e a Paula estamos muito contentes e orgulhosas em apresentar para vocês a mais nova colaboradora do Mães à Obra: a competente jornalista Milena Fischer. A partir de hoje, quinzenalmente, às segundas-feiras, será publicado um dos maravilhosos textos da Milena, falando de uma forma bem intimista sobre a maternidade. A Milena é mãe da graciosa Manuela, de 7 anos, e já foi nossa It mammy, lembram?

Tenho certeza de que vocês vão curtir os textos dela. Eu adoro a forma como a Milena escreve, sempre me faz refletir e ver as coisas por outro ângulo…Papo de mãe

Com vocês, Milena Fisher, a mais nova mãe à obra!l

Olá, leitoras e leitores. Combinei com a Raquel que este espaço seria bem íntimo, para que possamos trocar experiências pessoais. Antes de pegar no mouse, peço que escrevam, contem dramas, dúvidas, relatem acontecimentos, para que, juntas, passemos a limpo todas as delícias e os dramas da maternidade. Em todas as suas fases.

Tenho 35 anos e uma filha que acaba de completar sete, a Manuela. Sou jornalista por formação e apaixonada por literatura desde o DNA. Aos oito anos, escrevi um “livro”, a caneta, porque computadores pessoais não existiam, arranquei as folhas do caderno, com rebarbas e rasuras, e perguntei à minha mãe:

– Posso mandar para a Editora Ática (eu amava os livros da Ática)?

Minha mãe talvez soubesse que não iria rolar o meu primeiro livro publicado, mas fez o que me vejo fazendo com a Manuela hoje. Incentivou. Até mesmo porque seria uma das primeiras lições de frustrações, caso não fosse aceito pela editora. E um grande ensinamento sobre empenho e dedicação. É preciso fazer, fazer, fazer, aprender, aprimorar-se para, quem sabem, ter sucesso no que se quer fazer.

Mandamos “o livro”, que se chamava Naniquinha, a Menina que Tinha Medo de crescer, pelo correio.

Em alguns dias, chegou o dourado envelope da editora.

Gelei. E se fosse um “sim”? Mas não era exatamente um “sim, prepare-se para a sessão de autógrafos”. Era uma longa carta, que guardo até hoje, elogiando a história, agradecendo a escolha pela editora, explicando que não publicavam livros escritos por crianças e me incentivando: escreva, escreva, escreva. Quando fores adulta, estarás pronta para publicar.

Adorei a carta e a guardo nos meus alfarrábios.

Mesmo antes de nascer, minha filha Manuela se desenvolveu nesse meio de letras e páginas. Eu lia histórias para ela quando ainda estava grávida. Desde muito pequena ela gostava de mexer nos livros e ficava atenta às ilustrações. Foram vários que ela mordeu, rasgou páginas, pediu que lesse para ela. Até meados desse ano. Não sei bem o dia em que me dei conta que ela passou a ler apenas “com os olhos”. E pulou, com curiosidade histórica, para o volume A Bíblia para as Crianças (235 páginas com poucas ilustrações). Depois veio Pipi Meia Longa, Judy Moody, O Ladrão de Sorrisos, contos, e é assim, um ou mais livros “grandes, mamães” por semana.

Vou dizer uma coisa, bem clara e franca, caso alguma de nós, mães, ainda não tenha percebido. Não há produto cultural (adequado e inteligente) que não encante uma criança. Esqueça os livros e filmes tatibitati. Jamais subestime a curiosidade e a inteligência de seu filho. Ele pode ter um ritmo diferente do filho do vizinho. Não compare, não exija, não espere. Deixe-o livre para fazer suas descobertas, mas ofereça essas possibilidades sem medo e sem forçar a barra! Livros são companheiros de berço das crianças porque eles fazem o que poucas coisas conseguem fazer: estimular a imaginação e o entendimento do mundo. E para elas, as crianças, esse processo é simples, encantador e inestimável.

Essa é a primeira mensagem que quero deixar a vocês. Troquem os brinquedos que brincam por si por brinquedos que convidem a criança a agir e criar. Troquem o vocabulário frouxo pelo vocabulário das crianças – que é mais rico do que imaginamos. E deixem que elas façam todas as perguntas do mundo. Não tenham preguiça nem medo de serem questionados. Elas aceitam mesmo um “não sei, meu filho”. E aí vem a melhor a parte: vocês aprendem juntos.

Um grande beijo de quem vive sendo questionada e desafiada.

Milena

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