Viajar com Filho não é nenhum bicho de sete cabeças!

Sempre que volto de viagem com meus filhos muitas pessoas – especialmente mães – me perguntam sobre as dificuldades de viajar com crianças pequenas, se a logística não é muito complicada, se conseguimos aproveitar o passeio, fazer compras, se eles dormem bem, etc.

viajar com criança

Depois de 4 viagens para EUA e Europa com meus filhos, e muitas dentro do Brasil e no Uruguai, posso afirmar que é bem menos complicado do que parece. Na verdade, que tem que descomplicar e relaxar de certas coisas somos nós, os pais.

É claro que quando viajamos com crianças pequenas (o meu filho tem 4 anos e a minha filha 1 ano e 9 meses) temos que ir conscientes de que não conseguiremos fazer todos os programas turísticos da programação, de que o momento de compras será mais complicado e exigirá paciência dobrada e revezamento entre os adultos, de que nem todos os restaurantes se encaixam no perfil “família”, e também que muitas vezes a noite vai terminar em um piquenique no quarto, visto que os pequenos vão capotar e os pais terão que se contentar com um bom vinho e alguns petiscos comprados no supermercado. Mas, e o que há de mal nisso???

Na minha opinião, depois que temos filhos, temos que assumir a situação de que somos uma FAMÍLIA, e de que as viagens de férias passarão a ser diferentes. Que há privações em alguns momentos eu não posso negar, mas a alegria do convívio e das descobertas que fazemos juntos nessas viagens são muito maiores e melhores do que isso.

Vale a pena levar filhos ?

Bom, eu sou do tipo que anda sempre com os filhos a tiracolo. Viagem sempre foi uma paixão minha e do meu marido, e não deixamos de viajar depois da chegada dos pequenos. Apenas adaptamos certas coisas, e ganhamos companheirinhos na jornada.

Na verdade, só o fato da pessoa viajar já exige um certo grau de desprendimento, independente de estar com os filhos. Deixamos a segurança da nossa casa, da família, dos amigos, do carro, para rumar ao desconhecido (e essa é justamente a graça da coisa). E daí a gente tem que se adaptar em novos quartos, novas camas, novos caminhos, novos sabores.

Com as crianças é a mesma coisa: até pode ser que no primeiro dia eles estranhem um pouco, mas em seguida já se adaptam e passam e incorporar aquela nova rotina. Noto que a cada viagem essa transição fica mais fácil com meus filhos – primeiro porque eles estão crescendo e ficando mais maduros e flexíveis, e segundo porque estão ficando acostumados a viajar (orgulho de estar formando dois pequenos viajantes!).

Nessa última viagem fomos nós 4 e a minha sogra – a presença da avó ajuda muito em viagens, é mais um adulto para dar uma mão, reparar… Alugamos um apartamento, como costumamos fazer (já disse que acho bem melhor esse tipo de hospedagem com criança). Compramos um monte de novidades gostosas no supermercado (adoro ir a supermercado quando viajo, haha), e fazíamos o café da manhã em casa. Almoço sempre na rua, em restaurantes, e jantar às vezes em casa, às vezes fora. Dependia do cansaço do dia… Mas com o maior orgulho conto para vocês que eles se comportaram bem (para os limites de uma criança, claro) em todos os lugares que fomos para comer, desde os mais simples até alguns sofisticados e exóticos (comida peruana, japonesa, etc). Até jantamos no Nobu com eles uma noite, que é um lugar mais com carinha de “balada”, e deu tudo super certo, inclusive encontramos outras crianças por lá também. O pessoal do restaurante foi super atencioso, trouxeram copinho plástico infantil e ofereceram espetinhos deliciosos de peixe e frango para os dois. Aliás, é difícil o restaurante que não seja kids friendly nos EUA…

É claro que os lanches e refeições durante uma viagem nem sempre são o ideal, a frutinha não está sempre à mão, mas que mal faz, durante 10 dias, se alimentar um pouco fora da rotina super saudável de casa? Melhor fechar os olhos e curtir a alegria deles devorando waffles e batatas fritas…

Sobre o sono, a Valentina estranhou um pouco a primeira noite, mas depois já se acostumou e passou a dormir a noite toda de novo. E o Frederico já nem sente mais essas mudanças… A soneca do dia da Valentina teve que ser sempre “na rua”, no meio dos passeios: andando de carro ou no próprio carrinho. É claro que a programação para um dia inteiro fora, batendo perna e passeando, exige um certo grau de organização: na mochila é necessário levar muitas fraldas, no mínimo duas mudas de roupa, casaquinho, mamá, lanche, água, brinquedos, etc.

Com levar bebes na viagem

A parte “compras” é a mais complicada com crianças, na minha opinião. Lá procuramos mesclar programas para eles, pracinhas, parquinhos, passeios turísticos com as idas a shoppings. Em alguns momentos nos revezamos, meu marido ia para o apartamento com eles enquanto eu encarava as lojas, ou a minha sogra entretia os dois por algum tempinho, ou eu ficava com eles enquanto o Rodrigo pesquisava lojas de eletrônicos… Mas no dia que fomos ao outlet Sawgrass Mills levamos os dois junto, e eles se comportaram SUPER bem, ao meio-dia levamos eles para almoçar no Rainforest Cafe, e depois deixamos eles brincarem um bom tempo no playground do restaurante. Aguentaram firme, sem reinar, até o fim. E temos que convir que um dia de outlet já é massante para nós, adultos, imagina então para eles!

O voo e o aeroporto também são sempre momentos “tensos” em viagens com crianças. Essa foi a primeira vez que fomos de voo diurno. Eu sempre achei que era melhor viajar de noite com as crianças, pois assim eles dormiam o tempo todo e não viam o tempo passar. Só que a gente chega acabado no destino, né? Pois então, experimentamos o voo diurno e adoramos! Saímos de Porto Alegre de manhã cedinho, e à tardinha estávamos em Miami, inteiros. E os pequenos? Se comportaram super bem, nós levamos várias opções de entretenimento (iPad, livros de colorir, livrinhos de leitura, brinquedos), e, além disso, a TAM tem um Canal Kids bem bacana também, com vários filmes e desenhos. Uma parte do tempo eles dormiram, um pouco se ocuparam com as refeições, e o restante da viagem eles brincaram e assistiram desenhos. Pegamos aqueles assentos conforto, que ficam na primeira fileira, o que possibilita espaço para eles brincarem no chão, circularem, etc. Isso ajuda muito! E também comprei assento para a Valentina, pois, embora ela ainda não tenha dois anos de idade, é muito grande para ir no nosso colo por 8 horas.

O Frederico e a Valentina curtiram muito os passeios: zoológico, Museu da Criança, praia, passeio de barco, etc. As crianças crescem muito nesse tipo de viagem, aprendem coisas novas, passam a observar as diferenças entre os lugares, entre as pessoas, entre as comidas… Para mim, cada vez fica mais prazeroso viajar com a minha duplinha!

Finalizando, fiz esse post realmente para dizer que não acho nenhum bicho de sete cabeças viajar com crianças. É claro que precisa ter disposição, paciência, e um companheiro a fim de encarar a aventura do lado – caso do meu marido, que é um ótimo parceiro de viagem, adora a companhia das crianças e encara junto tudo o que precisamos enfrentar com eles.

Não deixem de viajar porque tiveram filhos! A vida continua, e os caminhos passam a ser mais coloridos e divertidos (e também um pouco mais cansativos, claro…).

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